Tag: Ucrânia

2 de maio de 2022

Russos roubaram milhões em máquinas John Deere na Ucrânia


russos roubaram

Soldados saquearam uma revenda John Deere na cidade de Melitopol e levaram mais de US$ 5 milhões em máquinas

Segundo a CNN, soldados russos fizeram a limpa em uma revenda John Deere na cidade ucraniana de Melitopol. Tratores, colheitadeiras e várias plantadeiras, avaliados em mais de cinco milhões de dólares, teriam sido levados para a Chechênia, distante 1200 km do local.

Especulação

Segundo um perfil de Facebook “admirador” da John Deere lá da Ucrânia, apuramos que trata-se de um grupo de mercenários chechenos e a revenda seria a Agrotek, localizada em uma área ocupada pela Rússia.

Apesar de ser recente a notícia na CNN, a denúncia da revenda foi realizada no início do mês de abril.

Os soldados teriam levado – no mínimo – duas colheitadeiras, uma S770 e uma S760, um trator M6165 e diversas plantadeiras Vaderstadt Tempo.

Para aproveitar a viagem, os russos ainda teriam levado 20 toneladas de óleo da revenda.

A empresa teria rastreado as máquinas até uma área agrícola Zakan-Yurt, na Chechênia. Confira os prints abaixo:

rastreio john deere

Equipamentos bloqueados

O que foi possível bloquear via revenda, já foi feito e muitas das máquinas vão ficar inoperantes. Um teste de força, desta vez para os hackers russos. Os números de série de todas as máquinas também já foram publicados.

A série de roubos de equipamentos vem se juntar ao desvio de grãos de cerealistas ucranianos e impedimento das atividades agrícolas nas regiões ocupadas.

Veja também

Russos roubam máquinas agrícolas de um revendedor ucraniano John Deere


25 de março de 2022

Ucranianos dizem que sistema da DJI está repassando dados de drones para os russos


AeroScope

Um oficial do governo ucraniano reclamou que o sistema Aeroscope, da DJI, está sendo usado para rastrear pilotos de drones domésticos, causando a morte de civis

AeroScope

O sistema AeroScope da DJI consiste na transmissão de um sinal criptografado diretamente dos drones, captado por receptores especiais que a empresa chinesa vende apenas para agências de governo. O sistema é útil para identificar a posição dos equipamentos (e de quem está pilotando) em caso de sobrevoo em áreas proibidas como aeroportos, por exemplo.

Acontece que o governo da Ucrânia está colocando em dúvida o sistema, insinuando que a a DJI (empresa chinesa fabricante dos drones) teria aguma cumplicidade com a Rússia no repasse dessas informações. Um receptor do AeroScope pode detectar um drone, em certas condições, em distâncias de até 50 km.

Acima: o post publicado no Twitter pelo oficial do governo ucraniano Mykhailo Fedorov: “Em 21 dias de guerra, tropas russas já mataram 100 crianças ucranianas. Eles estão usando produtos da DJI para orientar seus mísseis. @DJIGlobal, você tem certeza que quer ser cúmplice nestes assassinatos? Bloqueie seus produtos que estão ajudando a Rússia a matar os ucranianos!”

aeroscope

AeroScope, a mala dedo-duro da DJI que é vendida apenas para governos: é só abrir e descobrir a posição de todos os drones da vizinhança (e seus pilotos)…

aeroscope aeroporto

… e a sua versão mais “parruda”, para grandes áreas de interesse como aeroportos. O funcionamento é o mesmo, só muda o alcance.

A DJI respondeu sobre o AeroScope

Também pelo Twitter, a fabricante de drones mais popular do mundo disse que os drones são para uso civil e não militar e que o AeroScope presente nestes sistemas são mais um motivo para que não sejam usados em aplicações militares e que a funcionalidade não pode ser desligada. A nota (em inglês) completa pode ser lida aqui.

Uma boa reportagem sobre o caso está no site The Verge, em DJI DRONES, UKRAINE, AND RUSSIA — WHAT WE KNOW ABOUT AEROSCOPE Why DJI’s drones are a hot-button issue in the Ukraine-Russia war, de Sean Hollister.

Veja também

Exército americano manda retirar todos os drones da DJI de suas operações oficiais (Farmfor, 2017).


