Categoria: Meio Ambiente

14 de maio de 2022

Belarus denuncia a hipocrisia da União Européia quando se fala em Amazônia


belarus denuncia

Embaixada de Belarus Denuncia o duplo padrão moral de quem condena o Brasil enquanto tem problemas em casa

 

A Embaixada de Belarus postou nas redes sociais uma dura crítica aos países da União Européia que fazem denúncias sobre o desmatamento no Brasil e não falam sobre a própria devastação ambiental nos países membros. Foi destacada a questão da Floresta Białowieża, na fronteira de Belarus com a Polônia:

 

belarus amazonia

 

A postagem da Embaixada de Belarus no Facebook:

Exemplo dos duplos padrões ocidentais.

É interessante observar que quando se trata da situação na Amazônia, a #UE 🇪🇺 fala de crimes contra a humanidade devido ao desmatamento, a proteção da flora amazônica é necessária para combater a mudança climática.
No entanto, quando se trata da morte de animais na floresta #Białowieża, a destruição do único ecossistema florestal relíquia na Europa devido à construção de uma cerca na fronteira com #Belarus 🇧🇾 , os valores ambientais da UE se tornam menos valiosos…

A postagem ainda marca as seguintes contas e hashtags no Facebook:

МИД Беларуси Ministério das Relações Exteriores Unesco Brasil #nobarriers #savebiodiversity #WildlifeProtection IUCN UN Environment Programme WWF-Brasil #AgirÉurgente #PuszczaBiałowieska.

PS. Ocidental o Brasil também é, mas entendemos a postagem.


24 de janeiro de 2022

Grand Coulee, a Belo Monte dos americanos


grand coulee

grand coulee

A construção de uma usina hidrelétrica modifica o meio ambiente e altera a vida de um grande número de pessoas. Se índios estão envolvidos a coisa toda é ainda pior pois conflitos seculares voltam à mesa já na apresentação do projeto. A reparação material é a única alternativa para os prejudicados, para danos nem sempre tangíveis.

Esta introdução poderia ser o começo de mais um post sobre a polêmica da contrução da usina Belo Monte, em Altamira, no estado do Pará. Não é. Vou contar a história de um problema bem americano: a construção da usina de Grand Coulee, no estado de Washington. Vamos chamar aqui esta usina de “a prima rica de Belo monte”. As coincidências nos dois casos são bem curiosas.

O Columbia é o maior rio do noroeste dos EUA, nasce nas montanhas do Canadá e deságua no oceano pacífico. O curso total é de 2000 km. A concepção da usina, seus desafios técnicos e questões ambientais começaram nos anos 20. Sua função mais nobre seria a irrigação, seguida por produção de energia elétrica e suporte à navegação. 13 anos depois as obras começaram, sendo o projeto mais inclinado à produção de energia elétrica, com sua capacidade original ampliada. Uma grande obra como esta teve grande apelo “político” pois a geração de empregos em uma américa pós grande depressão caia como uma luva. Ná época o governo chegou a contratar artistas que compuseram músicas sobre a usina, para convencimento da população, na base da apelação (…trazendo luz para a escuridão).

 

Well the world has seven wonders, the travelers always tell:
Some gardens and some towers, I guess you know them well.
But the greatest wonder is in Uncle Sam’s fair land.
It’s that King Columbia River and the big Grand Coulee Dam.

She heads up the Canadian Rockies where the rippling waters glide,
Comes a-rumbling down the canyon to meet that salty tide
Of the wide Pacific Ocean where the sun sets in the west,
And the big Grand Coulee country in the land I love the best.

Loonie Donegan – Grand Coulee

 

A construção foi finalizada em 1942, logo após a entrada dos EUA na segunda guerra mundial. Então a meta inicial de fomentar a irrigação deu lugar ao apoio total às usinas de alumínio (grandes consumidoras de eletricidade) para a fabricação de aviões. O processamento de plutônio também foi viabilizado na região por conta do fornecimento garantido de energia.

Os danos ambientais

Entre todos os danos óbvios, talvez o mais sentido na região seja o da diminuição ou extinção de alguns tipos de peixes típicos, incluindo o salmão. A inviabilização da piracema acabou com muitas espécies, o que nos liga ao item seguinte…

Os índios

A região do rio Colúmbia teve muitas reservas indígenas reduzidas e ou deslocadas por conta da construção da usina. Muitos dos rituais milenares destas tribos eram ligados aos peixes e seus santuários de desova, totalmente eliminados. 85 km2 foram inundados, destruindo locais de caça e cemitérios (alguns foram relocados). No lado branco da coisa não foi diferente. Uma cidade inteira (Kettle Falls) foi transferida.

 

spokane
Índios Spokane: não enfiaram o facão no pescoço de ninguém e hoje estão com a grana.

O grupo que representava as demandas dos índios (uma espécie de conselho tribal) não teve muita sorte logo nas primeiras audiências. A primeira reunião com o governo federal na época foi cancelada por um fato totalmente inédito. No mesmo dia o Japão bombardeava Pearl Harbor. E foi assim até os anos 90 quando esta comissão conseguiu na justiça uma indenização de 52 milhões de dólares e pagamentos anuais de 15
milhões. Quase 70 anos de briga.

Hoje em dia a Grand Coulee ainda é a maior dos EUA e quinta do mundo. Também é a maior estrutura de concreto daquele país. Tem uma capacidade instalada de 6809 MW. Em fornecimento anual só perde para a usina de Palo Verde, sendo esta nuclear. A região do rio Colúmbia já foi responsável por 40% da produção de alumínio dos EUA (17% do mundo) mas a oferta decrescente por conta das secas e a transformação da energia elétrica em commodity diminuiu esta produção em 80%. Mesmo assim a energia ainda é considerada barata, e grandes data-centers (inclusive o do google) estão migrando para a região.

