Categoria: Clima

4 de outubro de 2021

Google será capaz de prever chuva com duas horas de antecedência


Sistema desenvolvido pela empresa DeepMind usa dados meteorológicos e Inteligência Artificial para atingir 89% de acerto na previsão de chuvas

 

A empresa DeepMind desenvolveu um novo sistema com Inteligência Artificial para prever chuvas com duas horas de antecedência, usando diversos dados. A DeepMind fica em Londres, na Inglaterra e foi adquirida pelo Google em 2014.

Para chegar no nível de acerto (89%) e tempo para previsão de duas horas, o sistema analisa imagens de radar de alta resolução geradas em curtos intervalos de tempo. E com mais dados alimentando o software, mais cenários a Inteligência Artificial poderá criar para chegar na previsão. É a tecnologia chamada de Modelo Generativo. Quem quer se aprofundar na pesquisa pode acessar o paper do projeto neste link em inglês.

É como analisar milhares de vídeos com jogadores chutando a bola no gol de fora da área, até que o computador comece a adivinhar onde a bola vai entrar apenas vendo o chute em vídeos futuros, baseado em tudo o que já foi catalogado: posição do pé, força, vento e outras variáveis.

google deepmind

A cobertura da análise é de 1536 km X 1280 km em torno do radar que capta as imagens.

Os setores com maior potencial de benefício para o Nowcasting são a agricultura, eventos, aviação e segurança pública.

A Deepmind atua também em projetos para medicina, redes de computadores neurais e ficou famosa em 2016 quando seu software ganhou de um humano no jogo Go. A façanha virou até mesmo documentário na Netflix.

Veja também

Google Tel Aviv: um trator no vigésimo andar

 


27 de fevereiro de 2020

Naomi Seibt, a Greta Thunberg “da direita”


Conheça a adolescente alemã de 19 anos que é uma jovem voz contra o alarmismo climático e já incomoda o politicamente correto mundial

Naomi Seibt é uma jovem alemã de 19 anos que vem chamando a atenção pelo discurso político, praticamente o inverso da pirralha sueca Greta Thunberg.

A fama começou mesmo depois da participação de Naomi como palestrante em eventos do Heartland Institute, um centro de estudos libertário americano, alinhado com o presidente Donald Trump. Bastou para a mídia carimbar Naomi Seibt com a marca de “menina paga por instituto de extrema-direita aliado de Trump para negar o aquecimento global” ou “a queridinha dos negacionistas do aquecimento global“.

A ativista participou de um painel do Heartland Institute realizado durante a conferência da ONU para o Clima realizada na Espanha no último dezembro. Agora, participa do CPAC 2020, principal evento conservador da América.

 

Algumas falas de Naomi Seibt

“Mudanças climáticas causadas pelo homem” virou um tópico tão inquestionável que todos que ousam expressar um mínimo de ceticismo são imediatamente marcados como negacionistas do clima. Entre aqueles que nos classificam, estão os que tendem a nos chamar de nazistas, sem perceber que esta é uma forma de zombar da severidade do holocausto. Pessoalmente, prefiro o termo “realista do clima”.

No contexto de um tópico extremamente científico, você deveria dar ouvidos a uma menina de longos cabelos loiros dando uma palestra? Sim, exatamente! A pergunta “por que você está está ouvindo uma menina?” é a mesma que eu faço para as pessoas que saem para protestar no Fridays for Future* toda semana como os adoradores da Greta.

 

 

Naomi Seibt

Você ainda vai ouvir falar da menina da Alemanha que ousou desafiar Greta Thunberg. Dependendo do canal escolhido, com os piores adjetivos.

Veja também

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Conservative group hires German teen Naomi Seibt to rival Greta Thunberg’s climate views

German teen Naomi Seibt, the darling of climate change deniers

Adolescente que contesta mudanças climáticas vira anti-Greta da extrema-direita

* Fridays for Future é uma iniciativa de greve escolar (por parte dos estudantes) para combater as mudanças climáticas, iniciada por Greta Thunberg na Suécia.


17 de outubro de 2019

Granizo assusta no Rio Grande do Sul


granizo

Cidades do norte do estado foram atingidas por forte chuva com granizo na tarde desta quinta, destruindo lavouras e propriedades

Os grupos de Whatsapp ligados a agricultura estão recebendo diversos relatos de agricultores (e também do pessoal da cidade) sobre a intensidade do granizo que caiu nesta quinta. O tamanho das pedras também espanta.

