Tag: Agrotóxicos

29 de dezembro de 2020

Mancozebe é cancelado em Portugal, seguindo regulamentação da UE


Mancozebe




Mancozebe

Para desespero de diversos agricultores em Portugal – especialmente para os produtores de batata – o mancozebe será banido do país e sua venda será proibida à partir do dia 4 de janeiro, seguindo regulamentação da União Européia. A aplicação poderá ser feita até janeiro de 2022.

O Ofício Circular 25/2020 da DGAV do dia 21 de dezembro foi publicado com a seguinte informação:

Assunto: Publicação do Regulamento de execução (UE) 2020/2087 da Comissão de 14 de dezembro de 2020 relativo à não renovação da aprovação da substância ativa mancozebe, em conformidade com o regulamento (CE) 1107/2009 do Parlamento Europeu e do Conselho relativo a colocação dos produtos fitofarmacêuticos no mercado, e que altera o anexo do Regulamento de Execução (UE) 540/2011 da Comissão.

A DGAV informa que foi publicado o Regulamento (UE) 2020/2087 da Comissão de 14 de Dezembro de 2020 relativo à não renovação da aprovação da substância ativa mancozebe.

Na base da decisão comunitária foram identificados vários motivos de preocupação específicos. Em particular, o mancozebe encontra-se com uma classificação harmonizada como tóxico para a reprodução da categoria 1B e não foi possível determinar se o mancozebe preenche os novos critérios para identificação das propriedades desreguladoras do sistema endócrino no que se refere aos seres humanos e, muito provavelmente, aos organismos não visados. Além disso, as estimativas de exposição dos operadores, trabalhadores e pessoas estranhas aos tratamentos excedem os valores de referência para as utilizações representativas avaliadas não podendo ser excluída a exposição ao mancozebe no decurso da aplicação de produtos fitofarmacêuticos contendo a substância ativa.

O Regulamento agora publicado entra em vigor no dia 04 de janeiro de 2021, sendo que o DGAV irá proceder ao cancelamento das autorizações de venda de produtos fitofarmacêuticos contendo mancozebe, não podendo os mesmos serem usados após 04 de janeiro de 2022.

Lisboa, 21 de dezembro de 2020.

Assina o Ofício a Subdiretora Geral Ana Paula de Almeida Cruz de Carvalho.

Medida gera protestos

porbatata

Na página do Facebook da Porbatata, a Associação da Batata de Portugal, alguns produtores reagiram contra o ofício, colocando em dúvida se o produto será proibido também nos países que exportam para Portugal, como o Marrocos e outros fora da União Européia. Em grupos diversos que unem agricultores, o relato é de tristeza, ameaças de fim da agricultura e igualmente preocupação com a entrada de produtos concorrentes sem as mesmas exigências sanitárias. Um membro do grupo “Agricultura em Portugal” resume a situação: Como dizia o meu avô, não morres da doença, mas vais morrer da cura.

Sobre o Mancozebe (via Adama).

O mancozebe pertence ao grupo dos ditiocarbamatos e, mais especificamente, à classe dos compostos conhecidos como etilenobisditiocarbamatos.

O Mancozebe, complexo com sal de zinco, é um fungicida de atividade multissítio que impacta em muitos sítios vitais do metabolismo celular dos fungos, nele estão contidos 20% de manganês e 2,55% de Zinco.

Cada partícula do Mancozebe é composta por uma camada externa rica em zinco, envolvendo um núcleo central de EBDC polimericamente estruturado. Essa é uma estrutura extremamente estável e a baixa solubilidade da camada externa de zinco significa que o EBDC pode passar através dessa camada e ser depositada na superfície foliar em uma taxa controlada.

Esse período de proteção das folhas passa por uma liberação controlada que auxilia na regulação da duração na eficiência do fungicida e aumenta o período de proteção. Logicamente, para resultar em melhor controle, uma camada contínua, ou barreira de mancozebe, deve estar presente na superfície foliar.