Veja também

A maior lavoura de trigo do mundo


4 de outubro de 2021

Google será capaz de prever chuva com duas horas de antecedência


Sistema desenvolvido pela empresa DeepMind usa dados meteorológicos e Inteligência Artificial para atingir 89% de acerto na previsão de chuvas

 

A empresa DeepMind desenvolveu um novo sistema com Inteligência Artificial para prever chuvas com duas horas de antecedência, usando diversos dados. A DeepMind fica em Londres, na Inglaterra e foi adquirida pelo Google em 2014.

Para chegar no nível de acerto (89%) e tempo para previsão de duas horas, o sistema analisa imagens de radar de alta resolução geradas em curtos intervalos de tempo. E com mais dados alimentando o software, mais cenários a Inteligência Artificial poderá criar para chegar na previsão. É a tecnologia chamada de Modelo Generativo. Quem quer se aprofundar na pesquisa pode acessar o paper do projeto neste link em inglês.

É como analisar milhares de vídeos com jogadores chutando a bola no gol de fora da área, até que o computador comece a adivinhar onde a bola vai entrar apenas vendo o chute em vídeos futuros, baseado em tudo o que já foi catalogado: posição do pé, força, vento e outras variáveis.

google deepmind

A cobertura da análise é de 1536 km X 1280 km em torno do radar que capta as imagens.

Os setores com maior potencial de benefício para o Nowcasting são a agricultura, eventos, aviação e segurança pública.

A Deepmind atua também em projetos para medicina, redes de computadores neurais e ficou famosa em 2016 quando seu software ganhou de um humano no jogo Go. A façanha virou até mesmo documentário na Netflix.

Veja também

Google Tel Aviv: um trator no vigésimo andar

 


27 de fevereiro de 2020

Naomi Seibt, a Greta Thunberg “da direita”


Conheça a adolescente alemã de 19 anos que é uma jovem voz contra o alarmismo climático e já incomoda o politicamente correto mundial

Naomi Seibt é uma jovem alemã de 19 anos que vem chamando a atenção pelo discurso político, praticamente o inverso da pirralha sueca Greta Thunberg.

A fama começou mesmo depois da participação de Naomi como palestrante em eventos do Heartland Institute, um centro de estudos libertário americano, alinhado com o presidente Donald Trump. Bastou para a mídia carimbar Naomi Seibt com a marca de “menina paga por instituto de extrema-direita aliado de Trump para negar o aquecimento global” ou “a queridinha dos negacionistas do aquecimento global“.

A ativista participou de um painel do Heartland Institute realizado durante a conferência da ONU para o Clima realizada na Espanha no último dezembro. Agora, participa do CPAC 2020, principal evento conservador da América.

 

Algumas falas de Naomi Seibt

“Mudanças climáticas causadas pelo homem” virou um tópico tão inquestionável que todos que ousam expressar um mínimo de ceticismo são imediatamente marcados como negacionistas do clima. Entre aqueles que nos classificam, estão os que tendem a nos chamar de nazistas, sem perceber que esta é uma forma de zombar da severidade do holocausto. Pessoalmente, prefiro o termo “realista do clima”.

No contexto de um tópico extremamente científico, você deveria dar ouvidos a uma menina de longos cabelos loiros dando uma palestra? Sim, exatamente! A pergunta “por que você está está ouvindo uma menina?” é a mesma que eu faço para as pessoas que saem para protestar no Fridays for Future* toda semana como os adoradores da Greta.

 

 

Naomi Seibt

Você ainda vai ouvir falar da menina da Alemanha que ousou desafiar Greta Thunberg. Dependendo do canal escolhido, com os piores adjetivos.

Veja também

The anti-Greta: A conservative think tank takes on the global phenomenon

Conservative group hires German teen Naomi Seibt to rival Greta Thunberg’s climate views

German teen Naomi Seibt, the darling of climate change deniers

Adolescente que contesta mudanças climáticas vira anti-Greta da extrema-direita

* Fridays for Future é uma iniciativa de greve escolar (por parte dos estudantes) para combater as mudanças climáticas, iniciada por Greta Thunberg na Suécia.


9 de fevereiro de 2020

Massospora, as cigarras e a psilocibina


Massospora

CIGARRAS CONTENDO PSILOCIBINA?

A cigarra é um bicho estranho. As fêmeas põem seus ovos e morrem logo depois. Esses ovos quebram e os filhotes (ninfas) caem na terra. Eles podem viver ali por até 17 anos se alimentando da seiva de raízes. Depois desse período eles cavam túneis e sobem nas árvores para sofrer uma metamorfose e virar adultos. Mas aí você me pergunta, “porque raios você está falando sobre cigarras”?

Bom, é curioso. Alguns cientistas divulgaram essa semana um estudo onde encontraram psilocibina (o princípio ativo dos cogumelos mágicos) e catinona (um alcaloide encontrado em uma planta – a metilona pertence a família das catinonas) no corpo de algumas centenas de cigarras americanas.

Acontece que depois do período no solo, essas ninfas podem ser infectadas por um fungo chamado Massaspora. Esse fungo cresce em todo o inseto, consome seus órgãos e converte um terço do traseiro de seu corpo em um massa de esporos. As cigarras vivem como se nada tivesse acontecido e esses esporos continuam a cair e infectar outras cigarras. Esse fungo não é novidade e foi descoberto no século 19. Mas o que encontraram agora foi que ele dosa suas vítimas com drogas que alteram a mente. “Talvez seja por isso que as cigarras andam por aí como se nada estivesse errado, mesmo que um terço de seu corpo tenha caído”, diz Kasson, um dos responsáveis pelo estudo.

