Tag: Política

4 de abril de 2022

Novo Ministro da Agricultura já tentou colocar Exército contra MST


novo ministro da agricultura

Marcos Montes propôs, em 2016 – época do governo Dilma – que uma mudança na Constituição permitisse a atuação do Exército contra MST

marcos montes

Com a saída da ministra Tereza Cristina para disputar uma vaga no Senado pelo Mato Grosso do Sul, assume o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento o secretário executivo da pasta, Marcos Montes.

Em 2016, quando era deputado federal pelo PSD – e presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária -, Montes tentou junto ao então vice-presidente Michel Temer emplacar a ideia de permitir que o Exército Brasileiro enfrentasse o Movimento dos Sem Terra nos conflitos agrários, como um reforço para as polícias estaduais .

Naquela época, o governo Dilma já estava com os dias contados e várias forças políticas conversavam com Temer sobre arranjos para o futuro.

O homem já não era estranho ao assunto: em 2009, consta este pronunciamento como deputado ainda pelo DEM:

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, na última sexta-feira, no Município de Prata, Minas Gerais, no momento em que me reunia com lideranças políticas, fui avisado de uma invasão do MST em algumas propriedades rurais: famílias sendo submetidas a todos os tipos de humilhação e tortura, crime inafiançável e insuscetível de graça ou anistia, dentro de suas próprias casas e fazendas.

O MST é comandado por indivíduos sem qualquer interesse em resolver a reforma agrária. Eles utilizam a fragilidade social de seus integrantes, com o único objetivo de se tornarem instrumentos de manobra e pressão política. Este movimento se distanciou da reforma agrária e aproximou-se da criminalidade – se não bastasse, tudo financiado pelos cofres públicos e avalizado pelo Governo Federal.

A Constituição estabelece que toda forma de associação deve ter caráter lícito. Isso não tem sido obedecido pelo movimento, que, além de atividade ilícitas, como o uso de armas de fogo e a destruição de patrimônio público e privado, perderam seu foco de entidade aglutinadora de objetivos sociais – reforma agrária. A falta de personalidade jurídica funciona como uma “anistia preventiva”, em que cometem todo tipo de ilícito, na certeza de que não serão punidos civil, administrativa e penalmente.

Os produtores rurais, responsáveis por elevar o PIB, impulsionar a vida econômica dos pequenos municípios e gerar emprego, ficam no meio do fogo cruzado. De um lado os ambientalistas os acusam de serem os responsáveis pelas mazelas do meio ambiente, e do outro lado sofrem com a invasão de vândalos e criminosos, que destroem propriedades e causam prejuízos de toda ordem. Eles invadem instituições públicas, campos de pesquisa e fazendas produtivas. Não se tem notícias de que foi invadida uma área inóspita com capacidade de tornar-se uma propriedade rural e concretizar a reforma agrária. Isso reflete o caráter ilícito e partidário das atividades do MST.

É bom que se diga que o Democratas é favorável à reforma agrária. No entanto, somos contrários a essas atividades criminosas institucionalizadas. Somos favoráveis a uma reforma que inclua um pacote de qualificação técnica capaz de viabilizar suas atividades sem interferência do dinheiro público e da política partidária.
Por essas e outras razões, sou favorável à criação da CPMI do MST, na qual iremos apurar irregularidades com o dinheiro público, responsabilizar integrantes por sua aplicação irregular e pelos crimes cometidos com a ordem pública e social.

Muito obrigado.

Marcos Montes Cordeiro

O site oficial do governo brasileiro postou este perfil do novo ministro da agricultura:

 

Marcos Montes Cordeiro tem 72 anos e é médico anestesista e médico do trabalho, formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), em 1975. Possui Pós-Graduação em Medicina do Trabalho, especialização em Anestesiologia, pela Universidade de Campinas e residência médica, todas pela Universidade de Campinas (Unicamp).

O novo ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento foi prefeito de Uberaba (MG) por dois mandatos consecutivos, de 1997 a 2004. Nesse período, presidiu a Associação dos Municípios da Microrregião do Vale do Rio Grande e foi vice-presidente da Associação Mineira de Municípios.

No Poder Executivo, Marcos Montes também já foi secretário estadual de Desenvolvimento Social e Esportes de Minas Gerais e secretário municipal de Turismo da Prefeitura de Uberaba.

No Legislativo, foi deputado federal por três mandatos seguidos, de 2007 a 2018. Durante sua atuação na Câmara dos Deputados, foi presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural e presidiu a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). Também foi vice-presidente de outras comissões importantes, como a de Orçamento, e a de Meio Ambiente e a de Minas e Energia.


26 de março de 2022

País asiático quase vai à falência depois de banir agroquímicos


banir agroquímicos

Deu tudo errado: tentando tornar o país a primeira “nação 100% orgânica”, presidente quase matou de fome boa parte da sua população após banir agroquímicos e fertilizantes sintéticos

banir agroquímicos

 

O país

O Sri Lanka é um país asiático localizado logo abaixo da Índia. Na realidade, uma “grande ilha” no oceano Índico com 65 mil km2 de área, um pouco maior que a Paraíba, mas com 21 milhões de habitantes.