Tenacidade, é a capacidade de um fungicida (i.a) permanecer aderido à superfície da planta. Pode ser definida como a capacidade do fungicida a resistir a fotólise, hidrólise, remoção ou lixívia pela chuva, sublimação e volatização.

Além de ser fungicida, matador de fungos, alguns compostos podem apresentar alguns efeitos na fisiologia das plantas, outros ainda mostram um efeito nutricional adicional ou estimulante, e ainda de redução do crescimento da planta tratada.

No entanto, o mancozebe também apresenta esse efeito benéfico ao fornecer às plantas os micronutrientes Mn e Zn, desses apenas o Mn é aplicado em quantidade suficiente para satisfazer à demanda das plantas evidenciando no maior crescimento vegetativo.

Trabalho feito na Embrapa Trigo (Reis e Floss, 1980), demonstrou que o manebe e o mancozebe, pulverizados na folhagem, fornecem elementos minerais que promovem um maior desenvolvimento das plântulas de trigo.

Em relação à toxicologia, o mancozebe tem sido alvo de inúmeras pesquisas exaustivas envolvendo sua toxicologia desde 1970, em extensivas revisões regulatórias em muitos países, e em vários locais concluiu-se que, quando aplicado de acordo com as recomendações da bula, é aceitável para o uso na agricultura moderna.

Os dados completos podem ser acessados no site da Adama Brasil.

Veja também

Resolução do Parlamento Europeu, de 18 de dezembro de 2019, sobre o projeto de regulamento de execução da Comissão que altera o Regulamento de Execução (UE) n.º 540/2011 no que se refere à prorrogação dos períodos de aprovação das substâncias ativas benfluralina, dimoxistrobina, fluaziname, flutolanil, mancozebe, mecoprope-P, metirame, oxamil e piraclostrobina (D064213/02 – 2019/2925(RSP)).

 


6 de outubro de 2019

Capitão Talkei é mais um ataque da Rede Globo ao Agro


Capitão Talkei

Setor é associado a agrotóxicos e desmatamento em desenho animado do humorístico Zorra, que satiriza o presidente Jair Bolsonaro

O programa “Zorra” – anteriormente conhecido como “Zorra Total” realizou mais um ataque contra a imagem do agronegócio neste sábado, 5 de outubro.

Da esquerda para a direita: Capitão Talquei é chamado pela união dos poderes do desmatamento, intolerância, golden shower, agrotóxicos e armamentos.

Um desenho animado que faz uma paródia do infantil “Capitão Planeta”, sucesso nos ano 90, mostra um Bolsonaro na figura do “herói” Capitão Talkei, com uma laranja no peito e sendo acionado pelos poderes armamentos, agrotóxicos, desmatamento, intolerância e golden shower (com um personagem que lembra o Deputado Federal do DEM-SP, Kim Kataguiri).

A cada interação, o Capitão Talkei dá um conselho para melhorar o desempenho de alguém. Para quem derruba uma árvore com um machado, ele oferece uma “serra elétrica” para fazer o serviço mais rápido.

Para uma família sendo assaltada, várias armas são oferecidas e “que se virem”.

O vídeo pode ser visto neste endereço, diretamente no site da Rede Globo.

O episódio é mais um dos frequentes ataques da emissora ao Agro, setor que responde por grande parte do faturamento da empresa como já destacamos aqui no blog.

No início de agosto de 2019, uma paródia do Sítio do Picapau Amarelo também colocou o agronegócio como vilão do meio ambiente. Relembre aqui.

A emissora não esconde sua agenda, espalhada pelo jornalismo, novelas e programas de humor, atrações quase sempre recheadas com blocos comerciais que vendem produtos alimentícios, camionetes para “o homem do campo” e volta e meia um quadro chamado “Agro é POP”, com louvores ao setor. Uma hipocrisia sem limites.

Tá na hora de acordar.