Ele e seus colegas coletaram cerca de 150 dessas cigarras. Greg Boyce, um membro da equipe, examinou todos os produtos químicos encontrados nas várias cigarras. E para sua surpresa, ele descobriu que as asas delas estavam carregadas de psilocibina. “No começo, pensei: não pode ser”, diz ele. “Parecia impossível”. Afinal, ninguém jamais detectou a psilocibina em outra coisa senão cogumelos.

As surpresas não pararam por aí. “Lembro-me de olhar para Greg uma noite e ele tinha um olhar estranho no rosto”, lembra Kasson. “Ele disse: ‘Você já ouviu falar de catinona?'”, Disse Kasson, mas uma pesquisa rápida revelou que é uma espécie de anfetamina. Nunca havia sido encontrado em um fungo antes. Na verdade, era conhecido apenas da planta Khat que há muito tempo é mastigada por pessoas do Oriente Médio e da África. Mas aparentemente, a catinona também é produzida pelo Massaspora depois de infectar as cigarras.

A equipe fez um grande esforço para verificar se o Massaspora realmente contém essas drogas e descobriram que o fungo tem os genes certos para produzir esses produtos químicos e contém as substâncias precursoras necessárias.

E em algum momento durante este trabalho, Kasson percebeu que ele estava trabalhando com substâncias ilícitas. A psilocibina, em particular, é uma droga da Classe I, e os pesquisadores que a estudam precisam de uma permissão da DEA. “Eu pensei: ah, droga”, ele diz. “A DEA vai entrar aqui, me aprisionar e confiscar minhas cigarras (risos)”.

Ele enviou-lhes um email. “Isso é … interessante”, foi a resposta inicial da DEA. “Você tem que entender que isso não é algo sobre o que normalmente recebemos e-mails por aqui.” Depois de alguma discussão, a agência decidiu que nenhuma permissão era necessária, já que a droga é encontrada em pequenas quantidades dentro das cigarras, e já que Kasson não tinha planos para isso.

É possível ficar chapado comendo cigarras infectadas com Massaspora? “Com base naquelas que analisamos, provavelmente seria necessária uma dúzia ou mais delas”. Mas é possível que no início das infecções o fungo possa bombear concentrações mais altas desses produtos químicos. Por quê? Kasson suspeita que as drogas ajudem o fungo a controlar seus hospedeiros.

As cigarras infectadas se comportam de maneira estranha. Apesar de seus ferimentos horríveis, os machos se tornam hiperativos e hipersexuais. Eles freneticamente tentam acasalar com qualquer coisa que possam encontrar, inclusive com outros machos. Eles vão até mesmo imitar os sinais de asas das fêmeas para atrair os machos em direção a eles. Nada disso lhes faz bem – seus genitais foram devorados pelo fungo ou caíram com o resto de suas bundas. Em vez disso, esse comportamento só beneficia o fungo, permitindo que seus esporos encontrem novos hospedeiros.

Kasson suspeita que a catinona e a psilocibina são responsáveis ​​por pelo menos alguns desses comportamentos. “Se eu tivesse um membro amputado, provavelmente não teria muita energia”, disse ele. “Mas essas cigarras tem de sobra. Algo lhes dá um pouco mais de energia. A catinona poderia explicar isso”.

O papel da psilocibina é mais difícil de explicar. A droga pode fazer os humanos ficarem chapados, mas ninguém sabe se as cigarras também ficam. Há, no entanto, uma teoria de que cogumelos mágicos desenvolveram a psilocibina para reduzir o apetite de insetos que poderiam competir com eles pela comida. Talvez, suprimindo o apetite das cigarras, Massaspora os manda para longe da busca por alimento e em direção ao acasalamento incessante.

Existem muitos fungos parasitas que manipulam o comportamento de hospedeiros de insetos, incluindo os famosos fungos Ophiocordyceps, que podem transformar formigas em zumbis. “Há muita curiosidade sobre como esses fungos podem realmente manipular o comportamento, e esta é a primeira vez que alguém identificou compostos químicos que poderiam desempenhar esse papel”, diz Kathryn Bushley, da Universidade de Minnesota. “Isso é realmente significativo.”

A descoberta abre muitas questões, diz Corrie Moreau, do Field Museum of Natural History. O que exatamente essas drogas fazem para as cigarras? E ela se pergunta, “outros fungos infectantes compartilham essas mesmas moléculas, ou cada fungo manipulador desenvolveu um composto único para induzir o comportamento desejado?”

Massospora

Muitas respostas ainda não existem para essa questão. O artigo completo da equipe que analisou as cigarras você pode ver abaixo:

This Parasite Drugs Its Hosts With the Psychedelic Chemical in Shrooms.


29 de janeiro de 2020

Reportagem culpa lavouras de soja e pesticidas pelo aparecimento de cobras


aparecimento de cobras

TV do Rio Grande do Sul diz que as cobras estão aparecendo com maior frequência e picando humanos por conta do uso excessivo de pesticidas

Ataques de cobras viraram notícia no Rio Grande do Sul depois da trágica morte de um agricultor que foi picado por uma jararaca no interior da cidade de Coronel Bicaco.

Uma equipe de reportagem da RBS TV, afiliada Rede Globo no Rio Grande do Sul esteve na cidade e, de lá, atualizou as informações sobre as aparições de cobras da seguinte maneira:

“… tivemos mais dois casos claro não tão graves quanto o desse senhor. Isso porque aqui a região de Coronel Bicaco é uma região onde se usa muito pesticida né, uma região agrícola. E as cobras então acabam fugindo do seu habitat natural. O que contribui também é o calor, então os animais tem uma maior atividade por causa das altas temperaturas.”