12 de março de 2022

Caminhoneiros fazem “marcha lenta” contra aumento do diesel na Europa


aumento do diesel

Caminhoneiros de vários países estão protestando contra o aumento do diesel na Europa, realizando manifestações nas estradas

Como em vários países do mundo, o preço dos combustíveis vem sofrendo grandes altas por conta da crise provocada pela guerra na Ucrânia. Quando somado a fatores econômicos locais e a situação da moeda, a situação fica ainda pior.

Caminhoneiros de diversos países da Europa estão revoltados com os aumentos do diesel. O preço médio na França hoje é de 2,20 euros o litro. Você pode acompanhar os preços por região e médio no país através do site Fuelo.

Segundo a página portuguesa Motoristas do Asfalto, especializada em transportes, neste sábado, 12 de março, caminhoneiros estão a caminho de Lille em protesto contra os autos aumentos do combustível. Na voz de um um dos transportadores que têm 70 carros o aumento vai ser de 1500 euros a mais por mês em cada caminhão. Anuncia que se isto se manter assim como está a empresa irá fechar portas nos próximos 3 meses.

Alemanha

Na região de Colônia, na Alemanha (vídeo acima) os caminhoneiros protestam nas estradas. O diesel subiu 21% em dez dias neste início de março, chegando a 2,32 euros de média no país. O barril de petróleo Brent chegou a US$ 130 no dia 9 de março, por conta do conflito na Ucrânia e as sanções impostas a Rússia, sendo o vilão de toda a crise (ou o principal).

preço do diesel na europa

Acima: card lamentando o preço do diesel na Europa ainda no início de março (o pior ainda estaria por vir) comparando o preço do barril de petróleo com gasollina e diesel em 2008 e 2022. Vale lembrar que o euro em 2008 valia cerca de US$ 1,5. Em 2022, é cotado a US$ 1,10 (10 de março). Fonte: Facebook Motoristas do Asfalto.

Com o conflito na Ucrânia sem data para acabar, ainda veremos muitos protestos por aí, de caminhoneiros até agricultores, obviamente grandes usuários de diesel e na linha de frente da crise.

 


2 de março de 2022

Quais são os maiores produtores de potássio do mundo em 2022?


produtores de potássio

produtores de potássio

Confira o ranking dos maiores produtores de potássio do mundo e os líderes do mercado global de fertilizantes

 

Canadá

Maior produtor de potássio do mundo, o Canadá produz 14 milhões de toneladas ao ano. A maior empresa produtora do país é a Nutrien, fruto da fusão em 2018 da Potash Corporation of Saskatchewan e da Agrium.

Rússia

A vice está com os russos, são 7,4 milhões de toneladas e a Uralkali é a maior empresa por lá.

Bielorrússia

O país que é parceiro histórico da Rússia produz 7,3 milhões de toneladas com a Belarusian Potash Company  e está com sérios problemas (já estava mesmo antes da Guerra da Ucrânia começar). Notem que “um Canadá” equivale a Rússia + Bielorrússia somados.

China

Os chineses produzem 5 milhões de toneladas, mas consomem 20% de todo o potássio do mundo.

Alemanha

A Alemanha produz 3 milhões de toneladas.

Israel

O pequeno país do Oriente Médio produz 2 milhões de toneladas e a Israel Chemicals é uma das maiores empresas do mundo no setor.

Jordânia

A Jordânia produz 1,5 milhão de toneladas através do processo de recuperação do mineral no Mar Morto, assim como Israel.

Chile

Nosso irmão latino produz 900 mil toneladas e priduz na mesma estrutura também o Lítio, importante matéria-prima para baterias.

Espanha

470 milhões de toneladas.

Estados Unidos

470 milhões de toneladas, empatado com a Espanha.

Laos

O país do sudeste asiático produz 400 milhões de toneladas.

 

Com dados da Potash Investing News e outras fontes.


2 de março de 2022

No embalo da guerra na Ucrânia, Irã vai trocar milho por fertilizante com o Brasil


guerra na ucrânia

Com as complicações do agro no cenário mundial, países buscam alternativas para o comércio de produtos

guerra na ucrânia

Segundo informações da imprensa do Irã, o país procura por alternativas no comércio de grãos, já que importa (ou importava) 60% do milho para consumo da Ucrânia. Se o conflito continuar, essa importação poderá ser realizada na totalidade do Brasil.

Segundo a iraniana Press TV, na próxima semana um navio carregado de ureia saírá do Irã com destino ao Brasil, para a troca (barter) por milho. Quem afirma é o presidente da Câmara de Comércio, Indústria e Agricultura Irã-Brasil, Fakhreddin Amerian.