Como aconteceu

Promessa de campanha do presidente eleito Gotabaya Rajapaksa no pleito de 2019, o banimento total de agroquímicos e fertilizantes sintéticos na agricultura do Sri Lanka entrou em vigor em abril de 2021, no meio da pandemia. O primeiro resultado imediato: um terço da área agrícola do país ficou sem plantio. O plano era tornar a agricultura do país totalmente orgânica.

Seis meses depois, a produção de arroz caiu 20%. O país teve que importar US$ 450 milhões do produto e o preço ao consumidor subiu cerca de 50%.

Adicione US$ 350 milhões em indenizações e subsídios para produtores que não conseguiram se adaptar. Outro setor, o da produção de chá (o produto mais exportado do país) amargou um prejuízo de US$ 435 milhões. Para adicionar mais desgraça, a pandemia afastou os turistas, prejudicou ainda mais a economia provocando falta de alimentos em geral e até blecautes no fornecimento de energia. E pensar que o presidente que “inventou” essa maravilha foi eleito com mais de 50% dos votos.

Um relatório americano aponta que a falta de planejamento para a mudança (não ser gradual) e a falta de importação de fertilizantes e demais insumos orgânicos ameaçou severamente a seguridade alimentar do país. Uma bola fora.

Por fim, o Sri Lanka desistiu parcialmente da ideia e liberou alguns produtos ainda em novembro de 2021, até a totalidade, recentemente.

O caldo engrossou: agricultores protestaram muito contra o banimento dos agroquímicos no Sri Lanka. Fonte: People’s Dispatch.

Saiba mais

Sri Lanka’s Organic Experiment Went Very, Very Wrong (Modern Farmer)

Sri Lanka to pay $200m compensation for failed organic farm drive (Al Jazeera)

Sri Lanka’s Plunge Into Organic Farming Brings Disaster (NYT)

 

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Golpista dos orgânicos comete suicídio nos EUA


16 de março de 2021

Vereador gaúcho sugere usar aviões para pulverizar a cidade com álcool


vereador gaúcho

alberi dias

Vereador Gaúcho tem a solução

O vereador gaúcho Alberi Dias, do MDB, que também é presidente da Câmara na cidade de Canela, teve uma brilhante ideia para combater o coronavírus na cidade turística, famosa por sua arquitetura e clima frio: pulverizar o município com álcool, usando aviões ou helicópteros.

“… quem sabe… nós poderia (sic) pulverizar pelo menos a nossa cidade de avião né? Nós temos aí vários empresários que têm… são donos de helicóptero, avião. Sei lá, não sei se existe o álcool gel líquido, alguma coisa. Pulverizar, por que o vírus tá no ar né? É uma coisa de outro mundo. De outro mundo. Mas eu já vi… pulveriza lavouras. Não pulveriza lavouras, de avião? Talvez seja uma ideia também. Eu não sei a tecnologia pra isso. Pulverizar, que o álcool gel não faz mal”

Acima, o vídeo para quem não acreditar.

Não se sabe se foi uma brincadeira (provavelmente não), mas espanta – além do óbvio – o fato do edil não conhecer álcool em sua versão líquida. Com a palavra, os amigos da pulverização. Uma solução, digamos, explosiva.

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13 de março de 2021

Plano Collor Rural: suspensão dos processos judiciais é retirada


Plano Collor Rural

Plano Collor Rural

Novidades no Plano Collor Rural

Um boa notícia para os nossos agricultores. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal – STF – retirou a suspensão dos processos judiciais de produtores rurais que pedem a devolução de valores do Plano Collor Rural referentes à diferença das taxas de juros dos financiamentos bancários na década de 1990.
A medida permitirá o prosseguimento das ações para que produtores rurais recebam os créditos referentes à diferença de índices verificadas no mês de março de 1990. Na época, os agricultores viram as taxas de juros dos financiamentos no Banco do Brasil saltarem de 41,28% para 84,32%. Espero que agora cessem os recursos judiciais de um processo que se arrasta há anos e finalmente os produtores de todo Brasil possam receber os valores que pagaram a mais.

Via divulgação – Senador Luis Carlos Heinze.

Plano Collor Rural

O Plano Collor foi o nome dado ao conjunto de reformas econômicas e planos para estabilização da inflação criados durante a presidência de Fernando Collor de Mello entre 1990 e 1992.

O plano era oficialmente chamado de Plano Brasil Novo, porém, foi tão associado a figura do presidente Collor, que ficou conhecido apenas por “Plano Collor”, sendo instituído em 16 de março de 1990 (um dia depois de Collor assumir a presidência), impondo medidas radicais para estabilização da inflação.

Em meio à crise financeira e os altos índices de inflação que o Brasil enfrentava na década de 90, foi editado o Plano Collor na versão rural, que da noite para o dia, reajustou de 41,28% para 84,32% os índices dos contratos de financiamento agrícola e de crédito rural firmados entre os agricultores e o Banco do Brasil. Saiba mais, aqui.


23 de agosto de 2020

Agricultor faz obra em estrada por conta própria para salvar vidas no RS


Cruz Alta

Cansado de ver acidentes no asfalto da chamada “Curva da Morte”, o agricultor tomou a iniciativa de melhorar o acostamento por conta própria

Um agricultor da cidade de Cruz Alta, no RS, resolveu reformar por conta própria o acostamento do trecho da estrada conhecido como “Curva da Morte”. O apelido foi dado ao entroncamento da BR-377 com a ERS-223.