Você pode acessar a reportagem neste link do Globoplay.

Nenhum especialista em cobras foi entrevistado pelo repórter, apenas um médico com orientações para pessoas picadas.

O Rio Grande do Sul está sofrendo com recordes de temperaturas altas (a causa secundária apontada pelo repórter) e secas. Sobre a teoria dos pesticidas e aparecimento de cobras, não temos notícia.

A própria RBS já foi melhor em outra reportagem de 2015. Em “Fundação Zoobotânica alerta para aparição de cobras e serpentes no RS” , disseram:

Com a chegada da primavera e a ocorrência de temperaturas mais elevadas, a Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul alerta para o surgimento de serpentes e cobras. Isso ocorre, especialmente, pela maior presença de pessoas no habitat delas e também uma maior circulação da espécie, em busca de comida e de parceiro sexual.

Veja também

No dia do pecuarista, RBS faz reportagem contra o consumo de carne.


17 de outubro de 2019

Granizo assusta no Rio Grande do Sul


granizo

Cidades do norte do estado foram atingidas por forte chuva com granizo na tarde desta quinta, destruindo lavouras e propriedades

Os grupos de Whatsapp ligados a agricultura estão recebendo diversos relatos de agricultores (e também do pessoal da cidade) sobre a intensidade do granizo que caiu nesta quinta. O tamanho das pedras também espanta.

Cidades como Lagoa Vermelha, Caseiros, Itapuca foram atingidas (fotos acima). O estrago foi grande também nas lavouras da região.

https://www.facebook.com/farmfor/videos/708514582978160/

Saiba mais: Temporal de granizo causa estragos em Lagoa Vermelha (Diário da Manhã – Passo Fundo).


18 de fevereiro de 2019

Onda de frio mata 1600 bovinos em um dia nos EUA


Onda de Frio

Tempestades de neve e ventos de até 128 km/h também causaram estragos em propriedades do estado de Washington

Pecuaristas da região de Sunnyside, no estado de Washington, nos EUA, amargaram prejuízos e a morte de mais de 1600 bovinos por conta da onda de frio inédita para a localidade.

As propriedades por lá são, na maioria, preparadas para o clima quente da região: galpões sem paredes e instalações sem proteção para eventos desta magnitude. Com o frio que chegou rapidamente, o gado se acumulou nos cantos das estruturas e muitos acabaram morrendo pelo frio intenso ou por machucados causados pelo agrupamento. Outras 28 cabeças foram sacrificadas por conta dos ferimentos.

Os prejuízos, só em animais, ficaram em 3,2 milhões de dólares, sem contar a perda na produção. Nenhum produtor ou funcionário ficou ferido no incidente, que exigiu um trabalho heroico para a tentativa de deslocamento dos animais e improviso com coberturas emergenciais, até mesmo com montes de feno, sem muito resultado.

Propriedades em regiões mais baixas ou cercadas por montanhas não foram afetadas pela onda de frio que chegou rapidamente, durou cerca de 24 horas e causou todo este prejuízo.

Após toda esta tragédia, produtores e autoridades ainda precisam lidar com toda uma logística para dar o destino correto para centenas de carcaças e ainda desbloquear estradas e permitir o acesso até as áreas atingidas.

Saiba mais no site Capital Press (em inglês).


1 de fevereiro de 2019

Globonews divulga imagens do momento exato do rompimento da barragem em Brumadinho


momento exato

Depois de uma semana com postagens falsas sobre a tragédia espalhadas por internautas, a Globonews finalmente mostra vídeos que detalham o rompimento da barragem da Vale

As imagens divulgadas pela Globonews, cedidas pela equipe que investiga o rompimento da barragem da mineradora Vale em Brumadinho, MG, finalmente exibem o momento exato do rompimento da estrutura e o rastro de destruição deixado pelo deslocamento de 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos.

Eram (segundo o relógio das câmeras da Vale) 12h28 quando a barragem começou a romper. Note o “calombo” junto das linhas verticais da contenção.
Rompimento da barragem: pessoas próximas são soterradas em segundos pela onde de rejeitos.


Em 8 segundos após a imagem anterior.


Acesse a reportagem completa e o vídeo no site da Globonews, neste endereço.

Veja também: Brumadinho: região da barragem tem várias propriedades rurais.


25 de janeiro de 2019

Brumadinho: região da barragem tem várias propriedades rurais


Brumadinho

A barragem da Vale que rompeu em Brumadinho (MG) é vizinha de várias propriedades rurais e perdas são visíveis em imagens

Nesta sexta, 25 de janeiro, uma barragem da mineradora Vale rompeu na cidade de Brumadinho, no estado de Minas Gerais. O desastre é muito similar ao ocorrido em Mariana, com a lama de mineração invadindo rios, propriedades rurais, estradas e pequenos vilarejos. Mais uma vez, vidas perdidas e pequenas famílias rurais sofrendo prejuízos materiais de grande monta e imateriais irrecuperáveis.

Os principais sites de notícias estão gerando imagens do local e a devastação de algumas propriedades já pode ser vista.

Acima: imagens extraídas de vídeos do G1 / Rede Globo.

As notícias atualizadas em tempo real pelo G1 estão neste link.

Brumadinho no Cadastro Ambiental Rural

Segundo o site do SICAR, a cidade de Brumadinho tem 900 imóveis cadastrados em 32758 hectares. O entorno da barragem é cheio de pequenas propriedades:

A região atingida, em imagem do Google Maps.
A mesma região no SICAR e a distribuição de propriedades cadastradas.

Esperamos que os novos governos (federal e estadual) atendam com seriedade as pessoas atingidas, com o máximo envio de recursos e suporte para a resolução dos problemas, bem como a recolocação próxima daqueles que já tiveram a totalidade das propriedades destruída pela lama tóxica.


