A empresa arrecadou 120 milhões de dólares para reinventar a forma de fazer suco de vegetais, mas virou um gigantesco mico.

A Juicero apareceu nas notícias especializadas do mundo da tecnologia no início de 2015, ao receber mais de 100 milhões de dólares em investimentos do Google Ventures, Campbell’s Soup, Double Bottom Line Ventures, Artis Ventures, Thrive Capital e outros grandes nomes. Somado ao valor recebido em 2014, de outras fontes, o total teria passado dos 120 milhões. A promessa? vender um espremedor especial e sucos em pequenos sachés, entregues em casa, também atacando o tradicional formato de venda dos vegetais em supermercados, quase nunca frescos e com muitos dias de prateleira.

Nas reuniões com investidores, Doug Evans, o fundador da startup, levou apenas alguns desenhos em 3D do conceito, nenhum protótipo funcionando ou mesmo uma réplica. E muita lábia.
Por trás da proposta, uma empresa que cuidaria de todo o ciclo de produção, controlando as propriedades rurais, do plantio até a colheita, logística até o processamento, embalagem e entrega ao consumidor, tudo em saquinhos parecidos com comida de astronauta.

O conceito


O Juicero foi lançado em Março de 2016, ao custo de US$699,00. O equipamento em si não era um processador, mas um espremedor para os saquinhos de doses individuais de sucos de diversos vegetais. A pessoa pega o saché (que lembra muito um bag de soro), coloca no equipamento e espera o líquido sair. O espremedor tem ainda um leitor de QR-Code e conexão wi-fi, para conferir on-line se o produto ainda está no prazo de validade, bloqueando o funcionamento quando o suco está vencido. Obviamente, também não funciona sem internet.

Cada dose de suco custa entre 4 e 10 dólares. É praticamente uma “máquina de café em cápsulas” para sucos naturais. Em janeiro deste ano, o preço da máquina baixou para US$399,00.

Se você é incapaz de comprar alimentos e fazer sucos por conta própria, esta máquina é perfeita
Para vender a ideia, a empresa lançou um vídeo com um casal extremamente incapaz de lidar com tarefas simples da vida, como ir na feira, lavar louça ou ter o mínimo de organização na rotina de uma cozinha. O vídeo é forçado demais.

Dá para usar as mãos

Logo depois do lançamento, o Juicero recebeu críticas, primeiro por ser maior que o protótipo mostrado nos desenhos. Depois, algumas pessoas começaram a notar que o bag de suco poderia ser espremido com as mãos. A pá de cal veio neste 19 de abril, com uma reportagem especial da Bloomberg, mostrando toda a história da startup e um vídeo comparando o desempenho da máquina com o de uma moça usando as próprias mãos. Deu empate (com algumas vitórias da moça). A internet caiu de pau e as piadas não param no Twitter.

Depois de toda a confusão, uma nota do CEO da empresa e muita tentativa de controle de danos, a Juicero resolveu devolver o dinheiro para quem comprou a máquina, desde o lançamento. Mas continua firme nas convicções e no conceito.

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