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Pós-graduação para militantes do MST

O Movimento dos Sem Terra (MST) tem expandido suas atividades na área educacional. Recentemente, o primeiro curso de especialização em Educação e Agroecologia foi criado no Extremo Sul da Bahia para viabilizar a formação de educadores que atuam na Educação do Campo, em áreas de Reforma Agrária na Bahia.

O início foi no dia 14 de janeiro de 2019 na Escola Popular de Agroecologia e Agrofloresta Egídio Brunetto (EPAAEB), que é um centro de formação política do MST.

Em 2017, militantes do Movimento haviam visitado a escola, momento em que se destacou a necessidade de ampliar as relações internas do grupo em todo território nacional.


Pela necessidade de construir um intercâmbio de experiências no campo da produção agroecológica e alinhar a luta política com outros movimentos e organizações populares, a EPAAEB havia recebido na ocasião uma comitiva de representantes da prefeitura de Maricá e militantes do MST do Rio de Janeiro para conhecer e estudar sobre os conceitos e práticas agroecológicas com o objetivo de implementá-las no estado.

No texto “Educação e Agroecologia: Bioconstruindo a Escola Popular de Agroecologia e Agrofloresta Egídio Brunetto”, publicado no IX Congresso Brasileiro de Agroecologia, prova-se que a escola é um braço do Movimento:
Nesta perspectiva na agroecologia enquanto uma matriz tecnológica que possibilita a construção de territórios para a produção alimentação saudável e de recuperação dos bens da natureza. Contrapondo o atual modelo de desenvolvimento no campo. A partir desta proposta que surgiu a necessidade de se criar um espaço que contribuísse para a construção da agroecologia nesta região. Desta maneira, desde o ano de 2012 o MST vem construindo a Escola Popular de Agroecologia e Agrofloresta Egídio Brunetto de forma coletiva, a partir do trabalho de agricultores e agricultoras dos assentamentos. [grifo nosso]

Conforme descrito no site Usina Ctah sobre o Projeto Político-Pedagógico da escola, o vínculo entre campo e política é imprescindível para o desenvolvimento das atividades:


O Projeto Político-Pedagógico da Escola, baseado na agroecologia, que se distingue da agricultura convencional, expressa a luta política que exige uma educação com intencionalidade e criticidade diante das contradições e conflitos sociais da luta de classes. A opção pela agroecologia não é neutra, tampouco a opção pela pedagogia freireana, pois leva em consideração que cada modo de produção produz também o seu espaço. 


O que mais espanta é descobrir, com a leitura do edital do processo seletivo do curso de especialização lançado, que a escola estar recebendo apoio das seguintes instituições: o Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Paulo Freire da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB/ Campus Paulo Freire) em parceria com a Universidade do Estado da Bahia (UNEB/Campus X) e Instituto Federal Baiano (IFBaiano/ Campus Teixeira de Freitas).

Com foco em pesquisa nas áreas de Agroecologia e Educação do Campo, o curso tem um total de 420 horas, tendo encontros quinzenais nas sextas-feiras à noite e sábados pela manhã e à tarde. O curso será realizado em quatro módulos, e terá duração mínima 2 de 14 meses e máxima de 18 meses, com duas linhas de pesquisa:

• Linha de Pesquisa 1: A Agroecologia designa um campo de conhecimentos, saberes e práticas interdisciplinares, incluindo o cultivo familiar da terra, a produção de alimentos saudáveis, a preservação dos ecossistemas e sua biodiversidade, as práticas de comercialização direta, a economia popular solidária, as políticas públicas, o consumo consciente, o destino e o tratamento adequado dos resíduos, elementos fundamentais para a construção da sustentabilidade.

• Linha de Pesquisa 2: A Educação do Campo constitui uma nova concepção de formação de trabalhadores/as do campo, rompendo com a noção tradicional de educação rural, a qual tem como referência básica o produtivismo. A Educação do Campo constrói-se na interface com a agroecologia, com a pedagogia da autonomia e da alternância, com a educação crítica, criativa e libertadora, com a defesa da democracia e o fortalecimento da cidadania ativa.


Com o propósito principal fomentar a articulação entre diferentes áreas do conhecimento e dos saberes populares bem como entre diferentes práticas educacionais e experiências em agroecologia com vistas à formação de profissionais comprometidos com a sustentabilidade socioambiental, em específico, tem como objetivo: a) Compreender as bases da agroecologia, da educação do campo e da ecocidadania, considerando a diversidade biológica, sociocultural e os processos naturais que sustentam a vida, bem como estudar os princípios e as práticas da economia popular solidária, do cooperativismo, da ajuda mútua e da comercialização direta; b) Analisar experiências em agroecologia como forma de superação de modelos sociais e de produção insustentáveis, a fim de fortalecer a consciência sobre a importância da soberania e da segurança alimentar no campo e na cidade; c) Estimular a autonomia e o espírito crítico, criativo e participativo, apontando para a necessidade de uma nova racionalidade socioambiental; d) Realizar pesquisas que contribuam para o resgate de saberes e experiências dos agricultores/as e para a geração e validação de tecnologias adaptadas à realidade da agricultura familiar; e) Fortalecer a educação do campo, incorporando a dimensão da agroecologia 3 como um pilar estratégico na discussão da vida, da soberania e da alimentação saudável e elevando a formação docente de educadores/as do campo; f) Elaborar ferramentas metodológicas de auxílio ao trabalho docente de educação em agroecologia nas escolas do campo.


O curso foi ofertado com 30 (trinta) vagas, das quais 15 (quinze) vagas serão oferecidas na Linha de Pesquisa 1 e 15 (quinze) vagas na Linha de Pesquisa 2, distribuídas segundo as seguintes categorias:

Para compreender a legenda das Categorias: AC – Ampla Concorrência; C1 – Egressos de bacharelados ou licenciaturas autodeclarados indígenas, negros ou quilombolas; C2 – Gestores públicos das áreas de políticas agrícolas, sociais, de ciência e tecnologia, educação profissionalizante, economia solidária, assistência social, desenvolvimento social; C3 – Pesquisadores de autogestão, cooperativismo e economia solidária; membros de organizações-não-governamentais (ONG); C4 – Participantes de movimentos sociais; agentes de desenvolvimento solidário; trabalhadores de cooperativas; C5 – Professores das redes pública e privada de ensino, principalmente das escolas do campo. C6 – Pessoas com Deficiência.

Cesar Augusto Cavazzola Junior, advogado e colunista do site Lócus Online, de Passo Fundo, RS.

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