14 de janeiro de 2019

Gisele Bundchen tinha sete lareiras em casa e militava contra o uso de fogão a lenha


Gisele Bundchen

A Uber Model Gisele Bundchen é conhecida pelo ativismo ambiental e foi lembrada negativamente pela Ministra da Agricultura Tereza Cristina

Durante uma entrevista para a rádio Jovem Pan, no programa Jornal da Manhã, nesta segunda-feira, 14/1, a ministra da Agricultura Tereza Cristina fez críticas quase irônicas para as declarações negativas da modelo Gisele Bundchen sobre o agronegócio brasileiro. O programa também contou com a presença do especialista José Luiz Tejon.

O que rolou na entrevista, você pode conferir no site da Jovem Pan ou no vídeo abaixo.

Não é de hoje que Gisele Bundchen atua no ativismo ambiental e fala coisas estranhas sobre o campo e o agronegócio em geral. Seja dando apoio para questões da ONU ou meditando com a então futura candidata a vice-presidente pelo PSOL nas eleições de 2018, a índia Sônia Guajajara, ela sempre aproveita para dar pitacos.

Amigona da vice do PSOL, a modelo também já apoiou Marina Silva.

Mas em 2012, a coisa foi longe demais: quando ainda era Embaixadora da Boa Vontade do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), a modelo fez um vídeo contra o uso de fogão a lenha. Do alto de sua hipocrisia ambiental, na época Gisele estava construindo uma mansão em Los Angeles que tinha nada mais nada menos do que sete lareiras. Posteriormente, a casa foi vendida para o rapper Dr. Dre.

Uma das sete lareiras da mansão de Gisele Bundchen em Los Angeles, EUA.

A hipocrisia das celebridades: frases prontas, desconhecimento de causa e proibições “unilaterais”. Típico.


15 de junho de 2018

Clima: o que esperar para as safras de inverno e verão?


Clima

Clima: previsão climática destacada no III Fórum Estadual do Agronegócio pode animar os produtores rurais do Sul

Antes do plantio das culturas de lavoura, diversos produtores se preocupam em olhar a previsão do tempo. O clima, que é uma incógnita, é um dos fatores decisivos para uma boa safra. O engenheiro agrônomo e meteorologista Marco Antônio dos Santos, da Rural Clima/SP, que palestrou no III Fórum Estadual do Agronegócio, acredita que os gaúchos terão condições favoráveis para os plantios. “Os produtores terão duas condições que as lavouras de inverno, como trigo e cevada, gostam: umidade e temperatura baixa”, diz.

 

 

Para a safra de verão, Santos destaca que a tendência é de que em setembro e outubro ocorram chuvas um pouco acima da média esperada para a época, o que pode atrapalhar o início do plantio das culturas. No entanto, ressalta que este atraso não deve trazer prejuízos aos produtores.  “Há uma tendência para que depois de outubro as chuvas se normalizem, voltem a ser mais regulares e espaçadas até o final do verão, ou seja, o Rio Grande do Sul vai ter um clima excepcional tanto no inverno quanto na safra 2018-2019”, finaliza.

 

Sobre os Fóruns

 

O fórum é realizado desde o ano de 2016 e conta com a presença de produtores rurais da região, estudantes de áreas relacionadas, técnicos agrícolas e empresas do setor. Neste ano, a questão climática foi incluída na programação após uma sugestão de conteúdo vinda dos outros anos, visto que o clima é um fator chave para os agricultores.

A programação de sexta-feira acontece até a noite, onde será realizada a palestra magna com o ex-ministro da Agricultura e Abastecimento, Roberto Rodrigues.  No sábado, as palestras iniciam pela manhã e seguem pelo turno da tarde.

 


26 de abril de 2018

Boato do “pior inverno dos últimos 100 anos” coincide com o lançamento da previsão de verão do Farmers’ Almanac


Almanaque americano publicado desde 1818 usa fórmula secreta para prever o clima.

 

Os mais velhinhos vão lembrar do Almanaque Biotônico Fontoura, tradicional publicação brasileira que foi produzida entre 1920 e 1985, chegando ao final da vida com tiragem de 100 milhões de exemplares. O almanaque tinha de tudo, de dicas de saúde até curiosidades científicas.

Nos Estados Unidos, a tradição dos almanaques é bem mais antiga. Um deles, o Farmers’ Almanac, iniciou as atividades em 1818 e existe até hoje, com o livrinho e site. A publicação possui um “método secreto” para a previsão do clima, baseado em observações das manchas solares e que foi criado por Robert B. Thomas, em 1792. Acima de tudo, o almanaque americano é uma obra de entretenimento, assumidamente. Algumas vezes, acertam 80%. Outras, 55% e por aí vai.

 

 

No dia 17 de abril, o Farmers’ Almanac lançou a sua “previsão de verão”, apontando que a estação nos EUA será muito quente, mais úmida e com mais tempestades. Na mesma semana, alguns sites brasileiros especializados na área de “assuntos pitorescos”, lançaram fake news sobre um suposto inverno mais frio dos últimos 100 anos. As notícias foram desmentidas pelo site Boatos.org, pela Band e pela Metsul.

 

 

O inverno (como deve ser) começa no Brasil no dia 21 de junho.


11 de abril de 2018

A NASA não tem uma máquina de fazer chuva. É boato!


Testes com motor de foguete aguçaram a imaginação da internet.

 

Corre pela internet a notícia sobre uma “máquina de fazer chuva” desenvolvida pela NASA. Alguns portais e canais do Youtube vão fundo na teoria da conspiração e afirmam que o sistema faz parte de um plano engenhoso para alterar o clima ou acabar com a vida no planeta Terra.

