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5 de agosto de 2022

Comunismo ambiental: redução obrigatória de rebanhos vai destruir pequenos produtores na Irlanda


comunismo ambiental

Representante dos produtores de leite da Irlanda denuncia práticas governamentais para obrigar produtores a reduzirem rebanhos por conta das emissões de nitrato

comunismo ambiental

 

Comunismo Ambiental

Não se fala em outra coisa no setor agrícola da Europa: novas regulamentações ambientais com o pretexto de diminuir emissões de gases do efeito estufa cada vez mais colocam o futuro dos pequenos agricultores em risco, em diversos países do velho continente. Essas políticas já provocaram uma guerra na Holanda e nós comentamos aqui no texto Entenda a guerra dos agricultores holandeses contra o governo, publicado recentemente.

Agora, a reclamação vem da Irlanda. Pat McCormack, presidente da ICMSA, uma associação de produtores familiares de leite do país, denunciou que políticos do país e burocratas da União Europeia, estão criando limitações que vão prejudicar produtores já no ano de 2024 (ainda que digam que isso não vai acontecer).

O conjunto de regulamentações é chamado de Nitrates Derogation e existe farto material em inglês sobre o tema na internet.

Um exemplo: uma família que tem uma propriedade de 30 hectares e hoje trabalha com 85 vacas, será obrigada a reduzir o rebanho para 62 no ano de 2024, para atingir a meta de N por hectare que será de 220 kg. Isso provocará um impacto direto na economia de vários pequenos produtores na Irlanda.

Do site da ICMSA, destacamos a fala do presidente:

O Presidente do ICMSA, Pat McCormack, contradisse categoricamente as declarações dos Ministros do Governo que continuam a sustentar que a redução compulsória da agricultura familiar não precisa acontecer e não está sendo buscada. Longe de ser esse o caso, o senhor deputado McCormack disse que essa redução obrigatória já começou e só porque está a acontecer através da alteração do Regulamento de Nitratos não o torna menos prejudicial.

O Sr. McCormack disse que há agricultores familiares que terão que reduzir o rebanho no início de 2023 e podem ter que reduzir ainda mais em 2024 devido a políticas acordadas por este Governo, cujo efeito líquido será a remoção do nosso modelo de agricultura familiar e sua substituição com a escala industrial de fazenda que vemos em outros lugares. Esta política está sendo impulsionada pelas mudanças introduzidas no Regulamento de Nitratos que foram propostas e desenhadas pelo nosso próprio governo e não podem ser atribuídas à UE, disse ele.

No geral, o governo da Irlanda assinou um acordo para diminuir as emissões em 25% até o ano de 2030. Assim como na Holanda e no Canadá, governos miram diretamente na agricultura, como verdadeiros vilões contra o clima.

Matança de animais, tudo para “salvar o planeta”

Em novembro de 2021, o jornal The Guardian publicou matéria dizendo que a Irlanda sozinha teria que sacrificar 1,3 milhão de cabeças de gado (o país tem 7,3 milhões) para satisfazer as normas ambientais. Imaginem: um país menor que o estado de Santa Catarina, que por sua vez tem aproximadamente 4,5 milhões.

O agricultor brasileiro precisa estar atento ao que acontece no mundo. Afinal, alguns de nossos políticos e ativistas seguem a mesma cartilha: ferrando o produtor e aumentando o preço dos alimentos como efeito colateral.


6 de julho de 2022

Entenda a guerra dos agricultores holandeses contra o governo


agricultores holandeses

A batalha política por trás do conflito entre agricultores holandeses e o governo pode ser um sinal do que está por vir para todos os produtores de alimentos do mundo

agricultores holandeses

Os agricultores holandeses estão em pé de guera com o governo, mais uma vez. Os tratores estão nas ruas, estradas são bloqueadas e estão ocorrendo confrontos com a polícia, inclusive com tiros contra tratores em um dos bloqueios. Vamos fazer um resumo para que você entenda o que está acontecendo no país e qual foi a gota dágua.

