Tag: Milho

3 de agosto de 2021

Huitlacoche é o fungo do milho que faz sucesso na cozinha mexicana


Huitlacoche

Huitlacoche

O huitlacoche é um fungo que nasce no milho em condições especiais de calor e umidade, tradicional na cozinha do México

O huitlacoche tem o apelido de “Caviar dos Astecas” e é consumido no México desde antes da chegada dos espanhóis no continente. Com as cores branca e cinza, depois de cozido fica escuro. Na língua nativa dos astecas, huitlacoche significa sujeira do corvo.

O nome científico do fungo parasita é Ustilago maydis, causador da conhecida doença carvão-do-milho. Segundo a Circular técnica 222, da Embrapa, os relatos sobre ocorrência de carvão em milho aumentaram nos últimos anos, principalmente na região Sul do País. Considerada no Brasil como doença de importância secundária, em razão da sua baixa incidência até hoje, o carvão é diferente de todas as demais doenças do milho, pois as espigas infectadas não produzem grãos e são perdidas, pelo menos aqui onde não são utilizadas como alimento, como acontece em outros países, como no México, onde é uma iguaria. No lugar dos grãos podem ser vistas as estruturas do fungo Ustilago maydis (DC.) Cda., que formam uma massa negra pulverulenta, por isso o nome carvão.

Quando a doença é oportunidade

Ainda hoje no México o fungo é muito consumido, sendo destaque na culinária nacional. Nos Estados Unidos também é chamado de “trufa mexicana” e até o site de culinária Food Republic já dedicou um artigo para o ingrediente.

 

Além de saboroso, o fungo é altamente nutritivo, contando com a presença de diversos aminoácidos como lisina e triptofano.

Veja também

Biotecnologia do século 21 Potencial alimentar e nutracêutico dos recursos indígenas 


23 de julho de 2020

Conheça a tradição da secagem de milho em paredões na França


secagem de milho

 

Espigas de milho são colocadas em gaiolas de tela que formam enormes paredões nos campos franceses, para a secagem da produção

Na França, alguns agricultores ainda adotam uma técnica bem antiga para a secagem de milho em espiga. O produto é colocado em gaiolas ou paredões de tela feitos com madeira e o arranjo chega a ter dezenas de metros de comprimento.

secagem de milho
Paredão de milho: Via Cartes France.
Foto: Henk Binnendijk.
secagem de milho
Foto: Henk Binnendijk.
Foto: Cartes France.

Tudo é instalado ali mesmo na lavoura. O efeito visual lembra uma enorme cerca dividindo os campos. Ao que parece, o roubo de milho não é um problema nestes locais.

Para quem está curioso, o volume médio de chuva anual na região das fotos (La Tour Saint Gelin) é de 696mm (em 112 dias).

É claro que em diversos países do mundo onde o milho é cultivado, alternativas de secagem em pequenas propriedades incluem a armazenagem ao ar livre em estruturas similares. Na França, pelo tamanho dos secadores e o aspecto visual nos campos, torna-se algo único.

Veja também

Os espigueiros (também conhecidos como canastro ou caniceiro) armazenam milho em Portugal e são uma obra de arte. Confira no Blogue do Minho.


8 de janeiro de 2020

Importações e exportações entre o Brasil e o Irã


Importações e Exportações

Com a escalada do conflito entre os Estados Unidos e o Irã, começam as especulações sobre como a situação poderá prejudicar o comércio com a região

O Brasil exportou US$ 2,1 bilhões no período de janeiro a novembro de 2018, conforme dados do Ministério da Economia, no site Comex Vis. O Irã é o vigésimo-terceiro colocado nas exportações brasileiras e responde por 1,03% de tudo o que é exportado no Brasil.

Os principais produtos exportados são Milho em Grãos (48%), Soja mesmo triturada (28%), Farelo e Resíduos da Extração de Óleo de Soja (13%) e Carne de Bovino Congelada, Fresca ou Refrigerada (11%).

Quase a totalidade das importações brasileiras do Irã é de “Uréia Mesmo em Solução Aquosa”, respondendo por 97% dos US$ 88,94 milhões importados no mesmo ano (0,054% das importações brasileiras). O Irã, em importação, é o septuagésimo país na lista.

Importações e exportações – o outro lado

OEC – Dados de 2017.