A verdade é bem mais interessante.

A NASA testa motores de foguetes ainda no solo e o SR-25 (o monstro das fotos abaixo) é um dos maiores, desenvolvido para os ônibus espaciais da agência americana e que será usado nas próximas missões. Algumas versões do boato utilizam imagens do RS-68, outro modelo.

 

 

 

 

De fato, os testes geram uma enorme nuvem de vapor na exaustão do motor, que sobe aos céus em uma imagem muito interessante. Este vapor acaba virando pingos dágua no espaço ao redor. Nada além.

O motor SR-25 custa 50 milhões de dólares. Adicione estrutura da base de testes, pessoal e logística: melhor comprar um sistema de irrigação. É bem mais em conta!


10 de abril de 2018

Máquina que retira fósforo do esterco é patenteada nos EUA


O sistema é móvel e retira até 98% do fósforo em esterco bovino.

 

O fósforo no dejeto animal já é um problema ambiental sério nos Estados Unidos, responsável por 66% dos danos em rios e costas americanas. Pensando neste cenário, um time de cientistas da Universidade da Pensilvânia e do USDA desenvolveu o MAPHEX ( MAnure PHosphorus EXtraction), uma máquina capaz de remover o fósforo do esterco, principalmente bovino mas em testes para outros tipos de dejetos.

 

 

O sistema é móvel e pode ser instalado na propriedade, retirando o esterco líquido direto na esterqueira através de um parafuso de arquimedes até uma centrífuga e tanques de reação com alguns produtos químicos, com um processo final que usa Terra Diatomácea.

O sistema está em testes em algumas propriedades leiteiras nos EUA e procura parceiros para o desenvolvimento industrial. O custo estimado está em US$ 750,00/vaca/ano.

Saiba mais acessando o site (em inglês).

 

 


7 de janeiro de 2018

Previsão do tempo pelo baço do porco


Baço do porco: uma sabedoria dos antigos, muito comum no leste europeu.

 

Uma prática dos antigos e ainda em uso nos círculos tradicionalistas das comunidades rurais, lá no leste europeu: a previsão do tempo através da “leitura” do baço do porco, durante o abate.

O procedimento tem regras. O animal deve ser abatido no outono ou no início do inverno. Um “baço de primavera” não é capaz de fornecer os dados com precisão.

Com o baço na mão, o leitor divide mentalmente em seis pedaços a peça – cada parte representa um mês do ano – começando a investigação pela extremidade mais próxima da cabeça do animal.

 

Baço do porco na mão de homem

 

Onde o baço fica mais grosso, está a indicação de um clima mais severo (mais frio). Uma protuberância, tempestades mais sérias. Outras diferenças no órgão podem indicar muito vento ou chuvas.

É claro que hoje em dia, a comunidade científica ri de certas crendices populares como a previsão do tempo pela leitura do baço. Ironicamente, estas tradições são criadas muitas vezes por várias leituras que dão certo, com precisão aceitável para os padrões da época.

 

Homem com carcaça de porco

 

A tradição na Romênia

 

O canal do Youtube Turism Bucovina, da Romênia, tem um vídeo fantástico onde é exibido o abate de um suíno em uma pequena comunidade rural daquele país (eles comentam sobre a leitura aos 4:30 do vídeo). Nós recomendamos a visualização pois muitos dos seguidores do Farmfor vão lembrar de alguns procedimentos, comuns em todo o mundo rural.


9 de julho de 2017

Um resumo sobre geadas


Trabalho escolar sobre o tema, realizado em 2008.

INTRODUÇÃO

Segundo J. ZULLO JR. (2005), a geada, no domínio popular, ocorre quando há a ocorrência de deposição de gelo sobre plantas e objetos expostos ao relento. Em meteorologia define-se como uma condição de ocorrência provisória de estados de baixa energia, ocorrendo toda a vez que a temperatura da superfície atinge zero ºC. Na agronomia entende-se por fenômeno atmosférico que provoca danos às plantas em função da baixa temperatura, que acarreta congelamento dos tecidos vegetais, ou plasmólise.

Segundo Melo-Abreu (2008) As geadas ocorrem quando uma massa de ar é substituída por outra mais fria (geadas de advecção), ou quando há acentuado arrefecimento noturno, resultante principalmente da falta de nuvens e concomitante baixo valor da radiação da atmosfera (geadas de radiação). Neste caso, em que o balanço noturno da radiação é muito negativo e há pouco vento, o ar vai arrefecer por baixo, em contacto com a superfície fria, e como a agitação do ar é baixa, esta perda de calor vai fazer-se sentir até a uma altura que não cessa de aumentar durante a noite de geada.

Dentro da camada de ar que é arrefecida pela superfície, a temperatura sobe em altura (i.e., dá-se uma inversão térmica), o que contrasta com o que acontece durante o dia na troposfera, em que a temperatura desce com a altura acima da superfície.

TIPOS DE GEADAS

Geada Branca

É a geada de radiação, com deposição de gelo sobre as plantas e a típica coloração branca sobre a vegetação. Acontece em noites sem nebulosidade e sem vento. Após o congelamento do orvalho, com a contínua perda de temperatura, o vapor d’água do ar em contato com a superfície fria passa diretamente para o estado sólido, depositando-se sobre a planta, daí a coloração esbranquiçada característica.

Geada Negra

Ocorre quando o ar está muito seco e o resfriamento na superfície vegetal é muito intenso, fazendo com que o frio queime completamente as folhas e congele a seiva. Neste caso o ponto de orvalho é mais baixo que a temperatura negativa letal atingida pelos órgãos vegetais. Não se deve confundir geada negra com geada de vento, pois esta é causada por ventos frios, caracterizada por queimar apenas uma face da planta.