Políticas ambientais

Faz tempo que a Comunidade Européia está criando políticas ambientais que afetam diretamente os agricultores de todo o continente. A Holanda em especial começou a costurar um acordo climático em 2011 com finalização em 2019. Nascem aí as Leis do Clima, o Acordo Climático Nacional (envolvendo os setores de energia elétrica, indústria, construção, trânsito e transporte e agricultura) e o Plano Nacional de Energia e Clima (NECP), entregue para a Comissão Europeia. Esta parte você pode conferir com mais detalhes no site do governo holandês, em inglês, neste link.

O governo da Holanda foi processado em 2013 por uma entidade chamada Urgenda Foundation, para que limitasse as emisões de dióxido de carbono dentro das metas estabelecidas por cientistas para reverter os “efeitos do aquecimento global” (pelo menos 25% até o final de 2020). O caso foi para a corte em 2019 e o governo perdeu.

A movimentação atual do governo holandês

O governo holandês afirma que quer reduzir as emissões de gases do efeito estufa em 49% até 2030 (em comparação aos níveis de 1990) e 95% até 2050. No dia 10 de junho último, o governo atualizou as metas e prometeu uma redução da poluição por nitrogênio em algumas atividades de até 70% antes de 2030. Algumas organizações agrícolas reagiram de imediato e prometeram manifestações para o dia 22.

Reforçando: as políticas de nitrogênio (na agricultura) miram diretamente na limitação da criação de gado, uso de fertilizantes e emissões do maquinário agrícola. 

Dito e feito. Na data combinada, 22 de junho – uma quarta-feira – milhares de agricultores se reuniram na cidade de Stroe, distante 70 km de Amsterdam, para alinhar forças e definir os rumos das manifestações. As políticas propostas pelo governo possuem o potencial de reduzir o rebanho holandês em 30% e eliminar atividade agrícola em milhares de pontos do país que estão próximos de áreas de interesse ambiental. É a destruição da agricultura holandesa.

agricultores protestam na holanda

Acima: concentração de centenas de tratores na localidade de Stroe, na Holanda. Foto: reprodução de vídeo publicado no Facebook pela LTO Noord. Acesse aqui.

marketing tratores

Marketing esperto: as associações holandesas criaram uma campanha com “cartelas de bingo” para que a população marcasse os tratores avistados durante a manifestação.

Após o grande encontro dos agricultores em Stroe, as manifestações começaram a se espalhar pelo país causando lentidão nas principais vias e bloqueios.

 

 

 

Vacas no Parlamento

No dia 28 de junho, produtores de leite levaram vacas para os portões do Parlamento Holandês em protesto. Vários agricultores começam a chegar com os tratores na cidade de Haia.

Agricultores holandeses recebem ajuda dos pescadores

No dia 5 de julho, os pescadores do país mostraram apoio aos agricultores usando seus barcos para criar bloqueios em algumas passagens importantes. Lembrando que a Holanda é cheia de canais e a navegação é importantíssima por lá. Nas cidades, o acesso a supermercados e centros de distribuição é dificultado e houve confronto com a polícia, que atirou contra um trator que tentava atravessar em local proibido na cidade de Heerenveen.

Os protestos continuam por boa parte da Holanda.

Resumo do resumo

Os agricultores holandeses estão nas mãos de um governo que cria planos orientados por pessoas com pouco ou nenhum conhecimento da área agrícola, ou pior, por filantropistas que sabem o que estão fazendo e que atividades pretendem destruir. Este pensamento sobre poluição, emissões de rebanhos e visões de futuro que incluem a transição total para um consumo de carne artificial (não é mesmo, Bill Gates?) estão ganhando poder e influência em diversas partes do mundo, inclusive no Brasil. É preciso estar atento.

PS. Como os agricultores holandeses costumam fazer grandes protestos, circulam na internet algumas notícias e postagens em redes sociais mostrando imagens antigas fazendo referência ao que acontece hoje. Cuidado.



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