Segundo Fábio Marangon, o “Repórter das Estradas”, o agricultor Ivandro Bertolini retirou árvores e aterrou a área com recursos próprios:

https://www.facebook.com/fabio.marangon.982/videos/1188230864864339/

Essa é a visão do Agricultor Ivandro Bertolini sobre a Curva da morte uma vez que nesse trecho várias vidas se perderam.
Ha muitos anos vem acontecendo inúmeros tombamentos de caminhões e capotamento de carros neste lugar que era para se ter pelo menos um trevo uma vez que começa uma rodovia e a outra tem seguimento, portanto, um entroncamento. Sendo assim não havendo a obra foi simplesmente feito a ligação asfáltica criando uma curva perigosa que vem por anos e anos ceifando vidas.
Pela atitude de Ivandro Bertolini agora pelo menos se houver saida de pista os condutores não bateriam mais em árvores. Com recurso próprio fez a retirada das mesmas e também aterrou o local.
A visibilidade também é outro fator que melhorou.

Como era o trecho antes

Cruz Alta
Antes
Cruz Alta
Depois, ainda em obras.

É possivel ver o pedaço da estrada onde foi feita a obra no Google Street View neste link. A quantidade de arranhões no asfalto, marcas de freiadas e antigos acidentes fica bem evidente nas imagens.

Deixamos aqui o duplo parabéns para o agricultor de Cruz Alta que realizou a boa ação e para o radialista que contou a história para o mundo.


19 de agosto de 2020

Goodyear americana é acusada de boicote a temas conservadores


Goodyear

Funcionário teria vazado para emissora de TV local imagens e áudios com orientações da Goodyear em palestra sobre políticas de tolerância zero. A empresa nega

A Goodyear está com problemas nos Estados Unidos e conseguiu arrumar encrenca até com o presidente Donald Trump, depois que uma imagem e áudios foram vazados de uma palestra para funcionários da fábrica de Akron, Ohio.

O funcionário X-9 mandou o material para a WIBW 13, afiliada da CBS na cidade de Topeka, no Kansas. Segundo o denunciante, o material é exibido em uma espécie de curso de diversidade e políticas de tolerância zero para os empregados das fábricas e lojas da Goodyear.

O problema

A imagem mostra um slide de Powerpoint que indica o que é aceitável nas roupas e acessórios dos funcionários (incluindo máscaras) nas dependências das filiais, especialmente nesta época de campanha eleitoral no país.

Compilação da FOX News com “regulamentos” exibidos no evento de treinamento.

Seriam aceitáveis símbolos e frases que remetem ao Black Lives Matter (BLM) e Orgulho LGBT. Entre os proibidos, Blue Lives Matter (apoio aos policiais americanos), All Lives Matter, MAGA (slogan de campanha de Donald Trump – Make America Great Again) e slogans ou materiais políticos em geral.

Em resumo, passe livre para movimentos de esquerda e boicotes a temas conservadores nas dependências da empresa.

Um dos áudios vazados, diz:

As regras agora são o que você pode usar. Vamos tentar cumprir com isso para que você saiba que todos se sentem bem nesta fábrica. Quero ter certeza galera, pensem no que a gente faz nessa fábrica, nessa fábrica né. Todos nós trabalhamos juntos para fazer pneus, é isso que fazemos. É para isso que somos pagos. Então, vamos continuar fazendo isso e fazer a coisa certa e manter este lugar como sempre foi, um bom lugar para trabalhar ”.

A íntegra dos áudios você confere aqui e aqui.

https://twitter.com/realDonaldTrump/status/1296092859226042368
Tweet com a reação do presidente Trump. Não compre pneus Goodyear, adquira pneus melhores por muito menos! Isto é o que a esquerda democrata radical faz. Podemos jogar o mesmo jogo e vamos começar agora!

A empresa negou a autoria do material. Disse em nota que a imagem não foi criada ou distribuida pela Goodyear, nem foi parte do treinamento de diversidade corporativa, que tem tolerância zero com discriminação e que pede que funcionários não defendam pontos de vista de cunho político no ambiente de trabalho.

Veja também

Did Goodyear Forbid Employees to Wear MAGA Gear?


20 de fevereiro de 2020

Deputado quer liberar a importação de veículos usados


importação de veículos usados

Marcel van Hattem (NOVO/RS) quer quebrar o monopólio dos grandes importadores e dar liberdade para que o cidadão realize a importação de veículos usados

O Deputado Federal Marcel van Hattem é autor do Projeto de Lei 237/2020 que visa liberar a importação de veículos automotores por qualquer pessoa, sem passar pelas grandes empresas importadoras.

O que diz o projeto de lei que libera a importação de veículos usados

Art. 1º Qualquer pessoa física ou jurídica poderá realizar a importação de
veículos automotores para fins terrestres, novos ou usados, independentemente de autorização prévia e do ano de fabricação.


Art. 2º O veículo de que trata o art. 1º deverá atender aos limites legais de emissões veiculares vigentes no país, relativamente ao seu ano de fabricação e categoria.

Parágrafo único. São meios de comprovação do atendimento aos limites de emissões os índices dispostos na especificação ou no manual do veículo, elaborado por seu fabricante, assim como, entre outras formas, os limites de emissões constantes da norma do país de sua fabricação.

Art. 3º O montante dos tributos federais incidentes sobre a importação do veículo de que trata o art. 1º não poderá ser superior ao montante incidente sobre os veículos similares fabricados no país.