Geada de Canela

Em noites estáveis, com o resfriamento intenso devido à perda de calor para o espaço, o ar frio, por ser mais denso, acumula-se próximo à superfície, formando um gradiente, denominado de inversão térmica, por ser justamente a condição contrária do que ocorre durante o dia. Assim, a temperatura mínima próximo à superfície pode atingir valores negativos, enquanto próximo à copa dos cafeeiros os valores podem ser 3 a 4ºC mais elevados. Quando a temperatura junto ao tronco cai abaixo de -2ºC ocorrem danos aos tecidos externos que podem levar a planta à morte. Este dano é denominado de “geada de canela” ou “canela de geada”.

Geadas Quanto à Freqüência

As geadas severíssimas ocorrem 3 vezes por século e provocam danos severos em grandes regiões. As severas ocorrem em média a cada 6 a 10 anos afetando as produções dos anos vigentes e subseqüentes (ex. 1979,). As moderadas ocorrem em média a cada 3 ou 4 nos provocando danos superficiais e geada de canela (J. ZULLO apud A.P. CAMARGO).

MÉTODOS DE PREVISÃO DAS GEADAS

Através da observação dos fenômenos que precederam as grandes geadas do último século, foi possível a criação de sistemas de alerta com antecedência de dias ou horas baseados em todos os mecanismos que favorecem, por exemplo, o avanço das massas de ar polar no continente sul americano.

O período de inverno é o mais estudado na literatura e julho é o mês mais significativo. Durante o período maio-setembro, toda a Região Sul sente os efeitos típicos do inverno. Sucessivas e intensas invasões de frentes de altas latitudes trazem, geralmente, chuvas abundantes seguidas por massas de ar muito frio. A entrada dessas massas é acompanhada de forte queda de temperatura que atinge valores pouco superiores a 0C, e não raramente chega a temperaturas negativas, proporcionando a ocorrência de geadas (Nimer, 1979).

Parmenter (1976) analisa a geada ocorrida em julho de 1975, na América do Sul. Ele descreve a entrada de um sistema frontal pelo Chile e Argentina o qual nove dias depois atravessa o Equador, na Venezuela. Com a entrada da massa de ar polar, atrás do sistema frontal, as temperaturas baixaram muito em todo o Brasil, incluindo a região central do País.

Tarifa et al. (1977), descreveram também a situação dos danos causados pela geada de 1975 à cafeicultura no Estado de São Paulo. O principal resultado descrito é: o grau de resfriamento na superfície, que está associado à posição e à intensidade do centro do anticiclone polar. No Estado de São Paulo a pressão mínima foi 1028 hPa e a máxima foi 1030 hPa. Este episódio ocorreu na periferia do anticiclone polar e não no seu centro como era esperado por ser a área de maior calmaria e limpidez da atmosfera.

Muitos outros trabalhos citam os danos causados por geadas no Brasil tais como Ometo (1981), Almeida e Torsani (1984), Almeida et al. (1982), Fortune (1981). O episódio de geada que ocorreu em 1979 foi estudado por Fortune (1981). Os objetivos eram buscar sinais no Oceano Pacífico, que pudessem dar indicações para uma previsão de geadas; acompanhar as condições especiais que permitem a profunda penetração de ar frio no país e obter mapeamento das temperaturas vistas nas imagens de satélites. Os resultados mostraram que uma onda longa do Pacífico amplifica-se, fornecendo um sinal da provável ocorrência de geadas no sul do Brasil com 3 a 4 dias de antecedência.

No Brasil, destaca-se o trabalho do IAPAR (Instituto Agronômico do Paraná) com seu serviço “Alerta Geada”, desde 1995, em parceria com a EMATER, disponibilizando boletins por e-mail ou via telefone para agricultores sobre a possibilidade da ocorrência do fenômeno, aliado a instruções e procedimentos para as culturas afetadas conforme o estágio da planta. O serviço é gratuito e funciona de maio a setembro.

DANOS CAUSADOS POR GEADAS

Os danos por frio variam de acordo com a cultura; cada espécie tem sua própria temperatura letal. Deve-se notar ainda que algumas plantas sofrem dano mecânico por conta do peso do gelo.

Queima Superficial

É quando somente as folhas e pontas de ramos são levemente queimados, com os ramos continuando vivos e também as folhas localizadas na parte interna da planta.

Queima Parcial

Já é uma queima um pouco mais intensa, normalmente atingindo folhas e ramos da parte superior da planta, sem atingir o tronco. É comumente denominada de “capote” e sem dúvida compromete a safra do ano agrícola seguinte.

Queima severa

É quando acontece uma queima intensa de folhas e ramos, chegando muitas vezes a atingir grande parte do tronco dos cafeeiros, provocando a morte dessa área. Este tipo de queima compromete totalmente a safra futura.

Estrangulamento do Caule – Cultura do Café

Aparece apenas em cafeeiros novos, ainda sem “saia”, devido ao acúmulo do ar frio entre a copa da planta e o solo.

Essa lesão no tronco, logo abaixo dos primeiros ramos dos cafeeiros, causa a morte dos tecidos da casca e interrompe o fluxo da seiva elaborada que vai alimentar o sistema radicular. Com o enfraquecimento e até morte de parte do sistema radicular, na parte aérea surgem sintomas de deficiências  nutricionais. A tendência da planta é emitir brotação logo abaixo do local da lesão.

Muito embora essa lesão ocorra por ocasião da geada, principalmente em cafeeiros novos localizados em baixadas onde há acumulação de ar frio, somente alguns meses depois é que se começa a notar sintomas de deficiências na parte aérea dessas plantas. O efeito não é generalizado na lavoura, aparecendo em “reboleiras”, ou seja, em plantas dispersas pelo cafezal.