Vale lembrar que a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, esteve recentemente no Irã para tratar deste tipo de comércio, entre outras questões.

O Irã exporta 400 mil toneladas de ureia por ano para o Brasil e pretente chegar em 2 milhões, segundo o ministro da agricultura Javad Sadatinejad.

exportações brasileiras para o irã

Exportações brasileiras para o Irã em 2021: o milho já era top, agora pode aumentar. Fonte: Comex-vis

Problemas no passado

Em 2019, um navio do Irã ficou parado por semanas no porto de Paranaguá, no Paraná, por conta da Petrobras. A estatal brasileira não queria abastecer as embarcações por conta de sanções do governo americano impostas ao Irã. O caso foi parar até no STF, que deu a ordem para que o abastecimento fosse realizado.

Veja também

Fertilizantes: Bielorrússia solta o verbo contra a Lituânia e diz que o país prejudica o Brasil


22 de fevereiro de 2021

Site diz que John Deere mentiu durante anos para os agricultores


john deere mentiu

john deere repair motherboard

A John Deere mentiu para os clientes sobre a facilitação do acesso aos tratores para manutenção. A constatação é fruto de uma investigação do site Motherboard que supostamente revelou as promessas da gigante das máquinas agrícolas em 2018 (leiam A briga entre agricultores e a John Deere virou documentário), no auge dos conflitos do movimento Right to Repair.

A John Deere teria prometido, através de representantes dela e de outras marcas, que deixaria mais acessível o uso de ferramentas de software para reparo e diagnóstico, começando em janeiro de 2021. Tudo está documentado aqui (em inglês) em uma espécie de carta de princípios.

Resumidamente (em uma tradução simples), a carta diz:

Na medida em que ainda não estiverem disponíveis, as informações de manutenção, diagnóstico e reparo listadas abaixo serão disponibilizadas aos usuários finais por meio de revendedores agrícolas autorizados em termos justos e razoáveis, começando com tratores e colheitadeiras colocadas em serviço em ou após 1º de janeiro de 2021.

Os usuários finais também poderão comprar ou alugar ferramentas de diagnóstico por meio de revendedores agrícolas autorizados. Certas informações e ferramentas poderão estar disponíveis mais cedo. Os revendedores agrícolas estão empenhados em fornecer acesso a:

• Manuais (Operador, Peças, Serviço);
• Guias de produtos;
• Demonstrações de serviço do produto, Treinamento, Seminários ou Clínicas;
• Informações de gerenciamento de frota;
• Diagnóstico On-Board via porta de diagnóstico ou wireless interface;
• Serviço de Diagnóstico Eletrônico de Ferramentas de Campo e treinamento sobre como usa-las;
• Outras publicações com informações sobre serviço, peças, operação e segurança.

Usando essas informações e essas ferramentas, que estarão disponíveis para compra, aluguel ou assinatura de revendedores, os agricultores serão capazes de identificar e reparar vários problemas que possam encontrar em seus equipamentos. FWEDA e CFBF suportam a capacidade dos usuários de equipamentos de manter, diagnosticar e reparar suas máquinas. No entanto, a capacidade de diagnosticar e reparar não significa o direito de modificar. Por segurança, durabilidade, motivos ambientais e de responsabilidade, informações e ferramentas de diagnóstico e reparo não permitirão que os consumidores façam o seguinte:

• Reinicialize um sistema imobilizador ou eletrônicos relacionados à segurança módulos;
• Reprogramar qualquer eletrônico unidades de processamento ou controle do motor unidades;
• Mudar qualquer equipamento ou configurações do motor afetando negativamente emissões ou conformidade de segurança;
• Baixe ou acesse a fonte código de qualquer proprietário incorporado software ou código.

Em função do conflito entre agricultores e a John Deere na época – muitos recorriam a softwares piratas para quebrar o código do trator e realizar manutenção – alguns estados americanos chegaram a planejar a criação de leis que obrigassem a John Deere a abandonar a ideia de bloquear eletronicamente a manutenção dos tratores, mas o comprometimento da empresa e a promessa da carta acalmaram os ânimos.

john deere mentiuJohn Deere mentiu?