5 de agosto de 2019

Agro é pop no intervalo comercial e vilão na programação da Globo


agro é pop

Humorístico da Rede Globo ataca a agricultura com paródia imbecil de Sítio do Picapau Amarelo. O setor deve reagir.

Abrindo com “Borrifada na goiaba, pra agradar a tal bancada. Tem veneno na panela!“, uma paródia do tema de abertura do infantil Sítio do Picapau Amarelo, foi exibida no programa Zorra (total) de 3 de agosto. A “obra” leva o nome de “Sítio do Picapau Sequelado”.

A confusão mental na Rede Globo é grande. Durante toda a programação, nos intervalos comerciais, bombardeia a audiência com pequenos comerciais da campanha “Agro é Pop”, destacando diversas áreas do agronegócio brasileiro. Além desta série, apresenta também pequenas inserções do Globo Rural dando aquelas famosas dicas sobre como proceder em caso de problemas com a atividade rural, seja animal ou vegetal.

O político ruralista envenena a árvore na paródia da Rede Globo.

Por outro lado, seus artistas e ativistas possuem total liberdade para escrever, produzir e exibir peças políticas protegidas pelo manto da arte e paródia, reforçando mentiras sobre o setor que sustenta este país (parece chato repetir o tempo todo este dado, mas é fato).

Veja também: No dia do pecuarista, RBS faz reportagem contra o consumo de carne.

O setor já começa a reagir

A AMAP (Associação dos Produtores de Maçã e Pêra de Santa Catarina) emitiu uma nota de repúdio em suas redes sociais, com o seguinte conteúdo:

Em nome dos produtores de Maçã Brasileira á AMAP– Associação dos Produtores de Maçã e Pêra de Santa Catarina* e demais produtores rurais brasileiros, repudiamos a exibição do episódio veículado na Central Globo de Produção no dia 03/08/2019 através do programa “humorístico” Zorra que através do episódio “Sítio do Pica-Pau com Sequela” sátira ao uso de defensivos agrícolas, como se o que foi veiculado possa ser classificado como “Humor , Sátira, Sarcasmo” e sim um ato de terrorismo contra o produtor rural, sem embasamento teórico e científicos generalizando com extremismo uma minúscula parte de produtores que não possuem embasamento, assim como a liberação de novos defensivos, apenas criticam mas não vêem que a maior porcentagem são produtos biológicos! Repudiamos qualquer ofensa ao produtor rural feitas sem qualquer embasamento científico! LEMBRE-SE MAÇÃ, LEITE NÃO BROTAM NA GÔNDOLAS DE SUPERMERCADO, ARROZ, FEIJÃO, CARNE, NÃO É PRODUZIDO ATRAVÉS DE MÁGICA NO SUPERMERCADO! RESPEITEM A AGRICULTURA, RESPEITEM O PRODUTOR RURAL!

Mais empresas, cooperativas e produtores precisam reagir. A melhor medida, neste caso, é retirar qualquer investimento em mídia de qualquer veículo ligado direta ou indiretamente à Rede Globo, em todo o território nacional, até que volte o respeito. Até lá, parece que a campanha “Agro é Pop” não passa de um esquema que serve apenas para captar anunciantes no setor do agro.

Esta ZORRA precisa acabar.


13 de abril de 2019

Glifosato é banido no Vietnã


Glifosato no Vietnã

Decisão partiu do Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural do país asiático

O governo vietnamita baniu a importação e o uso de glifosato no país, através de decreto no último dia 10 de abril, “baseado em leis vietnamitas, regulações internacionais e pela situação sócio-econômica”, segundo o departamento de proteção vegetal do Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural.

O glifosato estava em uso desde 1994, como ingrediente de 104 produtos registrados no país. A preparação para o banimento vem desde 2016, quando pesquisadores começaram a coletar dados sobre o produto.

A Bayer se defende e diz que o produto é seguro e usado em diversos países, que o banimento é inspirado por litigâncias ocorridas nos Estados Unidos e lembra que outro país que tomou a mesma medida em 2015, o Sri Lanka, precisou reconsiderar após sofrer com prejuízos na produção de chá e nos seringais, voltando a usar glifosato em 2018.