Segundo o site do OEC (Observatório de Complexidade Econômica), o Brasil responde por 5,1% das importações do Irã, atrás de China (37%), Coréia do Sul (8,1%), Alemanha (6,5%), Turquia (6,3%) e Índia (5,2%).

Exportação de gado vivo no Porto de Rio Grande para países do Oriente Médio e África.

É sabido que o Irã está em tratativas com o Brasil para a compra de gado vivo do Rio Grande do Sul, atividade consolidada no Estado. Com a evolução do conflito, novas negociações podem ser barradas por fatores políticos (posição do Brasil) ou simplesmente por logística, com impossibilidade do tráfego livre de navios no destino.

No geral, a parcela do comércio entre os dois países é pequena dentro do volume total das exportações brasileiras (US$ 148 bilhões em 2019). Pontualmente, impedimentos na comercialização com o Irã podem prejudicar pequenos e médios exportadores em áreas específicas, demandando esforços para aumentar a diversidade dos países destino.


5 de dezembro de 2018

Novo recorde mundial em colheira de milho nos EUA


Novo Recorde Mundial

Fazenda nos Estados Unidos, em parceria com a Claas, colheu 1111 toneladas de milho em 8 horas e 1620 toneladas em 12 horas. É um novo recorde mundial

 

A Fazenda Stewart, localizada na cidade de Yorkville, no estado americano de Illinois, bateu recordes (literalmente) na colheita de milho no dia 26 de setembro de 2018. Com uma colheitadeira Claas 760 Terra Trac e plataforma de 16 linhas, a colheita começou às 9 horas da manhã, no dia seguinte a uma chuva de 12mm, com a primeira retirada marcando cerca de 18% de umidade.

 

 

Foram realizadas pesagens após oito, dez e doze horas de colheita, resultando em 1111, 1379 e 1619 toneladas de milho, respectivamente. O valor obtido após dez horas também bateu o recorde da propriedade obtido em 2010 que foi de 1300 toneladas.

 

Durante a colheita e a medição do novo recorde mundial, foi retirada uma carga a cada 12 minutos, resultando em quase 135 toneladas por hora.

 

A propriedade usa uma carreta Kinze 1050 com um display remoto mostrando o peso da carga, provavelmente da empresa Scale Tec.

 

Vídeo da façanha, em inglês.

 

Via Site da Claas.

Leia sobre outros recordes agrícolas no Blog do Farmfor.

 

 


15 de novembro de 2018

Scutigerella immaculata, uma nova praga no Brasil?


Scutigerella immaculata

Postagem circula no WhatsApp com fotos e vídeo de praga que devasta lavouras em Paraíso do Tocantins, TO.

Uma postagem encaminhada em diversos grupos de agricultores do WhatsApp está causando apreensão em produtores de todo o país (pelo menos nos que possuem a ferramenta). Algumas fotos e um vídeo mostrando o ataque de uma pequena “centopeia” transparente que se move rapidamente no solo leva junto o nome do suspeito: seria o sínfilo (Symphyla), mais especificamente o Scutigerella immaculata. O nome vem no texto que acompanha a postagem, pois não existe nas fotos ou no áudio do vídeo qualquer informação sobre o ocorrido.

Vídeo que acompanha a postagem no WhatsApp

Scutigerella immaculata

O sínfilo não é um total desconhecido dos brasileiros e existem casos registrados na literatura em diversos países. Na França, foi forte motivo de preocupação em 2010, com ataques devastadores a lavouras de milho, especialmente após a proibição do uso de alguns produtos no tratamento de sementes (Imidacloprid e Fipronil), além do banimento dos organofosforados.

 

Ampliação de uma das imagens divulgadas no WhatsApp

 

A praga está muito presente em solos cultivados cuja textura permite o aparecimento de rachaduras, microcavidades e galerias de minhocas favoráveis ​​ao seu movimento. Assim, a Scutigerella immaculata faz migrações verticais entre a superfície e uma profundidade do solo que pode chegar até 1 metro. O miriápode se alimenta de algas, cogumelos, musgo e também de sementes e raízes, daí o resultado danoso em vastas áreas das lavouras atacadas.

Dica de leitura: BIOLOGIA E CONTROLE DE ARTRÓPODES DE IMPORTÂNCIA FITOSSANITÁRIA
(DIPLOPODA, SYMPHYLA, ISOPODA), POUCO CONHECIDOS NO BRASIL. – Divulgação Técnica do Centro de Ciências Agro-ambientais e de Alimentos, Universidade do Oeste de Santa Catarina, por F.R.M. Garcia e J.V. Campos.