Três anos depois, as coisas continuaram da mesma maneira. Para comprovar, o site Motherboard se fez passar por cliente e ligou para diversas revendas John Deere nos EUA, tentando comprar as ferramentas de software para liberação dos tratores., todas negaram a venda de imediato, deram uma enrolada ou disseram que só as autorizadas poderiam ter acesso a estes sistemas. O mesmo procedimento foi realizado também por um defensor do movimento Right To Repair, Kevin O’Reilly, mas com 11 revendas. Um relatório sobre esta pesquisa está disponível em inglês neste link.

Este novo capítulo da briga entre a John Deere o seus usuários deverá agitar o mercado. Talvez as partes fiquem no meio do caminho entre a liberdade para dar manutenção no próprio trator sem precisar ligar para a revenda, ficar dias inteiros parado e gastar milhares de dólares e a proteção da propriedade intelectual da empresa que investiu tempo e recursos no desenvolvimento dos produtos.

 

Veja também

Why American Farmers Are Hacking Their Tractors With Ukrainian Firmware

John Deere Lied For Years About Making Its Tractors Easier To Service

 


21 de dezembro de 2020

Mercenários russos explodem trator John Deere na Ucrânia


mercenários russos




Um tratorista da Ucrânia passa bem (com ferimentos leves) depois de um susto daqueles nesta segunda, 21 de dezembro: seu trator foi atingido por um lança-granadas enquanto voltava da lavoura com um arado. Os autores da façanha foram os russos. A região de Kamyanka está em conflito e grupos dos dois lados andam se estranhando. A notícia é do site 112 International.

O Lançador de granadas SPG-9 que abateu o John Deere. Foto meramente ilustrativa.

Acima: tweet sobre o trator abatido por mercenários russos.

Região do ataque. Fonte: Twitter de Michael MacKay.

Saiba mais

A Guerra Civil no Leste da Ucrânia, igualmente referida como Guerra na Ucrânia, Rebelião pró-russa na Ucrânia ou Guerra em Donbass, é um conflito armado em andamento na região de Donbass na Ucrânia. Desde o início de março de 2014, manifestações de grupos pró-russos e antigoverno ocorreram nos oblasts de Donetsk e Luhansk, que integram a região da Bacia do Rio Donets, na sequência da Revolução Ucraniana de 2014 e do movimento Euromaidan. Wikipedia.


14 de junho de 2020

Um trator folheado a ouro, direto da Ucrânia


trator folheado

O feliz proprietário de um MTZ achou que seria legal ter um trator folheado a ouro e não economizou para se destacar entre os demais. Tem louco pra tudo

Um trator folheado a ouro foi flagrado parado em um estacionamento na Ucrânia, já faz um tempinho. Desde então, as fotos viralizaram na internet. Trata-se de um Belarus MTZ 1221, feito na Bielorrússia.

Pesos, lataria e detalhes nas rodas receberam aplicação de ouro. Não há fotos do interior da cabine. Sobre a real motivação do proprietário, não existe certeza, mas a máquina também já foi vista em uma feira agrícola na cidade de Kiev, indicando que possa ser alguma ação de marketing permanente de alguma revenda Belarus na região.

Via Belarus Feed.


10 de setembro de 2019

Slavyanka, a plataforma stripper feita na Ucrânia


slavyanka

A empresa UKR Agro fabrica 3 versões da plataforma stripper, entre outros equipamentos para agricultura

A Plataforma Stripper é aquela diferentona que promete uma colheita mais eficiente e mais rápida, cortando o topo da planta. A mais conhecida no mundo agrícola é a da britânica Shelbourne Reynolds, mas esta empresa lá da Ucrânia também desenvolveu a sua.

Confira algumas fotos e vídeo no final do post.

Segundo o site da UKR Agro, sobre a Slavyanka:

  • A ausência de palha na massa de grãos economiza tempo e energia durante a colheita, transporte e moagem. Foi provado na prática que o uso de um cabeçote de decapagem requer 40-45% menos combustível que o convencional.
  • A carga nos elementos de trabalho da colheitadeira é significativamente reduzida, o que aumenta sua vida útil.
  • Para impedir que a haste saia do solo durante o corte, a colheitadeira deve se mover em alta velocidade. Assim, a produtividade do equipamento é aumentada em mais de uma vez e meia e, além disso, o tempo de colheita é reduzido.
  • Um efeito suave sobre o grão não o danifica, mantendo altas taxas de commodities.
  • Para fazer com que o espigão caia na área de trabalho do tambor, o ceifador dobra levemente as hastes. E isso significa que ela remove facilmente até as plantas mais acamadas, o que não é a característica de qualquer outra máquina semelhante.