Parágrafo único. Define-se como veículo similar aquele que seja equivalente em termos de peso bruto total e potência, admitidas variações de até 15%.

Art. 4º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Na justificativa, o fim da reserva de mercado que proíbe a importação de veículos usados e dificulta a importação de veículos novos, um protecionismo que prejudica o país, diminui a competitividade e, principalmente, prejudicial ao direito de liberdade de escolha do cidadão.

Um caminhão americano Peterbilt ano 1999 custa por volta de US$ 32000,00 nos EUA, só para você abrir a imaginação.


18 de fevereiro de 2020

Bolsonaro exibe para ministros vídeo de produtor rural


Bolsonaro Exibe

Exibição foi realizada para o Conselho de Ministros nesta terça

Um vídeo de “desabafo” feito por um produtor rural fpo exibido durante uma reunião do Conselho de Ministros em Brasília nesta terça, 18 de fevereiro.

O vídeo, durante a reunião do Conselho de Ministros

No vídeo, o produtor destaca os altos custos para manter a criação e o baixo valor no momento da venda. O agricultor é da região de Paracatu, em Minas Gerais.


17 de fevereiro de 2020

Rival de Trump diz que não é preciso muito cérebro para ser agricultor


Rival de Trump

Declaração do candidato democrata foi dada em 2016, durante evento na Inglaterra.

Deu no Washington Post: o bilionário e pré-candidato a presidente dos Estados Unidos pelo partido democrata (rival de Trump) Michael Bloomberg acha que não é preciso muito cérebro para alguém trabalhar na agricultura, diferente de outras profissões da “era da informação”.

Esta e outras declarações foram dadas em 2016 na Universidade de Oxford, na Inglaterra.

Disse o candidato e ex-prefeito da cidade de Nova York: “Eu poderia ensinar qualquer um – até mesmo as pessoas nesta sala – a ser agricultor. A agricultura é um processo, você cava um buraco, coloca a semente, cobre, adiciona água e o milho sai”.

As declarações sobre agricultura estão em 41:57. (em inglês).

Defendendo os empregos na área de tecnologia da informação, disse ainda que estes sim são empregos que precisam de muito mais “massa cinzenta” e as pessoas da área possuem um conjunto diferenciado de habilidades.

Rival de Trump também disparou contra os operários da indústria

Comentários semelhantes foram disparados também para o pessoal da indústiria. Segundo Michael Bloomberg, trabalhos altamente repetitivos.


13 de dezembro de 2018

Globo Rural debocha da fé de futura ministra de Bolsonaro


globo rural

Conta do Globo Rural no Twitter tentou lacrar fazendo referência a goiabas e Jesus. Será que está fazendo piada para o público certo?

Faz tempo que a conta do Globo Rural (que dispensa apresentações) no Twitter mescla piadinhas com notícias do mundo rural, estas seguindo a linha do famoso programa de TV da Rede Globo. Desta vez, cruzaram uma linha.

Em um tweet que já foi apagado os responsáveis pelo canal fizeram uma piadinha com um relato recente na futura ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos do governo Jair Bolsonaro, Damares Alves. 

A mensagem, do dia 12 de dezembro, dizia “Subir na goiabeira para tentar ver Jesus pode ser perigoso! Prefira atividades mais calmas, como cultivar a fruta”, acompanhando um link para instruções sobre como plantar a fruta. A mensagem já foi apagada, mas consta nos registros do Google:

O perfil do atento Bruno Carpes no Facebook foi rápido para destacar este e outros casos envolvendo a mídia e a futura ministra, em texto que reproduzimos aqui:

A licença de setores da imprensa e de grupos políticos para injuriar, escarnecer da religião alheia e debochar da pedofilia. Presto a minha solidariedade à Damares, num grande exemplo de superação aos demais. Infelizmente teve de sofrer uma grave revitimização. REPUGNANTE!

A futura titular do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos do governo Jair Bolsonaro, Damares Alves tornou-se alvo de memes nas redes sociais nos últimos dias por causa de um vídeo em que ela afirma ter visto, quando tinha 10 anos, Jesus em um pé de goiabeira.

Em entrevista ao programa Timeline, da Rádio Gaúcha, nesta quinta-feira (13), a advogada de 54 anos contou que a gravação traz apenas uma parte do relato original. Segundo ela, a história narrada no vídeo aconteceu em um momento dramático: a menina Damares estava prestes a tirar a própria vida, cansada dos abusos sexuais que sofreu, cometidos por um tio, dos seis aos oito anos de idade.

— Ele me convenceu de que eu era a culpada, eu achava que Deus estava bravo comigo e, por ser uma menina cristã, era uma dor muito grande pela qual eu achava que não conseguiria passar. Eu queria morrer — disse Damares.

Durante a entrevista aos apresentadores David Coimbra, Luciano Potter e Kelly Mattos, Damares falou que subiu no pé de goiabeira decidida a se envenenar. Foi quando ela disse ter visto a figura de Jesus, que a aconselhou a não tomar aquela atitude.

— É comum as crianças falarem que têm amigos imaginários, mas quando uma menina cristã fala que esse amigo é Jesus, ela vira piada. De ontem para hoje, virei alvo de piadas porque tive coragem de contar que uma menina de 10 anos, machucada, tinha como amigo imaginário o ser superior da vida dela, que é Jesus. Eu o vi, e foi ele que me impediu de me matar — afirmou. — Desci daquele pé de goiabeira diferente, me tornei pastora, advogada e agora ministra. Eu venci a pedofilia — completou.

