Diversos fatores combinados causaram a morte de dezenas de agricultores, no centro da Índia.


A Índia, pais devastado pela alta taxa de suicídio de agricultores por ingestão voluntária de pesticidas, tem mais uma tragédia.

De julho até agora, a Índia contabilizou mais de 50 mortes e 800 internações de vítimas de envenenamento por agrotóxicos, através de diversas marcas vendidas no mercado local, em uma combinação principalmente de organoclorados e organofosforados.



Os intoxicados que sobreviveram reportaram quase que uma instantânea perda parcial ou total da visão, náuseas e vômitos. Para aumentar o cenário infernal nos hospitais indianos, os pacientes são tratados imediatamente com uma droga que provoca alucinações (atropina), tornando obrigatório que as vítimas sejam amarradas aos leitos.

Na Índia, as coisas são um pouco diferentes. Primeiro, EPI é uma raridade. A relação de muitos trabalhadores rurais com agrotóxicos sempre foi descuidada na maioria, mas agora uma combinação de fatores provocou esta onda de mortes e internações.

Primeiro, houve o abandono de culturas tradicionais na região, como leguminosas, para o plantio de algodão de forma ainda mais densa que o normal, com espaçamento reduzido. A combinação de altas temperaturas e tempo seco, lavouras mais fechadas e uma infestação de lagartas, intensificou o contato dos trabalhadores com os produtos.

Segundo, a resistência de uma das cultivares de algodão mais usadas no país (Bollgard II Bt hybrid ) a certos tipos de lagartas, simplesmente sumiu. Todos estes fatores resultaram em trabalhadores literalmente inundados em veneno na lida com a lavoura.

Existe ainda a suspeita de adulteração dos produtos, todos investigados pelas autoridades.

Para saber mais:



Reportagem no jornal The Guardian.

Reportagem no The Indian Express.