Cidades como Lagoa Vermelha, Caseiros, Itapuca foram atingidas (fotos acima). O estrago foi grande também nas lavouras da região.

https://www.facebook.com/farmfor/videos/708514582978160/

Saiba mais: Temporal de granizo causa estragos em Lagoa Vermelha (Diário da Manhã – Passo Fundo).


18 de fevereiro de 2019

Onda de frio mata 1600 bovinos em um dia nos EUA


Onda de Frio

Tempestades de neve e ventos de até 128 km/h também causaram estragos em propriedades do estado de Washington

Pecuaristas da região de Sunnyside, no estado de Washington, nos EUA, amargaram prejuízos e a morte de mais de 1600 bovinos por conta da onda de frio inédita para a localidade.

As propriedades por lá são, na maioria, preparadas para o clima quente da região: galpões sem paredes e instalações sem proteção para eventos desta magnitude. Com o frio que chegou rapidamente, o gado se acumulou nos cantos das estruturas e muitos acabaram morrendo pelo frio intenso ou por machucados causados pelo agrupamento. Outras 28 cabeças foram sacrificadas por conta dos ferimentos.

Os prejuízos, só em animais, ficaram em 3,2 milhões de dólares, sem contar a perda na produção. Nenhum produtor ou funcionário ficou ferido no incidente, que exigiu um trabalho heroico para a tentativa de deslocamento dos animais e improviso com coberturas emergenciais, até mesmo com montes de feno, sem muito resultado.

Propriedades em regiões mais baixas ou cercadas por montanhas não foram afetadas pela onda de frio que chegou rapidamente, durou cerca de 24 horas e causou todo este prejuízo.

Após toda esta tragédia, produtores e autoridades ainda precisam lidar com toda uma logística para dar o destino correto para centenas de carcaças e ainda desbloquear estradas e permitir o acesso até as áreas atingidas.

Saiba mais no site Capital Press (em inglês).


15 de junho de 2018

Clima: o que esperar para as safras de inverno e verão?


Clima

Clima: previsão climática destacada no III Fórum Estadual do Agronegócio pode animar os produtores rurais do Sul

Antes do plantio das culturas de lavoura, diversos produtores se preocupam em olhar a previsão do tempo. O clima, que é uma incógnita, é um dos fatores decisivos para uma boa safra. O engenheiro agrônomo e meteorologista Marco Antônio dos Santos, da Rural Clima/SP, que palestrou no III Fórum Estadual do Agronegócio, acredita que os gaúchos terão condições favoráveis para os plantios. “Os produtores terão duas condições que as lavouras de inverno, como trigo e cevada, gostam: umidade e temperatura baixa”, diz.

 

 

Para a safra de verão, Santos destaca que a tendência é de que em setembro e outubro ocorram chuvas um pouco acima da média esperada para a época, o que pode atrapalhar o início do plantio das culturas. No entanto, ressalta que este atraso não deve trazer prejuízos aos produtores.  “Há uma tendência para que depois de outubro as chuvas se normalizem, voltem a ser mais regulares e espaçadas até o final do verão, ou seja, o Rio Grande do Sul vai ter um clima excepcional tanto no inverno quanto na safra 2018-2019”, finaliza.

 

Sobre os Fóruns

 

O fórum é realizado desde o ano de 2016 e conta com a presença de produtores rurais da região, estudantes de áreas relacionadas, técnicos agrícolas e empresas do setor. Neste ano, a questão climática foi incluída na programação após uma sugestão de conteúdo vinda dos outros anos, visto que o clima é um fator chave para os agricultores.

A programação de sexta-feira acontece até a noite, onde será realizada a palestra magna com o ex-ministro da Agricultura e Abastecimento, Roberto Rodrigues.  No sábado, as palestras iniciam pela manhã e seguem pelo turno da tarde.

 


26 de abril de 2018

Boato do “pior inverno dos últimos 100 anos” coincide com o lançamento da previsão de verão do Farmers’ Almanac


Almanaque americano publicado desde 1818 usa fórmula secreta para prever o clima.

 

Os mais velhinhos vão lembrar do Almanaque Biotônico Fontoura, tradicional publicação brasileira que foi produzida entre 1920 e 1985, chegando ao final da vida com tiragem de 100 milhões de exemplares. O almanaque tinha de tudo, de dicas de saúde até curiosidades científicas.