Damares também afirmou que pretende trabalhar em defesa da vida de mulheres e crianças, para que nenhuma sofra os mesmos abusos que sofreu durante a infância.

— Essa é uma nação que abusa de mulheres. Venho para esse ministério como uma menina sobrevivente, querendo que nenhuma outra precise do pé de goiaba — disse Damares.

Será que o Globo Rural tem a noção exata sobre as visões de seu público sobre Religião, Bolsonaro e a futura ministra? Apagar a mensagem foi um sinal de “correção de rota”, mas fica o registro.


13 de outubro de 2018

Ministro da Agricultura de Bolsonaro será indicação do próprio setor


Ministro da Agricultura

Não é de hoje que o candidato diz que ministro da agricultura será indicado pelas entidades do setor, mas uma coletiva reforçou a mensagem na última quinta, 11 de outubro

Faz muito tempo que o candidato Jair Bolsonaro fala duas coisas sobre a pasta da agricultura em um eventual governo: que vai fundir Agricultura com Meio Ambiente e que a indicação para o titular do ministério virá das próprias entidades representativas do setor. O reforço para estas afirmações veio em uma coletiva de imprensa com candidatos eleitos no primeiro turno pelo PSL.

 

https://youtu.be/ayQ34KvOJqw?t=3262

No vídeo acima, fala do candidato sobre o Ministério da Agricultura (o vídeo está no ponto).

 

Em um país com tantas entidades e interesses (mesmo dentro do universo da agricultura) será curioso ver a indicação final e o martelo batido sobre o nome que cuidará do ministério da agricultura (três nomes estão em avaliação no momento). Vale lembrar que desde muito cedo da candidatura Bolsonaro mantém contato com a FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária), apoiadora de primeira hora.

 

 

 

 

 

 

 


16 de junho de 2018

“Agro é paz e é brasileiro”, afirma Roberto Rodrigues em Passo Fundo


O ex-ministro da Agricultura realizou a palestra magna no III Fórum Estadual do Agronegócio na noite de sexta (15)

 

Mesmo com a temperatura baixa, característica do sul do país nesta época do ano, o auditório do Gran Palazzo registrou um alto número de pessoas para assistir a palestra magna da noite de sexta-feira (15), do III Fórum Estadual do Agronegócio.  Quem palestrou foi o ex-ministro da Agricultura e Abastecimento, Roberto Rodrigues. Considerado pelo setor do agronegócio uma das maiores lideranças, Rodrigues chefiou a pasta de 2003 até 2006 e incluiu em seu currículo importantes avanços para a agricultura, como por exemplo, a lei de biossegurança e biotecnologia, no ano de 2005.

Em solo gaúcho, Rodrigues afirmou que o agronegócio é e continua sendo o setor fundamental para segurar a economia nacional em tempos de crise. “O agronegócio brasileiro representa um quarto do PIB nacional, gera um terço dos empregos do país, é responsável pelo saldo comercial do país, se não fosse o agro, estaríamos no déficit há muitos anos, isso permite salvar as nossas reservas em moedas estrangeiras”.  E complementou: “Com uma característica curiosa: nestes últimos três anos de desemprego muito grande no país, o único setor que desempregou pouco foi o agro, e além disso, dada a circunstância de que os modelos de gestão evoluíram muito, a mecanização, hoje a massa salarial que o campo paga, é maior que a do passado, ainda que tenha diminuído o número de empregados”.

 

Greve dos caminhoneiros e tabelamento

Uma das reinvindicações dos caminhoneiros após a paralisação de quase duas semanas, foi o tabelamento dos preços dos fretes pelo Governo Federal. Rodrigues salientou que o tabelamento de preços não é uma saída adequada para a resolução do problema. “Todas as vezes em que se fez tabelamento deu errado, não podia ser diferente agora. No entanto, há uma realidade que é preciso resolver no país: os custos ficam elevados para os produtores e os resultados financeiros não são suficientes para os transportadores, de modo que a solução passa forçosamente pela reforma tributária”.   Para ele, o caminho para o Brasil sair da crise passa pela aceitação das reformas, desde a tributária até a política. “A área ambiental tem que ser reformulada de uma forma mais consistente e com a modernidade brasileira, então o que é essencial é cuidar das reformas e a tributária tem o condão de mexer na questão do frete em definitivo”.

 

