Tag: Grãos

2 de maio de 2022

Grain Weevil, o robô que quer proteger a vida dos agricultores nos silos


Grain Weevil

Grain Weevil

O Grain Weevil foi desenvolvido por estudantes americanos e serve para movimentar os grãos no topo dos silos, evitando ou diminuindo as entradas nas estruturas

Ben Johnson e Zane Zents, ambos estudantes da Universidade de Nebraska, nos EUA (engenharia elétrica e ciência da computação), já estavam envolvidos com projetos de robótica quando receberam o pedido de um amigo: construam um robô para que eu ou meus filhos jamais entrem em um silo de grãos. O medo não é por pouco: os acidentes em silos nos Estados Unidos mataram 20 pessoas só em sufocamentos no ano de 2020.

Além dos acidentes, o ambiente ainda causa doença nos pulmões em trabalhadores com muitos anos de exposição ao pó dos grãos. Com o temor do amigo, os dois partiram para criar uma solução com um enorme mercado em vista: são 450 mil fazendas nos EUA com armazenagem própria de grãos.

grain weevil farmfor

Dois anos depois, saiu o resultado: o Grain Weevil é um robô do tamanho de um cortador de grama que se locomove no topo dos grãos armazenados através de duas roscas sem fim. Com o movimento, o grão é “remexido” e crostas ou acúmulos são dissolvidos. Melhor ver a gambiarra em ação para entender:

 

O robô ainda está em fase de desenvolvimento e já passou por 200 propriedades nos EUA para testes. Por enquanto, ele ainda se movimenta por controle remoto, mas a autonomia (tal qual um aspirador de pó robótico) está por vir, bem como sensores diversos para informar ao produtor a situação dos grãos.

Desde o seu lançamento, o projeto já recebeu vários prêmios e apoio de diversas entidades americanas. O robozinho foi muito bem recebido pela comunidade agrícola e tem tudo pra dar certo.

Saiba mais

Grain Weevil – Site Oficial


2 de março de 2022

No embalo da guerra na Ucrânia, Irã vai trocar milho por fertilizante com o Brasil


guerra na ucrânia

Com as complicações do agro no cenário mundial, países buscam alternativas para o comércio de produtos

guerra na ucrânia

Segundo informações da imprensa do Irã, o país procura por alternativas no comércio de grãos, já que importa (ou importava) 60% do milho para consumo da Ucrânia. Se o conflito continuar, essa importação poderá ser realizada na totalidade do Brasil.

Segundo a iraniana Press TV, na próxima semana um navio carregado de ureia saírá do Irã com destino ao Brasil, para a troca (barter) por milho. Quem afirma é o presidente da Câmara de Comércio, Indústria e Agricultura Irã-Brasil, Fakhreddin Amerian.

Vale lembrar que a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, esteve recentemente no Irã para tratar deste tipo de comércio, entre outras questões.

O Irã exporta 400 mil toneladas de ureia por ano para o Brasil e pretente chegar em 2 milhões, segundo o ministro da agricultura Javad Sadatinejad.

exportações brasileiras para o irã

Exportações brasileiras para o Irã em 2021: o milho já era top, agora pode aumentar. Fonte: Comex-vis

Problemas no passado

Em 2019, um navio do Irã ficou parado por semanas no porto de Paranaguá, no Paraná, por conta da Petrobras. A estatal brasileira não queria abastecer as embarcações por conta de sanções do governo americano impostas ao Irã. O caso foi parar até no STF, que deu a ordem para que o abastecimento fosse realizado.

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Fertilizantes: Bielorrússia solta o verbo contra a Lituânia e diz que o país prejudica o Brasil


7 de agosto de 2019

Soja podre no silo: prejuízo causado por falta de manutenção


Soja Podre

O canal da Sonne Farms no Youtube mostra o prejuízo causado por infiltração em silo metálico da propriedade localizada em Dakota do Sul

O Sonne Farms é mais um daqueles canais de Youtube mantidos por agricultores e que mostram o dia a dia nas propriedades rurais americanas, como falado aqui no blog no texto Agricultores viram youtubers e ganham mais dinheiro que na lavoura nos EUA.

Neste vídeo, o produtor mostra os prejuízos causados pela entrada de água pela ventilação localizada no topo do silo metálico. O problema foi detectado quando o chupim começou a entupir com blocos de soja empedrada. Assistam:

Importante: o vídeo recebeu vários comentários sobre o perigo de caminhar assim nos grãos, dentro de um silo metálico, especialmente onde estão blocos de grãos danificados pela infiltração de água da chuva. A audiência está bem consciente.

Detalhe do prejuízo causado pelas goteiras.
Vista aérea do silo na propriedade.