Symphyla

Existem apenas 160 espécies de sínfílos descritas, habitando o solo ou o folhiço. Estes animais são artrópodes esbranquiçados e delgados, encontrados na maior parte do mundo (SCHELLER, 1982). O comprimento varia entre 2 a 10 mm e lembram centopéias superficialmente. Possuem 12 segmentos no tronco, onde encontram-se as pernas. O último (13º) segmento apresenta um par de fiandeiras ou cercos e um par de longos pêlos sensoriais, denominados tricobótrios. O tronco termina em um pequeno telson oval (BORROR & DELONG, 1969; BARNES, 1984).

Um epistômio e um labro bem desenvolvidos se projetam em frente das antenas localizadas lateralmente. Cada mandíbula possui um lobo gnatal denteado, independentemente móvel e encontram-se debaixo do epistômio e do labro (BARNES, 1984).

A maioria das espécies desses animais podem correr velozmente e podem girar, dobrar e enrolar o corpo quando rastejam em fendas dentro do húmus, devido a estrutura do tronco, especialmente a presença de placas tergais adicionais que aumentam a flexibilidade dorsoventral. Tal habilidade é provavelmente uma adaptação para escapar de predadores (BARNES, 1984; GARCIA, 2002).

O sistema respiratório é traqueal. Há um único par de espiráculos que se abre lateralmente à cabeça. Debaixo da base de cada perna encontra-se um saco coxal eversível e um pequeno apêndice denominado de estilo. A função dos sacos coxais é absorver umidade, e a função do estilo é provavelmente sensorial.

Os olhos são inexistentes nos sínfilos (BARNES, 1984). As aberturas genitais encontram-se dispostas lateralmente ao quarto segmento do tronco da região ventral, como ocorre nos diplópodes e paurópodes. O comportamento de Scutigerella (Scutigerellidae) é conhecido. O macho deposita de 150 a 450 espermatóforos, cada um na extremidade de um pedúnculo. Ao encontrar o espermatóforo a fêmea ingere-o armazenando-os em bolsas bucais. Depois ela remove os ovos, com a boca, do único gonóporo, fixaos ao substrato e então manipula-os com a boca. No último processo, a fêmea unta cada ovo com espermatozóides e o fecunda. Os ovos são postos em grupos de 8 a 12 e são fixados às paredes de fendas ou em musgos e liquens.

A partenogênese é comum. Não se conhece o papel dos órgãos tecedores na reprodução. O desenvolvimento é anamórfico; ao eclodir o jovem tem seis ou sete pernas. S. immaculata Newport, 1845 vive até 4 anos e sofre ecdises durante toda a vida (BARNES, 1984). No Brasil LOUREIRO & GALVÃO (1970) observaram pela primeira vez os sínfilos Hanseniella sp. (Scutigerellidae ) como pragas de culturas, atacando coleóptilos e radículas de arroz em Minas Gerais.

 

Fica sempre a dica: em caso de incidência destas pragas, consulte seu agrônomo de confiança, diretamente ou através da sua cooperativa ou associação.

Se você é o autor das imagens e vídeo que estão circulando no WhatsApp ou sabe da incidência da Scutigerella immaculata na sua região, entre em contato pelo e-mail blogdofarmfor@gmail.com que divulgaremos a sua história.

 

Veja também (em inglês)

Garden Symphylan as a Pest of Field Crops .

A Chaos of Delight.

 


19 de julho de 2017

Kemper e a plataforma de 20 linhas para ensiladeiras


A Kemper desenvolveu o conceito em 2013 e promete colocar no mercado até 2020 esta plataforma de 15 metros.

 

A alemã Kemper tem mais de 100 anos de história e é especialista em ensiladeiras. Fabricam também plataformas de corte e hoje em dia seu maior modelo tem 7,5 metros de largura. Mas eles prometem o dobro.

 

 

A empresa quer colocar no mercado, até 2020, uma plataforma para cortar 20 linhas de milho. A promessa foi feita através de um vídeo:

 

 

Estamos no aguardo!

Veja também: As Maiores Ensiladeiras do Mundo.


11 de maio de 2017

Um velho John Deere 620 com colhedor de milho em espiga


John Deere 620

A máquina era um sonho de consumo em 1958.