Política, agronegócio e segurança alimentar

Com relação ao cenário eleitoral de 2018, o ex-ministro ressaltou que esta eleição presidencial pode ser considerada a mais importante dos últimos 20 ou 30 anos, visto os problemas econômicos e financeiros que o país passa. “Nós vamos para uma eleição que tem duas possibilidades: ou vamos eleger um governo reformista ou podermos eleger um governo populista. Um governo reformista é o que precisamos para tocar em frente todas as questões que foram colocadas, reforma tributária, previdenciária, política, em busca da modernização e da segurança jurídica para o país. Um governo populista pode ‘descambar’ para um universo cujas consequências podem ser graves num nível de Venezuela, por exemplo, então é preciso muita preocupação, muito juízo na hora de votar”. Em específico para o agronegócio, ele comentou que está trabalhando em um projeto que pretende tornar o Brasil campeão mundial da segurança alimentar. “Estamos montando um plano de Estado, não é de governo, se fosse um plano de governo para o agro, teria que ter o plano do comércio, da indústria, da aviação… Teríamos 50 planos e o governo que se elegeria não tem condições de atender todos e não atenderia a nenhum. Foi montado um projeto que não tem o objetivo de proteger ou criar vantagens para o agro, tem um objetivo mais amplo, que é de transformar o Brasil no campeão da segurança alimentar. Por que? Porque você pode ficar sem qualquer coisa, menos sem alimento”. Rodrigues destacou que este é um plano que agrega os meios rurais e urbanos em busca de união. “Eu sou produtor rural e passei boa parte da minha vida criticando a sociedade urbana por não respeitar o agro, por não olhar com carinho, não valorizar o agro e critiquei muito por uns 40 anos.  Se eu criticar ‘você’, ao invés de ‘você’ gostar de mim, cada vez mais ‘você’ terá raiva de mim, então quanto mais a gente critica o setor urbano, menos eles se aproximam ‘da gente’. E hoje eu vejo com clareza, eu sou um bom produtor rural e agrônomo, mas não faço nada sem adubo, sem fertilizantes, sem defensivos, sem máquinas agrícolas, tudo é fabricado em empresas urbanas”. De acordo com Rodrigues, o projeto passou pela avaliação de centenas de entidades de classe e o lançamento está marcado para o dia 30 de junho. A expectativa é de que os integrantes do projeto possam conversar com os coordenadores de campanha dos candidatos à presidência da república, para explicar o plano e conseguir o compromisso dos mesmos. “O que o agro pode esperar ou deve esperar: que qualquer que seja o candidato eleito, ele tenha a clareza da importância do setor e assuma um plano que não tem nenhum pedido, demanda, ao contrário, o agro brasileiro está fazendo uma oferta ao mundo e ao governo brasileiro para que seja o campeão mundial da paz”.

 

O que é o agronegócio?

“Agro é paz! E principalmente é nosso, agro é brasileiro!”, finalizou.

 


2 de janeiro de 2018

Governador Geraldo Alckmin vai vetar a lei Segunda sem Carne


Governador Geraldo Alckmin

Anúncio foi feito em programa do Canal Rural

 

 

A lei Segunda sem Carne vai dar na trave.

O governador de São Paulo Geraldo Alckmin declarou em entrevista ao programa Mercado&Cia, do Canal Rural, que vetará a lei. Entre outras justificativas, disse sabiamente que a lei seria um excesso de intervenção do Estado e inconstitucional.

O vídeo da entrevista, quando disponível, deverá aparecer neste link.


28 de dezembro de 2017

Segunda sem carne: deputados paulistas declaram guerra ao agronegócio


Segunda sem Carne

Lei aprovada na Assembleia Legislativa de SP é um deboche com o setor mais importante da economia brasileira e endossa narrativas absurdas

 

Pipocam pelo país tentativas de criar “dias sem carne” em estados e municípios brasileiros, muitas vezes na mão de deputados de esquerda e contrários ao agronegócio. Na justificativa, um conjunto de narrativas já bem conhecidas, com dados e acusações contra a agropecuária mundial e brasileira, induzindo o público ao erro.

Desta vez, o ativismo chegou na Assembleia Legislativa da maior economia do Brasil: os deputados paulistas aprovaram o projeto de Lei 87/2016 do colega Feliciano Filho (PSC) que institui o DIA SEM CARNE no estado, proibindo que escolas e repartições públicas sirvam carne em seus refeitórios nas segundas. Quem não cumprir a regra, pagará uma multa acima de R$ 7.500,00.

O projeto ainda precisa ser sancionado pelo governador Geraldo Alckmin.

O projeto, altamente ideológico, demoniza o consumo de carne e o pecuarista, ofendendo não apenas uma indústria séria e importante deste país, mas todo o cidadão que exerce o direito de comer carne. Claro que a proibição atinge apenas órgãos estaduais de São Paulo e em apenas um dia, mas é um vetor, o reforço de uma narrativa que poderá dar suporte para ações futuras, bem piores.

Parte da justificativa para a Segunda sem Carne:

Segundo a fonte de pesquisa ‘www.segundasemcarne.com.br’: atualmente, são mortos cerca de 70 bilhões de animais terrestres por ano no mundo, com a simples justificativa de que precisamos nos alimentar. No entanto, sabe-se que o reino vegetal é plenamente capaz de suprir as necessidades de uma população. Isso porque uma alimentação sem ingredientes de origem animal é ética, saudável e sustentável. Não se pode esquecer que, assim como nós, os demais animais querem ser livres e ter uma vida normal junto a membros da sua espécie.

Desde milênios, o homem vem explorando e subjugando os animais, os quais, considerados inferiores, são transformados em mercadoria. Impedi-los de desenvolver uma vida plena não é justo, já que possuímos alternativas saudáveis e menos impactantes para nos alimentar. 

A peça, na íntegra, no site do deputado.

Assim que ficar disponível, publicaremos os nomes dos deputados que votaram contra ou a favor da Segunda Sem Carne.


5 de dezembro de 2017

Agricultores norte-coreanos estão roubando fezes para fertilizar as lavouras


agricultores norte-coreanos

Uma nova onda de crimes rurais na ditadura norte-coreana expõe a calamidade do país

 

Não estamos falando sobre o bom e velho esterco. Fezes humanas viraram um produto valioso nas áreas rurais da Coréia do Norte e o roubo entre vizinhos já é uma prática comum.