Nos Estados Unidos, a tradição dos almanaques é bem mais antiga. Um deles, o Farmers’ Almanac, iniciou as atividades em 1818 e existe até hoje, com o livrinho e site. A publicação possui um “método secreto” para a previsão do clima, baseado em observações das manchas solares e que foi criado por Robert B. Thomas, em 1792. Acima de tudo, o almanaque americano é uma obra de entretenimento, assumidamente. Algumas vezes, acertam 80%. Outras, 55% e por aí vai.

 

 

No dia 17 de abril, o Farmers’ Almanac lançou a sua “previsão de verão”, apontando que a estação nos EUA será muito quente, mais úmida e com mais tempestades. Na mesma semana, alguns sites brasileiros especializados na área de “assuntos pitorescos”, lançaram fake news sobre um suposto inverno mais frio dos últimos 100 anos. As notícias foram desmentidas pelo site Boatos.org, pela Band e pela Metsul.

 

 

O inverno (como deve ser) começa no Brasil no dia 21 de junho.


11 de abril de 2018

A NASA não tem uma máquina de fazer chuva. É boato!


Testes com motor de foguete aguçaram a imaginação da internet.

 

Corre pela internet a notícia sobre uma “máquina de fazer chuva” desenvolvida pela NASA. Alguns portais e canais do Youtube vão fundo na teoria da conspiração e afirmam que o sistema faz parte de um plano engenhoso para alterar o clima ou acabar com a vida no planeta Terra.

A verdade é bem mais interessante.

A NASA testa motores de foguetes ainda no solo e o SR-25 (o monstro das fotos abaixo) é um dos maiores, desenvolvido para os ônibus espaciais da agência americana e que será usado nas próximas missões. Algumas versões do boato utilizam imagens do RS-68, outro modelo.

 

 

 

 

De fato, os testes geram uma enorme nuvem de vapor na exaustão do motor, que sobe aos céus em uma imagem muito interessante. Este vapor acaba virando pingos dágua no espaço ao redor. Nada além.

O motor SR-25 custa 50 milhões de dólares. Adicione estrutura da base de testes, pessoal e logística: melhor comprar um sistema de irrigação. É bem mais em conta!


7 de janeiro de 2018

Previsão do tempo pelo baço do porco


Baço do porco: uma sabedoria dos antigos, muito comum no leste europeu.

 

Uma prática dos antigos e ainda em uso nos círculos tradicionalistas das comunidades rurais, lá no leste europeu: a previsão do tempo através da “leitura” do baço do porco, durante o abate.

O procedimento tem regras. O animal deve ser abatido no outono ou no início do inverno. Um “baço de primavera” não é capaz de fornecer os dados com precisão.

Com o baço na mão, o leitor divide mentalmente em seis pedaços a peça – cada parte representa um mês do ano – começando a investigação pela extremidade mais próxima da cabeça do animal.

 

Baço do porco na mão de homem

 

Onde o baço fica mais grosso, está a indicação de um clima mais severo (mais frio). Uma protuberância, tempestades mais sérias. Outras diferenças no órgão podem indicar muito vento ou chuvas.

É claro que hoje em dia, a comunidade científica ri de certas crendices populares como a previsão do tempo pela leitura do baço. Ironicamente, estas tradições são criadas muitas vezes por várias leituras que dão certo, com precisão aceitável para os padrões da época.

 

Homem com carcaça de porco

 

A tradição na Romênia

 

O canal do Youtube Turism Bucovina, da Romênia, tem um vídeo fantástico onde é exibido o abate de um suíno em uma pequena comunidade rural daquele país (eles comentam sobre a leitura aos 4:30 do vídeo). Nós recomendamos a visualização pois muitos dos seguidores do Farmfor vão lembrar de alguns procedimentos, comuns em todo o mundo rural.


9 de julho de 2017

Um resumo sobre geadas


Trabalho escolar sobre o tema, realizado em 2008.

INTRODUÇÃO

Segundo J. ZULLO JR. (2005), a geada, no domínio popular, ocorre quando há a ocorrência de deposição de gelo sobre plantas e objetos expostos ao relento. Em meteorologia define-se como uma condição de ocorrência provisória de estados de baixa energia, ocorrendo toda a vez que a temperatura da superfície atinge zero ºC. Na agronomia entende-se por fenômeno atmosférico que provoca danos às plantas em função da baixa temperatura, que acarreta congelamento dos tecidos vegetais, ou plasmólise.

