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11 de fevereiro de 2020

Swed-Trac, o trator sueco perdido no passado


Swed-trac

A Swed-trac durou poucos anos na Suécia, reinando absoluta como a única fabricante de tratores no país no final dos anos 80

Hoje em dia, são poucas as informações na internet sobre a Swed-trac, uma empresa sueca que começou em um galpão (literalmente) fabricando tratores com algumas peças da polonesa Ursus. Tudo era construído de forma artesanal.

O “Super” Swed-trac customizado fazendo pulling em competição. Créditos: iOWNaFERGUSON.

O empreendimento durou pouco, de 1985 até 1988, após falir por uma série de fatores: alto custo dos modelos, mercado em baixa e acusações de fraudes financeiras. A Swedtrac era a única fabricante sueca na época.

A marca usava a cor preta com detalhes dourados como característica.

Swed-trac e seus modelos

Foram fabricados 30 tratores entre 1985 e 1986 (motor Scania DN8 139 hp), 26 entre 1986 e 1987 (o mesmo motor Scania DN8) e apenas 2 em 1988 (motor Scania DN9/DSI9).

Após o encerramento das atividades, alguns tratores foram vendidos diretamente pela massa falida da empresa, desmontados em forma de kit, para quem quisesse se aventurar na construção por conta própria.

Saiba mais

Swed-Trac – traktortillverkaren som fick det tufft.

O Super SwedTrac.

Tratores antigos no Blog do Farmfor.


28 de julho de 2017

A maior fazenda do mundo (em 1866)


Texto enviado ao jornal The New York Times, em 1866, descreve uma super propriedade rural

 

Um leitor do jornal Cincinnati Inquirer (EUA), nos idos de 1866, descreveu o que seria, na sua opinião, a maior fazenda do mundo.

 

“Notei um texto em sua última edição sobre uma fazenda de 8000 acres no condado de Bureau, Illinois, o que pode ser considerada uma grande propriedade. Mas a fazenda que é, sem dúvida alguma, a maior do mundo com área plantada, acredito eu, é a de propriedade de M. L. Sullevant, outrora das cercanias de Columbus, Ohio, agora do condado de Champaign. Ele possui e gerencia mais de 70000 acres da melhor terra do hemisfério, 23000 destes são cercados, realmente cultivados e melhorados. O resto é para a criação de gado.

Eu arriscaria dizer que lá não se acha 5 acres de terra inservível nos 70000 do senhor S. Sua produtividade é inatingível. Quase a totalidade da operação é conduzida com máquinas que economizam o trabalho. Assim estima-se que um homem realiza o trabalho de 4 ou 5, como é a realidade nas propriedades pequenas. Ele instala suas cercas com a força do cavalo. Ara a terra com pás Comstock. Ceifa, colhe, faz cargas e descargas e empilha o seu feno com a força dos cavalos. Cultiva seu milho por máquinas modernas. Ele drena seus banhados com máquinas, assim todos os seus empregados podem realizar o trabalho facilmente, como andar de charrete.

Eu tive o prazer de estar presente quando ele colheu 1000 acres de seu trigo. Isto era feito com 10 escravos*, cerca de 10 ou 20 homens e e 20 cavalos cortaram e empilharam cerca de 200 acres por dia, e trabalhavam melhor do que à maneira que já vi em outras ocasiões pelo método antigo.

Para descrever todas as modernas práticas empregadas neste tipo de agricultura, eu precisaria de mais espaço do que você reservaria. Como se não bastasse toda esta tecnologia que poupa o trabalho, o sr. S. emprega até 200 homens, 200 cavalos e mulas e uma boa quantidade de bois. Não tenho os dados exatos, por isso não vou arriscar a falar sobre os enormes lucros da propriedade, em bushels ou toneladas. Alguma estimativa pode ser feita pelo tamanho da propriedade, mas deve-se levar em conta que a qualidade do solo é inigualável.”

Publicado em 26 de agosto de 1866.
Texto de propriedade do The New York Times.
* A abolição da escravatura nos EUA ocorreu em 1863, e o termo usado no texto original foi o infame niggers, censurado pelo jornal com um singelo risco seguido de um ‘s.


19 de abril de 2016

Histórico da mecanização da agricultura, do carro de boi aos dias de hoje


Invenções, novas práticas e fatos históricos da agricultura, nos últimos séculos.

 

 

As máquinas agrícolas são as grandes estrelas nas feiras por todo o mundo, e não é diferente aqui no Brasil. As principais marcas colocam seus tratores, colheitadeiras e pulverizadores que podem custar milhões de reais em exposição, atiçando os sonhos de muitos produtores. De uma forma ou de outra quase todas estas maravilhas mecânicas evoluíram ao longo dos séculos à partir de idéias simples, modificando a vida das famílias de fazendeiros de forma irreversível, trazendo melhor produtividade e quebrando paradigmas.

Conheça aqui um pouco da história destes inventos nos EUA e no mundo, em que época eles surgiram e como realizavam as tarefas no dia a dia da fazenda.

Século XVI ao XVIII

Carros de boi e cavalos para a tração, arados de madeira e semeadura manual, cultivo na base da enxada e colheita com foice. A debulha com o malho. Pensem que na época nem todos tinham condições para a compra de animais para tração.

1776-99

1790. Melhoramentos na colheita com a evolução das foices.

1793. A descaroçadeira de algodão é inventada.

1794. Thomas Jefferson testa o primeiro arado com menor resistência.

1797. É patenteado o primeiro arado de ferro fundido.