Por uma ordem expressa do próprio governo Kim Jong Un em 2014, os agricultores foram obrigados a adotar o “adubo de origem humana” nas lavouras, com o intuito de aumentar a produção e ser menos dependente de esterco animal. Fertilizante químico? Nem pensar por aquelas bandas.

 

Produção de milho em uma propriedade acima da média na Coréia do Norte. Veja mais imagens no site do Asia Times.

Juntamente com o uso indiscriminado de fezes, vieram as doenças causadas por vermes. Recentemente, um soldado do norte conseguiu escapar (por muito pouco) para a Coréia do Sul, em péssimo estado e com vermes gigantes no intestino.

Segundo apontou o The Mirror no ano passado, existe até uma cota de produção para os habitantes, gerando competição entre familiares para determinar quem é o melhor produtor. De fezes.

A situação é triste. O mundo espera que a situação por lá melhore, muito em breve.


26 de outubro de 2017

Voto em Bolsonaro, otimismo, armamento e insegurança: os agricultores em 2018


Bolsonaro e fuzil

Lançamos um questionário sobre o cenário político e econômico de 2018 para os seguidores do Farmfor. Aqui está o resultado.

 

Durante os meses de agosto e setembro, disponibilizamos um questionário via Google Forms para os seguidores do Farmfor no Facebook e no grupo do WhatsApp, com questões sobre política, economia, cenários para 2018 e perfil social.

Compilamos aqui o resultado das indagações, com dados oriundos de 108 respostas. Não existe rigor científico nestes índices, não há controle geográfico das interações, usem apenas como curiosidade.

Perfil profissional

São agricultores residentes na propriedade 51,9% dos entrevistados, seguidos por agricultores que moram na cidade com 25,9%, funcionário de propriedade rural, cooperativa ou empresa do ramo com 14,8%, Nenhuma das opções 4,6% e funcionário público na área rural com 2,8%.

Sobre a economia brasileira em 2018

São otimistas 55,6% dos que responderam a enquete, contra 44,4% de pessimistas. Mais da metade, 51,9% acham que vão empatar receita e despesa em 2018, 33,3% estimam resultado positivo e 14,8% estão prevendo prejuízo.

Tamanho da propriedade

O maior grupo está em propriedades entre 11 e 50 hectares (32,4%). Seguem os que estão entre 101 e 500 hectares (18,5%), empatam na terceira posição os agricultores com 51 a 100 hectares e os “sem propriedade” com 13,9% cada, acima de 500 hectares são 12% e até 10 hectares são 9,3%.

Quem você acredita que vencerá as eleições para presidente, caso seja candidato(a), em 2018?

Não perguntamos a intenção de voto, mas quem os agricultores pensam que vencerá o pleito de 2018, entre uma lista de 15 nomes e a opção “outro”. Jair Bolsonaro lidera com 66,7%, seguido por João Doria com 9,3%, Lula com 8,3%, “outro” tem 4,6%, Álvaro Dias 3,7%, Ciro Gomes e Ronaldo Caiado 1,9% cada, Joaquim Barbosa, José Serra, Marina Silva e Cristovam Buarque possuem 0,9% cada um e os demais não receberam votos.

Os nomes colocados nas opções, em ordem alfabética, foram Álvaro Dias, Beto Albuquerque, Chico Alencar, Ciro Gomes, Cristovam Buarque, Geraldo Alckmin, Henrique Meirelles, Jair Bolsonaro, João Dionisio Almoedo, João Doria, Joaquim Barbosa, José Serra, Lula, Marina Silva e Ronaldo Caiado.

Sobre a vitória do candidato na pergunta anterior

87% pensam que será uma boa para o país, 8,3% acham que não vai mudar nada e 4,6% que será ruim para o Brasil.

Ideologia política

Declaram ser de direita, 53,7% dos agricultores, contra 38,9% que não acreditam nesta divisão, 3,7% de esquerda e outros 3,7% que não sabem responder. Outra curiosidade: 87% afirmam que os pais ou os filhos pensam da mesma forma em casa sobre política.

Sobre posse de armas para o agricultor

São favoráveis à posse sem restrição de calibre 79,6%. Com restrição são 16,7% e contra a posse de armas ficam em 3,7%.

Sobre a distância do posto policial mais próximo até a propriedade

Que os agricultores estão longe do aparato do Estado nas zonas rurais, todo mundo já sabe. Olhando os números, fica bem pior: 36,1% das propriedades estão em ponto distante mais de 20 km do posto policial mais próximo. Entre 11 e 20 km são 26,9%, de 6 a 10km 17,6%, 2 a 5km 7,4% e uma parcelinha de 1,9% “com sorte” tem a polícia bem perto, até 1km de distância.

Faixa de idade dos participantes

O maior grupo (28,7%) tem entre 25 e 34 anos, seguido por “18 a 24 anos” com 24,1%, “35 a 45 anos” com 22,2%, “46 a 55 anos” com 12%, “até 17 anos” com 8,3% e “56 a 64 anos” com 4,6%.

Sucessão rural

Dos participantes, 39,8% afirmam que os filhos vão continuar na propriedade, 38,9% ainda não sabem como será a sucessão, 13% não tem propriedade, 4,6% não quer falar do assunto agora e 3,7% afirmam que não vão continuar, que a propriedade será vendida.

