Categoria: Política

3 de agosto de 2017

O Brasil é um dos países que menos ajuda o agricultor


Mesmo sendo um dos líderes no agronegócio mundial, o país é um dos recordistas negativos no suporte financeiro ao agricultor

 

A renomada consultoria Stratfor publicou uma análise sobre a situação da agricultura no comércio mundial, tratados comerciais e o comportamento dos países e blocos econômicos. Para quem domina o inglês, é uma ótima leitura, o estudo está no site da empresa (que cobra uma mensalidade para o fornecimento de análises, mas esta vai de brinde).

 

O texto apresenta uma informação importante através do gráfico acima: o Brasil é um dos países que menos ajuda o produtor rural, entre uma seleção de importantes players do mercado. Os dados vieram da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, OECD.

Entre China, União Européia, Rússia, Estados Unidos e Austrália, o Brasil só vence a terra dos cangurus no índice que demonstra a participação dos incentivos governamentais no percentual de lucro dos agricultores. E esta ajuda, tipicamente, vem de políticas de preços mínimos e pagamento de fertilizantes.

A intervenção estatal na economia é um debate constante entre diversas tendências, mas o fato é que não importando a estratégia interna, os países estão sempre disputando o mercado mundial com outras nações extremamente protetoras, que jogam até mesmo com políticas sanitárias para forçar negociações e, no final, quem pode mais, chora menos.

 


13 de maio de 2017

Se o campo não planta, a cidade não janta


se o campo não planta

A frase é conhecida em protestos e imagens motivacionais pela internet. Mas é chegada a hora de observar com atenção onde no mundo a “janta” já está em sério perigo

 

O site inglês Devon Online postou recentemente um relato sobre a situação da agricultura no Reino Unido. No texto, o destaque para a cobertura de uma palestra ministrada por um jornalista da BBC, responsável por assuntos referentes a vida selvagem. Como brincadeira – que logo virou uma constatação séria – o homem declarou que uma das espécies em extinção no Reino Unido era a dos agricultores.

O centro da questão está no financeiro das propriedades rurais, que faturam para viver um pouco além da subsistência, sem sobra de caixa para investimentos em maquinário (só para começar). No setor do leite, os agricultores de lá aumentaram a dívida com os bancos em 1 bilhão de libras nos últimos 2 anos.

Apenas 50% dos alimentos consumidos no Reino Unido são de produção local (dois anos atrás, algumas fontes indicavam até 60%) contra 80% em meados dos anos 80. Novos hábitos de consumo, com alimentos típicos de outros locais, aumento da população e sazonalidade colaboram com este quadro.

O palestrante ainda denunciou as práticas de grandes redes de supermercados que baixam os preços para “manter os consumidores felizes” e lembrou dos perigos sempre assombrando a agricultura, como grandes epidemias e questões climáticas. Na Espanha, recentemente, um clima nada favorável fez as hortaliças sumirem do mercado, com hotéis em desespero pagando até R$20,00 por um simples pé de alface.

O papel do governo

Nós já falamos aqui no blog sobre os agricultores ingleses que receberam dinheiro do governo para não plantar. Estas alterações no mercado podem ser benéficas em termos ambientais, como no exemplo citado, mas alguém sempre paga a conta. Empregos são perdidos e a vocação para a atividade rural simplesmente some em alguns locais. Pessoas que prestam serviços para propriedades precisam trocar de ramo ou desistir desta atividade.

Por outro lado, o comércio de alimentos é uma questão de segurança nacional e governos, via de regra, vão adotar qualquer medida para manter o fluxo de alimentos garantido para a população, sem importar a origem e prejuízo local. Vão importar trigo ainda que matem de fome o triticultor do próprio país. Adicione todo o emaranhado de políticas de subsídios na União Européia no problema, antes do brexit.

Os agricultores são parte de um todo

Dentro da economia do Reino Unido, a produção agrícola representa 26 bilhões de libras, contra 103 bilhões do mercado de alimentos como um todo. Aquele pacote de bolachas Oreo pode conter trigo, soja, derivados do leite, mas outros jogadores entraram nesta equação para que o consumidor coloque na boca o produto. Com um poder de barganha do tamanho do mundo, se algo acontecer ao agricultor local, o pacote poderá chegar importado, todo fabricado em outro país. Por uma ironia do destino, um local onde agricultores talvez nem sofram as mesas exigências ambientais.

Espelho para o agricultor brasileiro

É preciso estar atento ao que acontece no mundo quando o assunto é agricultura, para repensarmos o modo de produção e comercialização de produtos agrícolas no Brasil. Muito além do preço das commodities, o “ser agricultor” é o valor a ser monitorado e o que acontece hoje nos países desenvolvidos pode ser o nosso amanhã, mas sem o colchão cultural e as instituições centenárias destes países. União, cooperativismo e pacificação com o intermediário devem entrar na pauta. É preciso colocar mais produtos na cesta, como valor geográfico, compromisso de entrega e segurança, cobrando por isso.

A solução não está no governo. A saída começa no seu vizinho de cerca.


21 de fevereiro de 2016

Declaração de Aptidão ao PRONAF – DAP


pronaf

É o instrumento que identifica os agricultores familiares e/ou suas formas associativas organizadas em pessoas jurídicas, aptos a realizarem operações de crédito rural ao amparo do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar – PRONAF, em atendimento ao estabelecido no Manual de Crédito Rural MCR, do Banco Central do Brasil,

BENEFICIÁRIOS

Além dos agricultores familiares, são também beneficiários e devem ser identificados por Declarações de Aptidão ao PRONAF para realizarem operações ao amparo do Programa:
I – Pescadores artesanais que se dediquem à pesca artesanal, com fins comerciais, explorando a atividade como autônomos, com meios de produção próprios ou em regime de parceria com outros pescadores igualmente artesanais;
II – Extrativistas que se dediquem à exploração extrativista ecologicamente sustentável;
III – Silvicultores que cultivem florestas nativas ou exóticas e que promovam o manejo sustentável daqueles ambientes;
IV – Aqüicultores que se dediquem ao cultivo de organismos que tenham na água seu normal ou mais freqüente meio de vida e que explorem área não superior a 2 (dois) hectares de lâmina d’água ou ocupem até 500 m 3 (quinhentos metros cúbicos) de água, quando a exploração se efetivar em tanque-rede;
V – Quilombolas que pratiquem atividades produtivas agrícolas e/ou não agrícolas, de beneficiamento e comercialização de seus produtos;
VI – Indígenas que pratiquem atividades produtivas agrícolas e/ou não agrícolas, de beneficiamento e comercialização de seus produtos.

Acesse o site do MDA – Ministério do Desenvolvimento Agrário

Acesse o DAPWEB

Cartilha de Acesso ao PRONAF



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