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Extrema-esquerda ameaça agricultores na África do Sul

Perseguição, violência no campo e ameaça de confisco das terras vinda do próprio presidente. Este é o cenário no país.

 

Uma frase não sai da cabeça dos agricultores da África do Sul: expropriation without compensation (expropriação sem compensação), que significa a retirada das terras dos agricultores (especialmente dos brancos) sem qualquer pagamento.

A ameaça de confisco das propriedades sempre fez parte do discurso da militância esquerdista e da bravata presidencial, seja do excêntrico Jacob Zuma – que assumiu em 2009 e recentemente renunciou – ou do atual (e companheiro de partido do anterior), Cyril Ramaphosa.

Agora, a coisa “ficou séria”: uma proposta de emenda da constituição sul-africana permitindo que o governo retire as terras (de porteira fechada) dos fazendeiros e devolva as mesmas para os negros, passou no congresso do país com 241 votos a favor e 83 contra. Uma espécie de comissão de avaliação tem até 30 de agosto para revisar o texto.

A proposta de alteração da constituição veio de Julius Malema, líder da EFF (Economic Freedom Fighters). Não se engane com o nome: os caras são assumidamente marxistas-leninistas, anti-capitalistas e pegam pesado no discurso. Já disseram até mesmo que “não vão matar brancos no processo de confisco das terras, não ainda” e inflam uma militância em um país que já sofre com altos índices de corrupção, desemprego e violência.

 

 

“Um revolucionário deve se tornar uma fria máquina de matar, motivado por puro ódio” é a mensagem de amor em destaque em evento do EFF. Os ensinamentos de Che Guevara fazem sucesso entre o grupo.

 

A situação que já era ruim, agora piorou

A violência (especialmente no campo) aumentou muito nos últimos anos, com grupos de militantes invadindo propriedades rurais e matando fazendeiros brancos, pelo simples fato de serem brancos. Não há estatística confiável sobre ataques e assassinatos de fazendeiros no país, mas o Transvaal (uma espécie de sindicato rural) estima que em 2016 foram 345 ataques que resultaram em 70 mortes no campo.

O uso demagogo de um passado triste

Quando o Apartheid acabou na África do Sul, um processo de restituição de terras para os negros foi iniciado. Quase 80 mil pedidos foram aceitos entre os anos de 1994 e 1998, sendo que apenas 76 mil processos foram efetivados. Destes, 5800 cidadãos sul-africanos aceitaram receber um pedaço de terra. A ampla maioria preferiu receber dinheiro e tentar a vida na cidade, em uma “virada cultural” com pessoas já sem ligação com o meio rural, preferindo viver de salários.

Em pesquisas realizadas nos anos de 2016 e 2017 pelo Instituto de Relações Raciais da África do Sul (IRR), 84% dos negros declararam querer um governo que invista em desenvolvimento e geração de empregos, contra 7% que afirmam preferir governantes que promovam a redistribuição de terras como compensação pelos sofrimentos da época do Apartheid. O cenário parece descrever um governo populista que deseja forçar emoções que não existem na população, para embasar medidas que podem afundar (ainda mais) a economia e a situação social do país. E, mais do que nunca, as comparações com a desgraça ocorrida recentemente no Zimbábue, com a expulsão dos fazendeiros brancos do país, são frequentes.

Para saber mais

O site 24.com é rico em informações sobre a situação política da África do Sul.

 

 

Farmlands: o documentário da youtuber canadense Lauren Southern mostra a situação da África do Sul, como vivem os fazendeiros brancos e o que pensam alguns dos políticos e ativistas do país. O canal da Lauren possui diversos vídeos sobre o problema. Imperdível (mas em inglês).

site da EFF, que mostra como é o pensamento do grupo revolucionário.

Can a New President Really Solve South Africa’s Corruption Problem? The Atlantic.

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