No vídeo, além de demonstrar os danos nos grãos, o produtor também compartilha o trabalho de manutenção das janelas de ventilação com a aplicação de silicone. Para as variações climáticas da região (incluindo aí muita neve no inverno), melhor seria uma reforma mais séria.

Por aqui, muita gente ainda sonha com o armazenamento na propriedade. Para quem já conseguiu, todo cuidado é pouco.


11 de maio de 2018

A maior lavoura de trigo do mundo


maior lavoura




Recorde canadense de 1951 ainda não foi batido e o plantio é cheio de histórias.

 

A foto que ilustra a capa deste post é meramente ilustrativa: a maior área contínua plantada com trigo foi semeada no Canadá, em 1951. A incrível marca de 14160 hectares foi obtida por produtores associados na cidade de Lethbridge, no estado de Alberta, figurando imbatível no Livro dos Recordes, até a presente data.

A área do plantio pertencia a uma reserva indígena canadense, demarcada para a Tribo Blood. Os quase 15 mil hectares estavam arrendados e delimitados para o uso de uma escola de artilharia aérea, literalmente um local protegido para a explosão de bombas jogadas pelos aviões da No. 8 Bombing & Gunnery School. Parece estranho para a nossa realidade, mas os índios cobravam aluguel da Força Aérea Canadense.

 

Índios bons de negócio: terras arrendadas para a Força Aérea.

 

Com o fim do uso da área pela escola de artilharia, o espaço demarcado foi negociado com um grupo de agricultores da região. O terreno plano e cercado por uma única cerca originou a maior lavoura de trigo já plantada no planeta terra. Em um único “talhão”, por assim dizer.

 

 

 

Maior Lavoura

 

A região de Lethbridge continua com forte tradição agrícola e pouco mudou. A reserva indígena continua firme e forte e a paisagem é repleta de pivôs de irrigação. Confira imagens da área no Google Maps.

 


22 de janeiro de 2016

Evolução dos Custos na Propriedade e a História de Leonardo David Müller, do Rio Grande do Sul.


custos

O Leonardo postou no Facebook alguns números sobre custos na propriedade e teve milhares de compartilhamentos. Vamos detalhar esta história aqui no Blog do Farmfor.

 

Com um post simples no Facebook, Leonardo atraiu a atenção de muita gente na rede social ao mostrar alguns números de sua propriedade ao longo dos anos. Evidenciou a dificuldade para manter a lavoura produtiva e ainda ironizou com bom humor no final escrevendo “Mas tudo bem, não tem inflação… Agricultor ganha dinheiro… E tá tudo bem no país…”.

Convidamos o agricultor para mandar mais informações para o Blog do Farmfor e o mesmo atendeu prontamente. Conheça um pouco da história do Leonardo e sua família, agricultores na cidade de Coqueiros do Sul, no Rio Grande do Sul. Nos próximos parágrafos, o depoimento do Leonardo em primeira pessoa.

Com a palavra, Leonardo!

Meu nome é Leonardo David Müller e sou a quarta geração a administrar uma propriedade rural em Coqueiros do Sul. O início se deu por volta de 1938, quando meu bisavô adquiriu as terras e lá montou uma serraria. Meus avós se casaram e lá foram morar, sendo as propriedades ao redor também da família, onde moravam os irmãos de minha avó. Cada um tinha um papel na serraria, meu avô era o administrador e também encarregado de puxar as toras do mato nos dias de chuva. Com a vinda da II Guerra Mundial, além do desaquecimento das vendas, a serraria, por ser propriedade de alemães, foi obrigada a fechar.

Então, as matas que haviam sido derrubadas deram lugar a pequenas lavouras, já que os empregados não tinham trabalho, foi cedido para cada qual um pedaço de terra para poder plantar e ter o que comer. Após a guerra a serraria reabriu, mas as lavouras continuaram. No final dos anos 60, meu avô com problemas de coluna e após o fechamento da serraria, mudou-se para Carazinho e para continuar a lavoura estabeleceu o regime de parceria agrícola, onde meu o mesmo entrava com as terras e outra pessoa com o serviço. Despesas e resultados eram divididos então em 50% para cada um.

No final dos anos 80, a saúde de meu avô foi piorando e minha mãe foi se inteirando dos assuntos e auxiliando na administração. Em 1991, com a morte de meu avô, minha mãe assumiu o papel, eu, um piazinho na época apenas observava. Em 1994 faleceu meu pai, que embora não se envolvesse na lavoura, tinha seu papel de “conselheiro”. Em 1996 o regime de parceria foi desfeito e acabou num acordo onde acabamos ficando sem nenhuma máquina para continuar o trabalho. Para que a lavoura não parasse, optou-se na época por arrendar a terra a terceiros. Terminei o ensino médio e iniciei a faculdade em Porto Alegre, aguentei a cidade 2 anos e meio e em 2000 acabei retornando para Carazinho para trabalhar (coisa que lá não conseguia devido aos horários de estudo) e continuar a faculdade por aqui.