Segundo Melo-Abreu (2008) As geadas ocorrem quando uma massa de ar é substituída por outra mais fria (geadas de advecção), ou quando há acentuado arrefecimento noturno, resultante principalmente da falta de nuvens e concomitante baixo valor da radiação da atmosfera (geadas de radiação). Neste caso, em que o balanço noturno da radiação é muito negativo e há pouco vento, o ar vai arrefecer por baixo, em contacto com a superfície fria, e como a agitação do ar é baixa, esta perda de calor vai fazer-se sentir até a uma altura que não cessa de aumentar durante a noite de geada.

Dentro da camada de ar que é arrefecida pela superfície, a temperatura sobe em altura (i.e., dá-se uma inversão térmica), o que contrasta com o que acontece durante o dia na troposfera, em que a temperatura desce com a altura acima da superfície.

TIPOS DE GEADAS

Geada Branca

É a geada de radiação, com deposição de gelo sobre as plantas e a típica coloração branca sobre a vegetação. Acontece em noites sem nebulosidade e sem vento. Após o congelamento do orvalho, com a contínua perda de temperatura, o vapor d’água do ar em contato com a superfície fria passa diretamente para o estado sólido, depositando-se sobre a planta, daí a coloração esbranquiçada característica.

Geada Negra

Ocorre quando o ar está muito seco e o resfriamento na superfície vegetal é muito intenso, fazendo com que o frio queime completamente as folhas e congele a seiva. Neste caso o ponto de orvalho é mais baixo que a temperatura negativa letal atingida pelos órgãos vegetais. Não se deve confundir geada negra com geada de vento, pois esta é causada por ventos frios, caracterizada por queimar apenas uma face da planta.

Geada de Canela

Em noites estáveis, com o resfriamento intenso devido à perda de calor para o espaço, o ar frio, por ser mais denso, acumula-se próximo à superfície, formando um gradiente, denominado de inversão térmica, por ser justamente a condição contrária do que ocorre durante o dia. Assim, a temperatura mínima próximo à superfície pode atingir valores negativos, enquanto próximo à copa dos cafeeiros os valores podem ser 3 a 4ºC mais elevados. Quando a temperatura junto ao tronco cai abaixo de -2ºC ocorrem danos aos tecidos externos que podem levar a planta à morte. Este dano é denominado de “geada de canela” ou “canela de geada”.

Geadas Quanto à Freqüência

As geadas severíssimas ocorrem 3 vezes por século e provocam danos severos em grandes regiões. As severas ocorrem em média a cada 6 a 10 anos afetando as produções dos anos vigentes e subseqüentes (ex. 1979,). As moderadas ocorrem em média a cada 3 ou 4 nos provocando danos superficiais e geada de canela (J. ZULLO apud A.P. CAMARGO).

MÉTODOS DE PREVISÃO DAS GEADAS

Através da observação dos fenômenos que precederam as grandes geadas do último século, foi possível a criação de sistemas de alerta com antecedência de dias ou horas baseados em todos os mecanismos que favorecem, por exemplo, o avanço das massas de ar polar no continente sul americano.

O período de inverno é o mais estudado na literatura e julho é o mês mais significativo. Durante o período maio-setembro, toda a Região Sul sente os efeitos típicos do inverno. Sucessivas e intensas invasões de frentes de altas latitudes trazem, geralmente, chuvas abundantes seguidas por massas de ar muito frio. A entrada dessas massas é acompanhada de forte queda de temperatura que atinge valores pouco superiores a 0C, e não raramente chega a temperaturas negativas, proporcionando a ocorrência de geadas (Nimer, 1979).

Parmenter (1976) analisa a geada ocorrida em julho de 1975, na América do Sul. Ele descreve a entrada de um sistema frontal pelo Chile e Argentina o qual nove dias depois atravessa o Equador, na Venezuela. Com a entrada da massa de ar polar, atrás do sistema frontal, as temperaturas baixaram muito em todo o Brasil, incluindo a região central do País.

Tarifa et al. (1977), descreveram também a situação dos danos causados pela geada de 1975 à cafeicultura no Estado de São Paulo. O principal resultado descrito é: o grau de resfriamento na superfície, que está associado à posição e à intensidade do centro do anticiclone polar. No Estado de São Paulo a pressão mínima foi 1028 hPa e a máxima foi 1030 hPa. Este episódio ocorreu na periferia do anticiclone polar e não no seu centro como era esperado por ser a área de maior calmaria e limpidez da atmosfera.