Saiba mais (em inglês) no site Viet Nam News.


14 de fevereiro de 2019

Polêmica em Uruguaiana, RS: panfleto contra agrotóxicos com a marca da prefeitura circula no WhatsApp


Uruguaiana

Panfleto apareceu em grupos do WhatsApp com declarações contra o uso de agrotóxicos e suposta assinatura da Secretaria de Saúde do município

Uruguaiana, no extremo oeste do RS, é uma cidade com forte economia baseada no agronegócio. O prefeito, Ronnie Peterson Colpo Mello, é do PP, um partido conhecido no estado como defensor do produtor rural.

Começou a circular nesta quinta, 14 de fevereiro, um panfleto preto de título “Agrotóxico Mata – Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida”, bem conhecido e disponível na internet em uma grande quantidade de canais que fazem este tipo de protesto, sempre com aquelas estatísticas “mágicas”, como a famosíssima “Cada brasileiro consome 5,2 litros de venenos por ano”. Mas este não é o problema.

Frente do panfleto

No rodapé do verso do panfleto, aparece uma etiqueta ou impressão da marca da Prefeitura de Uruguaiana e da Secretaria Municipal de Saúde, programa Saúde e Família. Segundo pessoas da região que entraram em contato com o Blog do Farmfor, representantes da prefeitura afirmam não saber a origem do panfleto e que estão apurando responsabilidades.

Verso, com a marca da prefeitura.

Não há como saber ao certo a origem do panfleto e se é autêntico, ou uma pegadinha de alguém que quer negativar ideologicamente a administração do prefeito, colando uma etiqueta da Secretaria de Saúde em um panfleto existente, largando em grupos do WhatsApp só para “causar”. Nós entramos em contato com a prefeitura por e-mail, mas ainda não recebemos a resposta.

Na dúvida, é melhor aguardar a posição oficial dos envolvidos e punição dos culpados em caso de falsidade na comunicação.


22 de dezembro de 2017

Chem-Blade Caddy – dosador de precisão para defensivos


Chem-Blade

Chem-Blade, um equipamento que mede volumes com precisão e aumenta a segurança para o operador

 

 

A empresa americana Eck Fabrication LLC desenvolveu um interessante sistema para dosagem de agroquímicos. Um tubo com adaptadores para os galões de produtos que recebe o líquido, fecha a conexão e já faz a lavagem. Vejam no vídeo:

 

 

Além deste dosador, a Eck tem outros produtos é especializada em acessórios para pulverização. O preço não foi informado pelo fabricante.


31 de outubro de 2017

Operação do IBAMA mira em arrozeiros do Rio Grande do Sul e provoca incertezas em toda a cadeia produtiva


Operação do Ibama

Pente fino nas propriedades e multas até por “mancha de óleo” estão entre os relatos dos agricultores e prestadores de serviço nas redes sociais.

O final de outubro foi de desespero para alguns produtores de arroz das regiões de Uruguaiana, Itaqui e São Borja, na fronteira oeste do Rio Grande do Sul. A “Operação Demeter” do IBAMA fiscalizou propriedades e empresas prestadoras de serviço de aviação agrícola.

Os resultados dos primeiros dias da operação foram divulgados pelo site do próprio IBAMA no dia 26 e na mídia tradicional no dia 28, através de reportagem da RBS/Globo/G1. Antes, dezenas de relatos dos atingidos foram espalhados pelas redes sociais e pelo WhatsApp. Na divulgação do IBAMA, a apreensão de 5 aeronaves agrícolas, 16 toneladas de sementes de arroz e mais a emissão de 1,5 milhão de reais em multas.

Depoimentos em áudio falando de truculência por parte de agentes, multas por falta de destinação correta para o lixo doméstico, manchas de óleo no chão do galpão ou por um latão cortado guardando parafusos usados estão entre os exemplos. Algumas mensagens continham os tickets das multas emitidas pelo IBAMA, uma delas no valor de R$ 671.000,00 para uma empresa de aviação agrícola.

A Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul e a ANAC também participaram da operação, que contou com apoio do Fórum Gaúcho de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos. A lista de entidades participantes deste Fórum está no site do Ministério Público, NESTE LINK.

Em que pese o fato das irregularidades inegáveis encontradas pelos agentes do governo, há motivo para os produtores ficarem com o pé atrás quanto aos métodos empregados. É preciso observar se estas ações estão dentro da legalidade e se não há interesses ideológicos ou até mesmo corporativos, especialmente na arrecadação de multas.

Desdobramentos

Na tarde de segunda, dia 30, uma reunião foi organizada em Porto Alegre pelo Deputado Federal Luis Carlos Heinze, com diversos órgãos envolvidos na operação, juntamente com produtores, prefeitos e vereadores. O encontro destacou a boa conduta da Secretaria de Agricultura do RS e que a reclamação maior está na forma de abordagem do IBAMA e da ANAC.

 

Neste momento, recomendamos calma, união e o desenvolvimento de estratégias para a resolução desta crise. Que os produtores fiscalizados gerem o máximo de informação (gravações de vídeo, imagens e testemunhos) e atuem em conjunto. A época é delicada, tem gente dentro e fora das granjas sem poder trabalhar e gerar o sustento para as famílias, faltando dois meses para o final do ano. Pressionem seus políticos regionais e busquem auxílio jurídico.


10 de outubro de 2017

50 mortos e 800 hospitalizados na Índia após intoxicação com defensivos


Diversos fatores combinados causaram a morte de dezenas de agricultores, no centro da Índia

 

A Índia, pais devastado pela alta taxa de suicídio de agricultores por ingestão voluntária de pesticidas, tem mais uma tragédia.

De julho até agora, a Índia contabilizou mais de 50 mortes e 800 internações de vítimas de envenenamento por agrotóxicos, através de diversas marcas vendidas no mercado local, em uma combinação principalmente de organoclorados e organofosforados.

 

Os intoxicados que sobreviveram reportaram quase que uma instantânea perda parcial ou total da visão, náuseas e vômitos. Para aumentar o cenário infernal nos hospitais indianos, os pacientes são tratados imediatamente com uma droga que provoca alucinações (atropina), tornando obrigatório que as vítimas sejam amarradas aos leitos.

Na Índia, as coisas são um pouco diferentes. Primeiro, EPI é uma raridade. A relação de muitos trabalhadores rurais com agrotóxicos sempre foi descuidada na maioria, mas agora uma combinação de fatores provocou esta onda de mortes e internações.

Primeiro, houve o abandono de culturas tradicionais na região, como leguminosas, para o plantio de algodão de forma ainda mais densa que o normal, com espaçamento reduzido. A combinação de altas temperaturas e tempo seco, lavouras mais fechadas e uma infestação de lagartas, intensificou o contato dos trabalhadores com os produtos.

Segundo, a resistência de uma das cultivares de algodão mais usadas no país (Bollgard II Bt hybrid ) a certos tipos de lagartas, simplesmente sumiu. Todos estes fatores resultaram em trabalhadores literalmente inundados em veneno na lida com a lavoura.

Existe ainda a suspeita de adulteração dos produtos, todos investigados pelas autoridades.

Para saber mais:

Reportagem no jornal The Guardian.

Reportagem no The Indian Express.


22 de setembro de 2017

Paraquat: em 2015, consulta pública da ANVISA revelou que 90% dos participantes eram contrários à proibição


Aumento dos custos de produção, baixa produtividade e até abandono do plantio direto estão entre as justificativas recebidas para ser contra a reavaliação do Paraquat.

 

Dentro do processo de reavaliação da toxidade do Paraquat, foi realizada uma consulta pública no site da ANVISA.