Final de 2001, decidimos por retomar as atividades de lavoura, na época foi vendida uma casa que possuíamos e o dinheiro empregado para dar início na lavoura, o que me permitiu a compra antecipada de insumos e consequente redução no custo inicial (situação única até o momento). Porém, sem máquinas, a alternativa foi partir para o aluguel com os vizinhos, pagando hora de trator e percentual na colheita. Em 2004 comecei a comprar máquinas novamente, todas usadas, algumas novas que estou até hoje pagando.

De 2002, onde foi realizado o primeiro plantio até hoje, tive muitos anos ruins na agricultura, que na verdade me ajudaram. Ajudaram a não dar um passo maior que a perna, a não esperar sempre colheita cheia, enfim, a lidar com os altos e baixos da lavoura e que, por fim, moldaram a forma que tenho de administrar tudo, ponderada, sem excessos e sempre com um pé atrás e um olho pra frente.

Trago algumas tabelas, com valores de custos e resultados de produtividade. Nelas, cabe salientar e percebem-se alguns detalhes importantes: em primeiro, este custo e resultado é meu e provavelmente muito diferente de outros agricultores, cada caso é um caso em agricultura, há peculiaridades de cada região e em segundo, torna-se evidente a alta contínua dos custos e pela minha experiência/opinião, decorrentes da falta de concorrência o que acaba tornando certos setores “oportunistas”.

 

Cada alta do dólar traz um aumento da soja e dos insumos, com uma diferença: na queda do dólar o valor da soja acompanha e dos insumos acaba não descendo tudo de volta. O que pode ser notado no adubo, em 2002 a relação de troca (meu caso foi compra de quase um ano antecipada e, portanto destoante dos demais, com uma relação de 6 sacos de soja para 1 tonelada de adubo) de em torno de 10 sacos de soja por tonelada de adubo, para no dia de hoje, em torno de 25 sacos de soja para 1 tonelada de adubo; 2002 foi um ano atípico, onde no início do ano a tonelada custava em torno de 180 reais e em virtude da eleição e disparada do dólar, perto do plantio o valor passava longe dos 300 reais. O adubo representava de 25 a 30% do custo na época e hoje representa 50%. Minhas compras são hoje em sua maior parte, realizadas no sistema de troca, onde faço um levantamento da necessidade de insumos e fico devendo em soja para pagamento na safra. Alguma coisa ainda é feita via custeio bancário, mas 90% é nesse sistema.

Optei por ele por me trazer uma segurança no que devo. No ano de 2004 tivemos uma das piores secas da história e a lavoura foi formada com soja perto dos 40 reais o saco e na colheita, além da quebra enorme, o preço caiu para os 20 e poucos reais, ou seja, se eu precisava de 20 sacos para pagar as contas quando plantei, terminei a safra precisando de 40 sacos para pagar as contas. Esse foi o ano que parti para o sistema de trocas, o que me trouxe segurança e crescimento.

Hoje a situação de custos da lavoura é completamente diferente da de 2002. Em 2002 usava-se, esporadicamente, fungicida para doenças de final de ciclo e só, inseticida caso aparecesse alguma lagarta. Hoje em dia são 3 a 5 aplicações de fungicida em virtude da ferrugem. Inseticida é obrigatório em função de lagartas e outras pragas (eu optei pelo uso da tecnologia intacta, que me permite a redução de inseticida para lagartas, mas aumento do custo da semente). A mão de obra representa hoje, um elevado custo. Para a redução desses custos, acabei optando por assumir a maioria das operações de campo. Todas essas questões mais que duplicaram os custos fixos da lavoura, sim, a produção aumentou também, mas esta aumenta em torno de 1 a 5% ao ano, os custos perto dos 10%. Resultado visível nos gráficos.

Enfim, a profissão de agricultor hoje, envolve a parte agronômica, administrativa e financeira com ajuste muito fino entre elas. Foi-se o tempo em que se aplicava o que queria e na hora que queria na lavoura. Hoje isso passa por um estudo: é viável? Trará resultado que compense o gasto? Após isso é decidido, ao menos da minha forma de administrar. Cansei de conversa de vendedor, foco no resultado, de nada me adianta gastar 100 reais para retornar 100 ou menos. Isso, do meu ponto de vista, é despesa inútil e com o clima sempre pondo tudo em risco, pode nem retornar. Portanto, sigo por aqui, esperando que a situação do país melhore e possa trazer não só para meu ramo, mas para todos uma esperança de dias melhores.



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