Saiba mais sobre a plataforma stripper ucraniana no site da UKR Agro.


11 de maio de 2019

Veja quantas toneladas de soja compram um iPhone em diversos países


compram um iphone

Pesquisamos os preços do aparelho e as cotações em diferentes locais, como indicador do poder de compra de um agricultor

A soja é uma commodity vendida nos principais mercados do mundo e como tal seu preço varia de acordo com as cotações internacionais e disponibilidade no local. Já os sonhados (por quase todo mundo) iPhones variam de preço conforme a realidade dos impostos cobrados em cada país.

Pesquisamos o preço do iPhone XS de 64GB em diversos países e fizemos a conta: quantas toneladas de soja um agricultor precisa vender para comprar um aparelho? Considere a comparação apenas informativa, não analisamos os custos de cada produtor, é apenas um indicador da capacidade de compra nos diversos locais em uma abordagem totalmente informal.

Brasil

O agricultor brasileiro precisa vender 6,6 toneladas de soja para comprar um iPhone XS 64GB. Este preço (e os demais) são baseados nas cotações médias do dia 10 de maio de 2019 e no preço do aparelho nas lojas da Apple em cada país.

Rússia

Na Rússia, 7,85 toneladas compram o iPhone.

Argentina

Sem loja oficial, os irmãos da Argentina precisam de 12,05 toneladas para adquirir o smartphone.

Ucrânia

Assim como na Argentina, a Ucrânia não tem loja oficial da Apple, nem presença via site. De forma surpreendente, saem em vantagem: são “apenas” 2,78 toneladas para a compra.

Estados Unidos

No país da Apple, um agricultor vende 3,41 toneladas de soja para a compra de um iPhone XS 64. O aparelho custa US$ 999,00. Muitos americanos preferem comprar através da operadora, pagando bem pouco por mês, cerca de US$ 50,00.

Usamos esta brincadeira para lembrar que, apesar de trabalhar com um produto mundial, os agricultores são afetados durante a vida inteira em seus países em alguns casos com alta carga tributária e restrições de compra para certos confortos, como o de um telefone de alto padrão. Imaginem o resto.


24 de março de 2017

Agricultores americanos estão brigando com a John Deere, pelo direito de dar manutenção nos próprios equipamentos


Hackers da Ucrânia estão vendendo sistema que desbloqueia o trator e permite a troca de peças sem passar pela autorizada.

 

Antigamente, pouca coisa em um trator era elétrica ou eletrônica e a máquina era o reino absoluto da mecânica, bastando a experiência e algumas peças disponíveis para a resolução de problemas simples. Algumas vezes, no meio de uma propriedade distante vários km de uma assistência autorizada. Os tempos mudaram. Os computadores invadiram o mundo da mecânica e, com eles, os softwares. O trator passou a ser controlado nos mínimos detalhes pelos sistemas.

Como os tempos mudaram mas as distâncias entre propriedades e autorizadas ainda é muito grande, muitos agricultores americanos estão brigando com a John Deere e outras marcas, pelo direito de fazer a manutenção no próprio trator, sem precisar do desbloqueio via programação. Em alguns cenários, para a troca de uma transmissão, por exemplo, a John Deere cobra US$ 230,00 + US$ 130,00 a hora do técnico, só para ir até o trator, conectar o notebook e desbloquear a peça trocada no sistema.

Como resultado, já tem agricultor andando com trator “pirateado”, com um sistema desenvolvido na Ucrânia, que libera qualquer manutenção sem a necessidade de autorização da empresa. A prática de buscar estes programas no mercado negro é crime e pode dar cadeia nos Estados Unidos. É violação de direito autoral.

Na prática, quem compra um trator já não é mais dono. Licenciou grande parte do equipamento e vive abaixo de regras contratuais, limites para a garantia e riscos legais se alterar qualquer coisa.

 

No Brasil, um sistema muito parecido é usado para desbloquear os sensores dos motores diesel e enganar o sistema na falta do ARLA.

Não são muitas as alternativas para os agricultores no futuro quando a questão é software dentro das máquinas. Cabe ao usuário ficar com o velho trator, aceitar as condições dos novos modelos ou, quem sabe, adotar marcas que são flexíveis ou abrem a possibilidade de alteração em seus sistemas. Vale lembrar que existe um mundo novo chamado “open hardware”, que explora soluções abertas para vários mercados e o agro pode ser um deles, no futuro.

 



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