Muitos outros trabalhos citam os danos causados por geadas no Brasil tais como Ometo (1981), Almeida e Torsani (1984), Almeida et al. (1982), Fortune (1981). O episódio de geada que ocorreu em 1979 foi estudado por Fortune (1981). Os objetivos eram buscar sinais no Oceano Pacífico, que pudessem dar indicações para uma previsão de geadas; acompanhar as condições especiais que permitem a profunda penetração de ar frio no país e obter mapeamento das temperaturas vistas nas imagens de satélites. Os resultados mostraram que uma onda longa do Pacífico amplifica-se, fornecendo um sinal da provável ocorrência de geadas no sul do Brasil com 3 a 4 dias de antecedência.

No Brasil, destaca-se o trabalho do IAPAR (Instituto Agronômico do Paraná) com seu serviço “Alerta Geada”, desde 1995, em parceria com a EMATER, disponibilizando boletins por e-mail ou via telefone para agricultores sobre a possibilidade da ocorrência do fenômeno, aliado a instruções e procedimentos para as culturas afetadas conforme o estágio da planta. O serviço é gratuito e funciona de maio a setembro.

DANOS CAUSADOS POR GEADAS

Os danos por frio variam de acordo com a cultura; cada espécie tem sua própria temperatura letal. Deve-se notar ainda que algumas plantas sofrem dano mecânico por conta do peso do gelo.

Queima Superficial

É quando somente as folhas e pontas de ramos são levemente queimados, com os ramos continuando vivos e também as folhas localizadas na parte interna da planta.

Queima Parcial

Já é uma queima um pouco mais intensa, normalmente atingindo folhas e ramos da parte superior da planta, sem atingir o tronco. É comumente denominada de “capote” e sem dúvida compromete a safra do ano agrícola seguinte.

Queima severa

É quando acontece uma queima intensa de folhas e ramos, chegando muitas vezes a atingir grande parte do tronco dos cafeeiros, provocando a morte dessa área. Este tipo de queima compromete totalmente a safra futura.

Estrangulamento do Caule – Cultura do Café

Aparece apenas em cafeeiros novos, ainda sem “saia”, devido ao acúmulo do ar frio entre a copa da planta e o solo.

Essa lesão no tronco, logo abaixo dos primeiros ramos dos cafeeiros, causa a morte dos tecidos da casca e interrompe o fluxo da seiva elaborada que vai alimentar o sistema radicular. Com o enfraquecimento e até morte de parte do sistema radicular, na parte aérea surgem sintomas de deficiências  nutricionais. A tendência da planta é emitir brotação logo abaixo do local da lesão.

Muito embora essa lesão ocorra por ocasião da geada, principalmente em cafeeiros novos localizados em baixadas onde há acumulação de ar frio, somente alguns meses depois é que se começa a notar sintomas de deficiências na parte aérea dessas plantas. O efeito não é generalizado na lavoura, aparecendo em “reboleiras”, ou seja, em plantas dispersas pelo cafezal.

A evidência da lesão pode ser constatada raspando-se a casca das plantas suspeitas, que mostrarão a casca seca e até um pequeno “estrangulamento” no local, quando abaixo disto, o caule continua totalmente verde e em condições de brotar (THOMAZIELO).

TÉCNICAS DE PREVENÇÃO AOS DANOS POR GEADAS

Segundo MELO-ABREU (2005), os métodos de prevenção às geadas podem ser indiretos (passivos) ou diretos (ativos).

São métodos indiretos a seleção do local e melhoramento, a utilização da espécie ou variedade adequada ao local de plantio escolhido bem como a época adequada ao desenvolvimento.

A seleção do local de cultura visa o escoamento do ar frio para as áreas de menor cota, a possibilidade da existência de massas de água (diminuidoras da freqüência de geadas), proximidade de grandes massas rochosas ou sebes vivas (diminuem a taxa de arrefecimento das superfícies próximas), a influência do tipo de solo na freqüência e severidade das geadas e as paisagens (obstáculos ao escoamento do ar e fontes de ar frio).

São métodos diretos as coberturas, nevoeiros artificiais, aquecimento direto do ar, rega por aspersão e ventilação forçada, todos estes visando diminuir os efeitos durante a ocorrência da geada.