O John Deere 620 foi produzido entre 1956 e 1958. Era vendido ao preço de US$3000,00 e tinha um motor de 44 hp. O acessório colhedor para duas linhas era vendido por muitos fabricantes na época, com um desenho muito similar.

 

 

Hoje é possível encontrar o acessório para restauro por menos de US$ 200,00 em ferro-velhos americanos.

 

 

 


24 de abril de 2017

Recorde em plantio de milho: 502 hectares em 24 horas


Plantio de Milho

Trator Case IH Magnum 380 CVX e plantadeira sueca bateram o recorde de plantio de milho na Hungria.

A marca de 502,05 hectares de milho plantados em 24 horas foi registrada em uma propriedade na Hungria, em um experimento que envolveu a CASE IH e a fabricante de plantadeiras sueca Vaderstad. Tudo foi acompanhado de perto pela Universidade de Gödöllő.

Imagens do experimento com plantio de milho

O espaçamento entre as 16 linhas foi de 30 polegadas (76.2cm), com uma média de 24 km/h de velocidade. Juntamente com o plantio, foi aplicado fertilizante e inseticida.

Via Case IH.

Mais sobre Milho no Blog do Farmfor.


24 de outubro de 2016

Como Regular Plantadeiras


Como regular

A Embrapa Milho e Sorgo desenvolveu uma série de vídeos que ensinam, de forma simples, como regular plantadeiras. Assista!

Estes vídeos foram publicados pela EMBRAPA no ano de 2011. Explicam, de forma didática, como se faz a regulagem das plantadeiras, iniciando a conversa com os discos e anéis e acabando lá na lavoura.

Na descrição: O técnico agrícola da Embrapa Milho e Sorgo João Batista Guimarães Sobrinho, da área de Transferência de Tecnologia, explica como deve ser feita a regulagem das plantadeiras, com o intuito de aumentar a produtividade do milho. Veja que a cada safra é necessário fazer uma nova regulagem, já que diferentes sementes estarão disponíveis no mercado.

Site da Embrapa Milho e Sorgo.


4 de abril de 2011

Conheça o sistema Push Pull (Empurra Puxa) para plantio agroecológico do milho, em uso na África


Push Pull

Cientistas afirmam que a revolução verde africana só pode ocorrer através das técnicas “biológicas, como mostra um projeto no Quênia apoiado pela fundação suíça Biovision.

O dia está nascendo no lago Vitória. Algumas pirogas coloridas retornam ao pequeno porto de Kisumu, no sudoeste do Quênia. A pesca, mais uma vez, teve resultados bem magros.

“Dez anos atrás pescávamos até 200 quilos de peixe por noite. Mas hoje em dia já é bastante se capturamos 20 quilos”, lamenta Kennedy Omondi, pescador da região, ao lado das caixas, onde algumas poucas tilápias e outros peixes-gatos se debatem dando seus últimos suspiros.

O fato é que em abril, a estação das chuvas, o lago costuma ser menos abundante em peixes. Mas fatores pouco naturais tornam essa diminuição da fauna mais inquietante: a poluição da cidade tão próxima, o excesso das atividades pesqueiras pela pequena comunidade local, a concorrência com as aves devido ao desequilíbrio do ecossistema e… a rivalidade com outro predador, mais inesperado: a perca do Nilo.

Uma ameaça

Esse peixe, introduzido artificialmente no lago nos anos de 1960 e destinado quase que exclusivamente à exportação, pode atingir dimensões impressionantes e pesar até 250 quilos. Como ele se alimenta de peixes menores, muitas espécies desapareceram completamente, um fator que ameaça a sobrevivência da população e a biodiversidade do segundo maior lago do mundo.

“A perca do Nilo é comprada e exportada por uma companhia indiana”, explica Kennedy. “Os indianos nos exploram e subremuneram os pescadores empregados por eles. Então nos organizamos em uma cooperativa para lhes vender, a um preço melhor, as percas com mais de um quilo. As menores e outras espécies de peixes são destinadas ao consumo local. Mas a pesca não é mais capaz de nos alimentar e somos obrigados a procurar outras fontes de renda.”

Entre elas, a agricultura ocupa uma posição crescente, apesar de ainda ser marginal. Embora a agricultura convencional ainda seja responsável pela parte do “leão”, a orgânica está em plena expansão “e cada vez mais camponeses adotam a técnica ‘push-pull”, anima-se Francis O Nyange, um agrônomo do Centro Internacional de Pesquisa em Fisiologia e Ecologia de Insetos (ICIPE, na sigla em francês) em Mbita, alguns quilômetros distante.