A Consulta Pública nº 94, de 8 de outubro de 2015, contou com a participação de 2879 pessoas que responderam algumas perguntas, considerando o processo, em resumo, da proibição de uso no Brasil do herbicida.

A avassaladora maioria (90,97%) dos participantes declarou discordar integralmente da proposta, com um número similar alegando que isso traria um impacto negativo alto sobre suas rotinas e atividades. Estas pessoas foram ouvidas durante 30 dias e deixaram um recado claro para o órgão.

As principais alegações dos contrários

Destacam-se no relatório da Consulta Pública as seguintes declarações:

“Sua ausência incorrerá em aumento no custo de produção”.

“Perda de produtividade nas lavouras, uso excessivo de glifosato e contrabando de produtos do Paraguai”.

“Aumento do uso de outros produtos que possam fazer mal ao meio ambiente”.

“Perda da possibilidadede fazermos duas safras na mesma área”.

“Redução na produção de alimentos; aumento da mato competição com as culturas”.

“Perda de opções de controle de ervas daninhas principalmente nas culturas do milho e banana”.

“Aumento da quantidade de produtos químicos necessários ao bom andamento das lavouras, trazendo maior impacto ambiental”.

“maior dificuldade de controle tanto na safra verão como na segunda safra”.

“Necessidade de recomendação de práticas agrícolas com maior consumo de combustível e aumento de emissão de carbono”.

“Como fabricante de EPI mostramos que esta roupa deve ser usada para prevenir as intoxicações. Com a retirada deste produto, poderá ser posto em dúvida a eficácia deste tipo de vestimenta para as demais moléculas, perdendo assim a credibilidade para o uso dos EPI com os outros produtos”.

“Se tornará muito difícil a colheita da soja em função da maturação desuniforme da cultura, pelo qual acarretará grandes prejuízos por perdas na colheita. Prejudicando também o plantio da safrinha de milho. Se for extinto o Paraquate teremos que usar produtos sistêmicos para a dessecação, os quais são mais tóxicos e prejudiciais à saúde do que o produto em discussão”.

“A retirada do ativo irá ocasionar grande impacto no manejo de plantas daninhas na citricultura, pois sabidamente possuímos plantas daninhas resistentes ao glifosato, principal ingrediente ativo utilizado, na qual o Paraquate atende perfeitamente a rotação de ativos, controlando essas plantas resistentes”.

“Afeta drasticamente o sistema de plantio direto para grandes culturas agrícolas de importância econômica”.

“Não existe no mercado herbicidas alternativos com as mesmas características. Risco de condenar o Sistema de Plantio Direto (SPD), prática que reduz a emissão de carbono na agricultura”.

“Os cooperados de nossa cooperativa (mais de 8.000) terão impacto significativo nos custos de produção e muitos terão que abandonar o sistema de plantio direto, voltando a arar e gradear os solos, para conseguir controlar diversas plantas infestantes”.

“As indústrias do setor serão diretamente atingidas com o resultado deste processo de reavaliação” “Dificuldade no manejo de plantas resistentes. Dificuldade de manejo de tigueras no vazio sanitário de culturas como soja e algodão”.

“Diminuição da produtividade do café devido à competição por nutrientes pelas plantas daninhas de difícil controle”.

“Caso ocorra o fato de perdermos esta molécula, o país retrocederá no manejo fitossanitário das lavouras de cereais, um dos carro chefe na balança comercial”.

Alegações dos favoráveis

Principalmente entre os profissionais de saúde, as alegações giram em torno das intoxicações. É sabido que no mundo inteiro o Paraquat é usado em suicídios e não existe antídoto para este tipo de intoxicação (vale lembrar que outros compostos e práticas são adotadas nos suicídios). Em destaquem uma das participações:

“A potencialidade do risco de morte frente à exposição ao paraquate impõe ao Estado Brasileiro um dever reforçado de cautela, de maneira que a proibição do produto é a maneira mais eficaz de proteger a vida. Mesmo com todos os esforços de padronização de um protocolo de atendimento aos intoxicados por paraquate, não existe antídoto ou tratamento eficaz para a intoxicação por paraquate e, de acordo com a Lei no 7.802, de 11 de julho de 1989, é proibido o uso de agrotóxicos, seus componentes e afins para os quais não haja antídoto ou tratamento eficaz no Brasil. Frente à alta letalidade do paraquate registradas no Centro de Informações Toxicológicas de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e de todo Brasil, e frente à total inexistência de tratamento efetivo dos casos de intoxicação, considera-se dever da Saúde Pública proibir a comercialização do paraquate no Brasil. A Lei no 7.802/89, ao instituir o sistema de registro de agrotóxico, estabeleceu proibição expressa para autorização de produto “para os quais não haja antídoto ou tratamento eficaz no Brasil”.

Vem muito mais pela frente

A agenda de revisões dos defensivos agrícolas tem muitos outros produtos e a pressão internacional para a proibição é grande, seja para o Paraquat, Glifosato ou outros. É preciso ficar atento e observar os atores e os grupos de interesse por trás de cada proibição, os países que fabricam os defensivos e os que estão banindo.

Saiba mais através dos seguintes links:

Relatório de Análise da Participação Social (pdf).

 

Relatório do Voto – Reavaliação do Paraquat (pdf).

Proposta de Biblioteca de temas de Agrotóxicos (pdf).


2 de janeiro de 2017

Carnaval 2017 – Escola de Samba do Rio Terá ala Contra “Agricultores e seus Venenos”


Carnaval 2017

O tema principal da escola de samba no Carnaval 2017 no Rio será o Xingu, onde o homem branco “caraíba” é retratado como ambicioso e raiz de todo mal

Exceto pela menção honrosa aos irmãos Villas-Boas, não sobra muito carinho para o homem branco no samba-enredo da escola de samba carioca Imperatriz Leopoldinense. Usando a história dos índios do Xingu como fundo, a escola levará para a avenida uma ala inteira de pessoas fantasiadas de agricultores e seus venenos.

No mercado de fantasias, cada uma pode custar cerca de R$2000,00. Não sabemos se existe restrição para a compra destas fantasias para não-índios, ou pessoas que vivam, direta ou indiretamente, do agronegócio, aquele setor que teima em significar uma enorme parcela de tudo o que é produzido no país.

O agronegócio brasileiro já colocou dinheiro no carnaval carioca. Em 2011, com o apoio da CNA, a Escola Mocidade Independente de Padre Miguel retratou positivamente o setor com o samba “Parábola dos Divinos Semeadores”. Até biodiesel usaram nos carros alegóricos.

No geral, a história toda mistura retórica de índios inocentes, puros e “invadidos” pelo homem branco sem escrúpulos. Na “sinopse” do desfile, disponível neste site, podemos observar este parágrafo, sustentando o enredo:

Se perderam o seu Paraíso, os caraíbas partiram para conquistar o nosso, pequeno guerreiro – talvez, por vingança de Anhangá, o feiticeiro. Impulsionadas pelos ventos da cobiça, as naus aportaram em nossas praias, trazendo ensinamentos que os invasores nunca ousaram praticar. Nada mais seria como antes. Em vez de nos tratar como semelhantes, nos chamaram de selvagens e tentaram nos escravizar. Vinham do Velho Mundo e representavam a civilização. Chegaram arrogantes, se apoderando de nossas terras e riquezas. Levaram ouro, prata e diamantes, e uma madeira que tingia com sangue, lembranças de tantas belezas. Em troca, traziam espelhos, doenças e destruição. Sua missão era usar a cruz de um Deus que morava no céu, fincando marcos aqui e ali; usando palavras sagradas, deixaram nossa gente esmagada, como no abraço lento e mortal da sucuri.

Vale lembrar que o primeiro contato com os índios do Xingu ocorreu em 1887, quando Karl von den Stein entrou na região com uma expedição alemã.

Texto publicado em 2 de janeiro de 2017, na versão original do Blog do Farmfor.



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