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6 de setembro de 2017

O que você faria com os 51 milhões que seriam do Geddel, versão agronegócio


Malas de dinheiro que cabem em uma sala de apartamento, mas representam muita riqueza no campo

 

A fortuna da mala

O Brasil parou para ver a contagem do dinheiro encontrado em um apartamento de Salvador, na Bahia. Depois de horas de trabalho, veio a resposta: mais de 51 milhões de reais em cédulas (algumas de dólar). Este dinheiro, no mundo do agro, tem algumas correspondências gigantes.

O dinheiro supostamente seria do ex-ministro Geddel Vieira Lima.

Vamos aos números:

R$ 51 milhões são 784615 sacas de soja a R$65,00.

784 mil sacas de soja são incríveis 47 mil toneladas. São estas 4 montanhas de soja e mais um pouco:

 

Medo de guardar na rua? Dois silos destes de 35 mil toneladas guardam a sua carga, com sobra.

 

Gosta deste trator da Challenger? Compre 25 (vinte e cinco) MT875E e ainda sobra um troco para o diesel.

 

 

Se quiser mudar para o Rio Grande do Sul, pegue esta grana e compre 6500 hectares na região de Bagé.

 

 

Continua com a soja, mas quer mandar para o porto? São 1880 carretas de 25 toneladas de carga.

 

 

A ironia do destino: dizem que o agro é tudo e leva o Brasil nas costas (e é verdade). Sendo assim, já pararam para pensar que este dinheiro deve ser desviado de nossos impostos, oriundos em grande parte do próprio agro, direta ou indiretamente?

Sendo assim, tinha uma lavoura naquela sala em Salvador.


13 de maio de 2017

Se o campo não planta, a cidade não janta


se o campo não planta

A frase é conhecida em protestos e imagens motivacionais pela internet. Mas é chegada a hora de observar com atenção onde no mundo a “janta” já está em sério perigo

 

O site inglês Devon Online postou recentemente um relato sobre a situação da agricultura no Reino Unido. No texto, o destaque para a cobertura de uma palestra ministrada por um jornalista da BBC, responsável por assuntos referentes a vida selvagem. Como brincadeira – que logo virou uma constatação séria – o homem declarou que uma das espécies em extinção no Reino Unido era a dos agricultores.

O centro da questão está no financeiro das propriedades rurais, que faturam para viver um pouco além da subsistência, sem sobra de caixa para investimentos em maquinário (só para começar). No setor do leite, os agricultores de lá aumentaram a dívida com os bancos em 1 bilhão de libras nos últimos 2 anos.

Apenas 50% dos alimentos consumidos no Reino Unido são de produção local (dois anos atrás, algumas fontes indicavam até 60%) contra 80% em meados dos anos 80. Novos hábitos de consumo, com alimentos típicos de outros locais, aumento da população e sazonalidade colaboram com este quadro.

O palestrante ainda denunciou as práticas de grandes redes de supermercados que baixam os preços para “manter os consumidores felizes” e lembrou dos perigos sempre assombrando a agricultura, como grandes epidemias e questões climáticas. Na Espanha, recentemente, um clima nada favorável fez as hortaliças sumirem do mercado, com hotéis em desespero pagando até R$20,00 por um simples pé de alface.

O papel do governo

Nós já falamos aqui no blog sobre os agricultores ingleses que receberam dinheiro do governo para não plantar. Estas alterações no mercado podem ser benéficas em termos ambientais, como no exemplo citado, mas alguém sempre paga a conta. Empregos são perdidos e a vocação para a atividade rural simplesmente some em alguns locais. Pessoas que prestam serviços para propriedades precisam trocar de ramo ou desistir desta atividade.

Por outro lado, o comércio de alimentos é uma questão de segurança nacional e governos, via de regra, vão adotar qualquer medida para manter o fluxo de alimentos garantido para a população, sem importar a origem e prejuízo local. Vão importar trigo ainda que matem de fome o triticultor do próprio país. Adicione todo o emaranhado de políticas de subsídios na União Européia no problema, antes do brexit.

Os agricultores são parte de um todo

Dentro da economia do Reino Unido, a produção agrícola representa 26 bilhões de libras, contra 103 bilhões do mercado de alimentos como um todo. Aquele pacote de bolachas Oreo pode conter trigo, soja, derivados do leite, mas outros jogadores entraram nesta equação para que o consumidor coloque na boca o produto. Com um poder de barganha do tamanho do mundo, se algo acontecer ao agricultor local, o pacote poderá chegar importado, todo fabricado em outro país. Por uma ironia do destino, um local onde agricultores talvez nem sofram as mesas exigências ambientais.

Espelho para o agricultor brasileiro

É preciso estar atento ao que acontece no mundo quando o assunto é agricultura, para repensarmos o modo de produção e comercialização de produtos agrícolas no Brasil. Muito além do preço das commodities, o “ser agricultor” é o valor a ser monitorado e o que acontece hoje nos países desenvolvidos pode ser o nosso amanhã, mas sem o colchão cultural e as instituições centenárias destes países. União, cooperativismo e pacificação com o intermediário devem entrar na pauta. É preciso colocar mais produtos na cesta, como valor geográfico, compromisso de entrega e segurança, cobrando por isso.

A solução não está no governo. A saída começa no seu vizinho de cerca.



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