A avó de Obama

Embora o documentário O pesadelo de Darwin tenha alertado o mundo sobre os riscos trazidos pela perca do Nilo ao lago Vitória, o potencial revolucionário da técnica “push-pull” permanece em grande parte desconhecida fora do Quênia e da África ocidental.

Portanto, para os cientistas africanos que a desenvolveram e a fundação suíça Biovision, que apóia o projeto, essa técnica agrícola de “repelir e atrair” pode resolver os problemas alimentares de todo o continente. “Esse método é praticado até mesmo pela avó de Barack Obama, que vive em Kogelo, um vilarejo não muito distante daqui”, assegura O Nyange.

Seu inventor se chama Zeyaur Khan, um cientista indiano que se ocupa há 17 anos desse verdadeiro quebra-cabeça: como a África poderá se alimentar até 2050? Ao passar de um a dois bilhões de habitantes, o continente precisará triplicar sua produção agrícola. Porém, o aquecimento global reduz as superfícies cultiváveis e os produtos químicos – adubos, fertilizantes e pesticidas – esgotam os solos já pouco férteis.

Isso sem contar o fato de que os camponeses, dos quais 99% no Quênia possuem minúsculas parcelas de terra, de no máximo dois hectares, não têm recursos suficientes para comprar esses produtos químicos. Também os governos não lhes podem dar subvenções.

Triplicar a produção

“Mas encontrei a solução para triplicar a produção agrícola sem pesticidas ou organismos geneticamente modificados”, assegura o professor, durante uma visita ao ICIPE, organizada pela rede Media 21. Sua resposta: “push-pull”.

O método é tão simples que até parece infantil. Na época era necessário pensar nela e, sobretudo, encontrar as duas plantas “milagrosas” capazes de combater os parasitas e as ervas daninhas. Pois os insetos furadores de caule e a striga – mais conhecida como erva das bruxas – são os dois principais problemas do milho e do trigo na África, causando uma perda de receitas da ordem de 1,2 bilhão de dólares por ano só para o milho. No Quênia, ele constitui a base da alimentação e serve para preparar o ugali, uma espécie de pasta branca que acompanha todos os pratos.

Agnès Mbuvi pratica a técnica do “push-pull” desde 2002. Essa viúva de 45 anos possui um pequeno campo no qual ela afirma produzir 540 quilos de milho – contra 45 antes do “push-pull” – e isso duas vezes por ano. Desde então, sua vida mudou: ela chega mesmo a vender o excedente e pode inscrever dois dos seus três filhos na universidade.

A Técnica

Efeito combinado – é através do carrapicho-beiço-de-boi (Desmodium), uma planta originária da América do Sul, e o capim dos elefantes (uma espécie de gramínea), que os parasitas e as ervas daninhas são neutralizadas. Isso graças a um efeito combinado de atração-repulsão, chamado precisamente de “push-pull”.

Alternar – para isso é necessário alternar uma fileira de milho com uma de desmodium e cercar os campos com erva de elefante. O desmodium controla a erva das bruxas e repele (“push”) os insetos perfuradores para fora do campo de plantação, onde eles são atraídos (“pull”) pelo perfume das folhas pegajosas do capim de elefante. Eles morrem instantaneamente.

 

Produção – segundo o professor Khan, para que os camponeses não abandonem suas terras, é necessário que a agricultura gere para eles pelo menos 2 dólares ao dia. O sistema do “push-pull”, adotado por 20 mil camponeses no oeste do Quênia, lhes permite ganhar entre 3,2 a 4 dólares. E a aplicação dessa técnica pode aumentar a produção do milho, sorgo e milho-miúdo – os três principais gêneros alimentícios do continente – de 1 a 3,5 toneladas por hectare.

Biovision – A fundação suíça Biovision foi criada pelo agrônomo suíço Hans Rudolf Herren, detentor do prêmio mundial da alimentação em 1995 e copresidente do IAASTD, um relatório redigido por 400 cientistas em 2008 e que defende uma nova revolução verde, baseada na agricultura orgânica e de baixa escala.

Isolda Agazzi, swissinfo.ch
(Adaptação: Alexander Thoele)

 

 



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