Colheitadeira Ideal, uma história que comecou no Rio Grande do Sul

Colheitadeira Ideal

A marca de colheitadeiras Ideal começou no sul do Brasil nos anos 70 e ganhou vida nova ao batizar um dos maiores projetos de máquinas agrícolas do mundo, pelas mãos da AGCO

A AGCO lançou o projeto IDEAL em 2017 como uma das maiores iniciativas já realizadas no mundo das máquinas agrícolas. Foram mais de 5 anos de desenvolvimento, ao custo de 400 milhões de euros.

A importância e ineditismo da colheitadeira ideal geraram até certa confusão no mercado consumidor, com muitas teorias e boatos criando corpo na internet desde o lançamento.

Colheitadeiras Ideal: as trigêmeas.

As dúvidas até possuem certa explicação: uma grande empresa detentora de várias marcas, fruto de sucessivas aquisições do passado lança um novo modelo de colheitadeira partindo do zero, criando três versões da mesma máquina através da Fendt, Massey Ferguson e Challenger. Para dar um toque final, decide batizar a colheitadeira com o nome de outra fabricada no Rio Grande do Sul nos anos 1970. Esta última confusão é tipicamente brasileira, com razão.

O nome Ideal começou a ser usado nos anos 60 pela Moinhos Santa Rosa Ltda em suas trilhadeiras. Com a popularização do plantio da soja no estado, as coisas evoluíram e a a empresa passou a se chamar Indústria de Máquinas Agrícolas Ideal Ltda (1963). Então vieram as colheitadeiras rebocadas e, posteriormente, automotrizes.

Apś crises no negócio, a Máquinas Agrícolas Ideal acabou fazendo uma parceria com a International Harvester e o Grupo Iochpe. Em 1984 a IH saiu do negócio e em 1986 o Iochpe assume a Massey no Brasil e a Perkins, nascendo aí a Maxion. Para encurtar a história (que você lê completa no site Lexicar), tudo vira AGCO em 1994.

A marca IDEAL então ficou no papel como patrimônio da AGCO até voltar na forma das grandes colheitadeiras do grupo. Uma visita ao INPI mostra parte da passagem “de mão em mão” do nome ao longo dos anos:

Colheitadeira Ideal – o nome vem do Rio Grande do Sul para ganhar o mundo.

Sendo assim, A Fendt não “copiou a Massey Ferguson” e vice-versa. A colheitadeira Ideal foi desenvolvida do zero e uma planta inteira da AGCO foi adaptada na cidade italiana de Breganze, na fábrica da Laverda, para montar as primeiras unidades.

O Rio Grande do Sul também receberá uma unidade fabril na cidade de Santa Rosa, para fabricar as máquinas no mercado Brasileiro, com a marca Fendt. Segundo o site irlandês Farmland (em 2017), o plano da AGCO era lançar a colheitadeira Ideal na Europa com a versão Fendt e Massey Ferguson, nos Estados Unidos como Challenger e na América do Sul como Valtra. A ambição também é alta: vender 2500 unidades no primeiro ano de fabricação, em todo o mundo.

Por último, o preço: a colheitadeira Ideal (no Reino Unido) fica entre 482 mil libras (modelo 7) e 648 mil libras (modelo 9 com esteiras). Uma colheitadeira de 3,3 milhões de reais é para poucos.

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