A evidência da lesão pode ser constatada raspando-se a casca das plantas suspeitas, que mostrarão a casca seca e até um pequeno “estrangulamento” no local, quando abaixo disto, o caule continua totalmente verde e em condições de brotar (THOMAZIELO).

TÉCNICAS DE PREVENÇÃO AOS DANOS POR GEADAS

Segundo MELO-ABREU (2005), os métodos de prevenção às geadas podem ser indiretos (passivos) ou diretos (ativos).

São métodos indiretos a seleção do local e melhoramento, a utilização da espécie ou variedade adequada ao local de plantio escolhido bem como a época adequada ao desenvolvimento.

A seleção do local de cultura visa o escoamento do ar frio para as áreas de menor cota, a possibilidade da existência de massas de água (diminuidoras da freqüência de geadas), proximidade de grandes massas rochosas ou sebes vivas (diminuem a taxa de arrefecimento das superfícies próximas), a influência do tipo de solo na freqüência e severidade das geadas e as paisagens (obstáculos ao escoamento do ar e fontes de ar frio).

São métodos diretos as coberturas, nevoeiros artificiais, aquecimento direto do ar, rega por aspersão e ventilação forçada, todos estes visando diminuir os efeitos durante a ocorrência da geada.

As coberturas possuem diferentes recomendações quanto ao tipo de cultura. Os filmes plásticos, populares na olericultura, não podem ser usados para a cobertura de uma árvore, neste caso recomenda-se o uso de tecidos (BRADLEY, 1998).

A Serragem Salitrada no Combate À Geada

Segundo CAMARGO, a combustão da serragem salitrada constitui um dos meios mais práticos e baratos de obter, artificialmente, a turvação atmosférica para o combate à geada de irradiação, que é a única forma de manifestação severa do fenômeno em São Paulo. Essa mistura neblígena foi desenvolvida pelos técnicos da “Comissão de Estudos para a Defesa contra a Geada” do Paraná e tem o mérito de utilizar matéria prima de fácil obtenção, podendo ser preparada, sem dificuldade, na própria fazenda. A eficiência do uso da serragem salitrada no combate direto às geadas depende fundamentalmente das condições ambientes no momento da aplicação. Bons resultados são muito difíceis de serem obtidos, motivo pelo qual o método deixou de ser recomendado há alguns anos. Portanto, a tentativa de uso é de responsabilidade exclusiva do interessado.

IMPACTOS ECONÔMICOS

Os danos causados às mais diferentes culturas na região sul do Brasil são de grande monta, mesmo em anos sem a ocorrência de geada severa, por quebra na produção e desvalorização dos produtos. Ainda que a contabilidade total das perdas por municípios e estados por vezes não alcance um número significativo (Ex. 15%) o prejuízo é bem pontual, sendo que alguns produtores podem ter perda total, afetando gravemente a economia de localidades distintas.

Segundo o site Portal do Agronegócio, as perdas na segunda safra de milho paranaense (2008) alcançam a 1,3 milhão de toneladas, cerca de 19,24% em relação à produção inicialmente esperada. As geadas foram de intensidade moderada a forte nas regiões oeste, centro e sudoeste do Estado, com perdas mais acentuadas nas seguintes regiões:

Campo Mourão (302,9 mil toneladas – 25,7%), Cascavel (398,6 mil toneladas – 39,8%), Francisco Beltrão (37,5 mil toneladas – 17,2%), Maringá (159,0 mil toneladas – 22,3%), Toledo (406 mil toneladas – 24,6%).

A GRANDE GEADA DE 1975 NO PARANÁ

No dia 18 de junho de 1975 o norte do estado do Paraná foi atingido por uma geada que dizimou por completo a produção de café. O episódio é conhecido até hoje como a “Grande Geada Negra do Paraná”. A colheita da safra já estava encerrada quando aconteceu o fenômeno, sendo de 10,2 milhões de sacas ou 48% da produção brasileira. No ano seguinte, a produção foi de 3,8 mil sacas, deixando o estado, antes líder mundial de produtividade, totalmente fora da produção nacional. Dados do INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) apontam que na mesma época, uma seqüência assustadora de geadas ocorreram em toda a Região Sul, além dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul e até no sul e oeste de Mato Grosso e sul de Rondônia.

A potente onda de ar frio de 1975 atravessou completamente a linha do Equador levando queda de temperatura em Estados como Amazonas e Roraima. No continente sul-americano, durante o inverno, a insurgência de ar polar em algumas situações adquire características peculiares com a formação de um centro de alta em níveis baixos e médios, denominado Poço dos Andes, que é o principal indicador da ocorrência de geadas.

CONCLUSÃO

Mesmo sendo um fenômeno que provoca danos econômicos por vezes irreparáveis, prejudicando diversas cadeias de produção, o combate às geadas e o melhoramento das ferramentas para a previsão mais acertada ainda são incipientes no país. Se uma parcela dos prejuízos previstos nas quebras fosse investida em mais estações meteorológicas, programas de incentivo ao plantio correto, financiamento para estufas e equipamentos de proteção com tecnologias diversas a agricultura não seria tão vulnerável ao fenômeno.

BIBLIOGRAFIA

ZULLO, Jurandir. Desastres Naturais e Agricultura. In: FÓRUM PERMANENTE DE ENERGIA & AMBIENTE, 2007.

MELO-ABREU, João Paulo De. Previsão da Ocorrência de Geada e de Geladura. In: JORNADAS TÉCNICAS “A IMPORTÂNCIA DA METEOROLOGIA NA AGRICULTURA”, 2008. Beja, Portugal.

BRADLEY, Lucy. FROST PROTECTION, University of Arizona, 1998.



Publicidade