As coberturas possuem diferentes recomendações quanto ao tipo de cultura. Os filmes plásticos, populares na olericultura, não podem ser usados para a cobertura de uma árvore, neste caso recomenda-se o uso de tecidos (BRADLEY, 1998).

A Serragem Salitrada no Combate À Geada

Segundo CAMARGO, a combustão da serragem salitrada constitui um dos meios mais práticos e baratos de obter, artificialmente, a turvação atmosférica para o combate à geada de irradiação, que é a única forma de manifestação severa do fenômeno em São Paulo. Essa mistura neblígena foi desenvolvida pelos técnicos da “Comissão de Estudos para a Defesa contra a Geada” do Paraná e tem o mérito de utilizar matéria prima de fácil obtenção, podendo ser preparada, sem dificuldade, na própria fazenda. A eficiência do uso da serragem salitrada no combate direto às geadas depende fundamentalmente das condições ambientes no momento da aplicação. Bons resultados são muito difíceis de serem obtidos, motivo pelo qual o método deixou de ser recomendado há alguns anos. Portanto, a tentativa de uso é de responsabilidade exclusiva do interessado.

IMPACTOS ECONÔMICOS

Os danos causados às mais diferentes culturas na região sul do Brasil são de grande monta, mesmo em anos sem a ocorrência de geada severa, por quebra na produção e desvalorização dos produtos. Ainda que a contabilidade total das perdas por municípios e estados por vezes não alcance um número significativo (Ex. 15%) o prejuízo é bem pontual, sendo que alguns produtores podem ter perda total, afetando gravemente a economia de localidades distintas.

Segundo o site Portal do Agronegócio, as perdas na segunda safra de milho paranaense (2008) alcançam a 1,3 milhão de toneladas, cerca de 19,24% em relação à produção inicialmente esperada. As geadas foram de intensidade moderada a forte nas regiões oeste, centro e sudoeste do Estado, com perdas mais acentuadas nas seguintes regiões:

Campo Mourão (302,9 mil toneladas – 25,7%), Cascavel (398,6 mil toneladas – 39,8%), Francisco Beltrão (37,5 mil toneladas – 17,2%), Maringá (159,0 mil toneladas – 22,3%), Toledo (406 mil toneladas – 24,6%).

A GRANDE GEADA DE 1975 NO PARANÁ

No dia 18 de junho de 1975 o norte do estado do Paraná foi atingido por uma geada que dizimou por completo a produção de café. O episódio é conhecido até hoje como a “Grande Geada Negra do Paraná”. A colheita da safra já estava encerrada quando aconteceu o fenômeno, sendo de 10,2 milhões de sacas ou 48% da produção brasileira. No ano seguinte, a produção foi de 3,8 mil sacas, deixando o estado, antes líder mundial de produtividade, totalmente fora da produção nacional. Dados do INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) apontam que na mesma época, uma seqüência assustadora de geadas ocorreram em toda a Região Sul, além dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul e até no sul e oeste de Mato Grosso e sul de Rondônia.

A potente onda de ar frio de 1975 atravessou completamente a linha do Equador levando queda de temperatura em Estados como Amazonas e Roraima. No continente sul-americano, durante o inverno, a insurgência de ar polar em algumas situações adquire características peculiares com a formação de um centro de alta em níveis baixos e médios, denominado Poço dos Andes, que é o principal indicador da ocorrência de geadas.

CONCLUSÃO

Mesmo sendo um fenômeno que provoca danos econômicos por vezes irreparáveis, prejudicando diversas cadeias de produção, o combate às geadas e o melhoramento das ferramentas para a previsão mais acertada ainda são incipientes no país. Se uma parcela dos prejuízos previstos nas quebras fosse investida em mais estações meteorológicas, programas de incentivo ao plantio correto, financiamento para estufas e equipamentos de proteção com tecnologias diversas a agricultura não seria tão vulnerável ao fenômeno.

BIBLIOGRAFIA

ZULLO, Jurandir. Desastres Naturais e Agricultura. In: FÓRUM PERMANENTE DE ENERGIA & AMBIENTE, 2007.

MELO-ABREU, João Paulo De. Previsão da Ocorrência de Geada e de Geladura. In: JORNADAS TÉCNICAS “A IMPORTÂNCIA DA METEOROLOGIA NA AGRICULTURA”, 2008. Beja, Portugal.

BRADLEY, Lucy. FROST PROTECTION, University of Arizona, 1998.



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