Anos 1800

1819. Jethro Wood inventa o arado com partes intercambiáveis.

1819-25. Começa nos EUA a indústria da comida enlatada, e no mundo esta revolução foi incentivada principalmente pela necessidade militar por conservação de comida para as tropas. Podemos dizer que aqui nasce a agroindústria.

1834. O “ceifador McCormick” é patenteado, junto com as primeiras tentativas de colheita mecanizada.

1837. John Deere e Leonard Andrus fabricam arados com lâminas de aço, melhorando também a forma para que a terra não grude.

1837. A máquina debulhadeira/separadora de sementes é patenteada. Esta invenção merece nota: na Europa o advento destas máquinas causou revolta nos trabalhadores por conta do medo da perda de empregos devido à mecanização. Também na época em muitos locais o único líquido confiável para beber era a cerveja. A novidade, somada a operários quase sempre bêbados, provocou a morte ou amputação de vários operadores, muitos inclusive sugados para as máquinas através das roupas.

1840. O uso crescente da mecanização faz com que os fazendeiros precisem de mais dinheiro para acompanhar o ritmo, forçando o nascimento da agricultura comercial.

1841. A primeira semeadeira. Os projetos para semeadura automática inspiraram, alguns anos depois, o inventor Richard Jordan Gatling para a construção da primeira metralhadora, a Gatling Gun.

1842. É construído o primeiro elevador de grãos em Buffalo, NY. Dart Elevator, o primeiro elevador de grãos. Movido à vapor. O desenho dos elevadores não mudou muito durante todos estes anos.

1845. A praga da batata na Irlanda, grande imigração para os EUA.

1847. Começa a irrigação em Utah.

1849. Os fertilizantes químicos começam a ser vendidos nos EUA. Em 1842, na Inglaterra, John Benne Lawes registra o método para tratar fosfato com ácido sulfúrico e produzir superfosfato, e abre por lá sua fábrica (168 anos depois estamos brigando em Anitápolis, SC).

1850. População mundial: 1,2 bilhões. Os EUA possuem 23 milhões de habitantes, 11 milhões vivem no meio rural e os fazendeiros representam 64% da força de trabalho americana, em 1,5 milhões de fazendas. Aumenta o mercado para os produtos agrícolas e a busca por melhores tecnologias.

1854. Os moinhos de vento são aperfeiçoados.

1862-75. Começa a transição em massa da tração humana para animal, caracterizando a primeira revolução na agricultura.

1868. Tratores movidos à vapor são testados.

1869. Grade de molas e o início do plantio em linhas.

1870. Começa o uso dos silos.

1870. Popularizado o uso de poços artesianos.

1874. O arame farpado é patenteado e, com ele, nascem as cercas.

1880. Willian Deering coloca no mercado 3000 ceifadeiras capazes de enfardar o que era colhido. Esta invenção modificou até mesmo as fábricas de cordão.

1890. Separadores de creme (leite) são amplamente usados.

1890-99. Os EUA já consomem cerca de 2 milhões de toneladas de fertilizantes por ano.

1890. Aumenta o uso de mecanização.

Anos 1900

1900. O consumo anual de fertilizantes sobe para 3,7 milhões de toneladas.

1910-15. Começa o uso de grandes tratores nas lavouras.

1910-19. O consumo médio de fertilizantes comerciais passa a ser de 6 milhões de toneladas anuais.

1918. Pequenas colheitadeiras à motor são testadas.

1926. Primeiro trator de pequeno porte desenvolvido.

1930. Tratores para todo o uso, com pneus de borracha e maquinário auxiliar são amplamente usados (até então eram grandes rodas de metal).

1940. Consumo anual de fertilizantes: 13 milhões de toneladas. 1 fazendeiro supria a necessidade de alimentos de 11 pessoas, aproximadamente.

1941-45. O uso de comida congelada é popularizado.

1942. Começa o uso de colhedoras de algodão automatizadas.

1945-70. A agricultura americana troca o cavalo pelo motor, práticas tecnológicas são adotadas e é caracterizada a segunda revolução agrícola.

1950-59. Consumo anual de fertilizantes: 22 milhões de toneladas.

1950. 1 fazendeiro supria 16 pessoas.

1954. O número de tratores nas fazendas excede o número de cavalos e mulas pela primeira vez. Neste mesmo ano é usado pela primeira vez o termo Agronegócio, por John Herbert Davis.

1950-60. A amônia é amplamente usada como fertilizante (uma fonte barata de nitrogênio), aumentando o rendimento das lavouras.

1960-69. Consumo anual de fertilizantes: 32 milhões de toneladas.

1960. 1 fazendeiro supre a necessidade de 26 pessoas.

1965. 99% das beterrabas são colhidas mecanicamente.

1968. 96% do algodão é colhido mecanicamente.

1970. O plantio direto é popularizado. Um fazendeiro supre a necessidade de 76 pessoas, desta vez em todo o mundo.

1980. Mais fazendeiros adotam o plantio direto para evitar erosão.

1989. A venda de máquinas agrícolas aumenta, enquanto mais produtores adotam práticas sustentáveis para diminuir o uso de produtos químicos.

Anos 2000

CLAAS Lexion 590R pode colher duas toneladas de milho por minuto. Apenas 2% da população americana trabalha no campo. As sementes transgênicas produzem polêmicas e ao mesmo tempo ganham mercado. O mundo discute a produção e a forma de fazer a agricultura, desde orgânicos até experiências com fazendas verticais.



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