Tag: Economia

13 de março de 2021

Plano Collor Rural: suspensão dos processos judiciais é retirada


Plano Collor Rural

Plano Collor Rural

Novidades no Plano Collor Rural

Um boa notícia para os nossos agricultores. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal – STF – retirou a suspensão dos processos judiciais de produtores rurais que pedem a devolução de valores do Plano Collor Rural referentes à diferença das taxas de juros dos financiamentos bancários na década de 1990.
A medida permitirá o prosseguimento das ações para que produtores rurais recebam os créditos referentes à diferença de índices verificadas no mês de março de 1990. Na época, os agricultores viram as taxas de juros dos financiamentos no Banco do Brasil saltarem de 41,28% para 84,32%. Espero que agora cessem os recursos judiciais de um processo que se arrasta há anos e finalmente os produtores de todo Brasil possam receber os valores que pagaram a mais.

Via divulgação – Senador Luis Carlos Heinze.

Plano Collor Rural

O Plano Collor foi o nome dado ao conjunto de reformas econômicas e planos para estabilização da inflação criados durante a presidência de Fernando Collor de Mello entre 1990 e 1992.

O plano era oficialmente chamado de Plano Brasil Novo, porém, foi tão associado a figura do presidente Collor, que ficou conhecido apenas por “Plano Collor”, sendo instituído em 16 de março de 1990 (um dia depois de Collor assumir a presidência), impondo medidas radicais para estabilização da inflação.

Em meio à crise financeira e os altos índices de inflação que o Brasil enfrentava na década de 90, foi editado o Plano Collor na versão rural, que da noite para o dia, reajustou de 41,28% para 84,32% os índices dos contratos de financiamento agrícola e de crédito rural firmados entre os agricultores e o Banco do Brasil. Saiba mais, aqui.


2 de novembro de 2019

Falência de propriedades rurais em alta nos Estados Unidos


falência de propriedades

Pedidos de falência de propriedades rurais americanas aumentaram 24% em 2019, de acordo com dados da Justiça Federal dos EUA

Os pedidos de falência rural nos Estados Unidos estão em alta de 24% em 2019, com um período de medição que encerrou em setembro deste ano. Os números contam apenas os pedidos de falência Chapter 12 (580 no total), exclusivo para agricultores familiares.

Falência de propriedades: as regiões mais afetadas.

Dá para pedir este tipo de falência nos Estados Unidos quando o agricultor tem renda permanente e estável na propriedade, deve menos de US$ 269.250,00 (em dívidas sem seguro) e menos de US$ 807.750,00 em dívidas com seguro. Uma espécie de interventor gerencia a quitação das dívidas em longo prazo (de 3 a 5 anos). Tudo é acertado na justiça.

Já o faturamento das propriedades deverá chegar a 88 bilhões de dólares em 2019, o maior desde 2014. Mas tem um “porém”: 40% deste faturamento vem de assitência para negócios, seguro desastre, outras indenizações de seguro e programas governamentais. O total devido pelos agricultores familiares em 2019 também deverá chegar em 416 bilhões, sendo financiamento de terras em 159 bilhões.

Foto da capa: Vanishing Texas.

Leia também: Laticínio dos EUA lança edição especial de Iogurte para ajudar produtores.


25 de outubro de 2019

John Deere demite em massa nos EUA e no México


John Deere Demite

Número de demitidos pode chegar a quase 200 nos Estados Unidos e 300 no México. A empresa alega baixa demanda por equipamentos.

A John Deere demite nos Estados Unidos e no México, segundo dados do Supply Chain Dive (EUA) e do Noticias del Sol de La Laguna (México).

A unidade fabril afetada no México fica na cidade de Saltillo e é responsável pela fabricação de eixos, tratores e eletrônicos. Nos EUA, serão demitidos funcionários das plantas de Davenport, Iowa (fábrica de equipamentos da linha florestal) e de East Moline, Illinois (linha agrícola). Um mapa em pdf com todas as unidades da John Deere no mundo você pode acessar neste link.

John Deere Demite

Baixa demanda por equipamentos por parte do mercado americano e as guerras comerciais com a China estão entre os motivos para as demissões. Os trabalhadores mexicanos já estão em processo de alocação em outras empresas, especialmente na Lear Corporation, fabricantes de itens para o mercado automobilístico.

John Deere demite – acompanhe no TheLayoff.com

O site The Layoff mantém uma série de notícias sobre demissões nos EUA. Confira a página que monitora a John Deere, aqui.


1 de fevereiro de 2019

França vai aumentar preço da Nutella para proteger agricultores


Nutella

Intervencionismo francês quer modificar a forma como as redes de supermercados distribuem a margem de lucro entre os produtos vendidos

Segundo os burocratas franceses, o aumento obrigatório do preço de determinados produtos pode significar uma margem de lucro garantida para os agricultores.

A mão pesada do governo por lá já proíbe as redes de venderem itens abaixo do preço de custo em promoções e agora quer aumentar o valor de venda de produtos como Nutella, Nescafé e Coca-cola, com um argumento questionável: os estabelecimentos estariam baixando o preço destes produtos para atrair mais clientes e descontando o prejuízo pagando menos aos agricultores nos setores de hortifrutigranjeiros e laticínios, por exemplo.

Para o bem de todos, a ordem é aumentar o preço da Nutella!

A medida obviamente desagrada os supermercados e é vista com desconfiança até mesmo pelas entidades que defendem os agricultores no país. A posição oficial do SRP, o sindicato que representa os produtores franceses é a de que a entidade faz parte de um sistema que defende uma melhor distribuição do valor e não a elevação de preços, melhores preços para os agricultores sem tirar proveito dos consumidores.

Este é o governo francês: fazendo algo que os supermercados, agricultores e consumidores não querem, pelo bem de todos.

Via Euronews.


31 de janeiro de 2018

Governo da França quer que os agricultores controlem os preços nos supermercados


Governo da França

Projeto do Ministério da Agricultura quer modificar totalmente a relação entre produtores e supermercadistas

 

Os supermercados na França são proibidos de jogar comida no lixo. Uma legislação já definiu que os gerentes que desobedecerem a regra estarão sujeitos a multa e até cadeia. As redes precisam doar os alimentos ou enviar para compostagem, fabricação de ração animal ou bioenergia.

Mais um passo para o controle governamental no segmento está para acontecer: um conjunto de medidas proposto pelo ministro da agricultura Stéphane Travert determina que produtores rurais terão controle nos preços praticados nos supermercados. Vejam alguns itens do “pacotaço” francês:

Promoções “compre um, leve dois” estão proibidas. Vendas do tipo “compre dois, leve três” estão liberadas.
Desconto máximo de 25% no preço de venda das mercadorias.
Obrigação da venda de produtos pelo menos 10% acima do preço de compra. Outras leis na França já proíbem a venda a preço de custo ou abaixo deste.
Criação de um sistema de preços mínimos baseados no custo de produção + margem de lucro para os agricultores. Na prática, os agricultores passam a determinar os preços.
Uso de pelo menos 20% de produtos orgânicos nos restaurantes.

Os supermercados franceses estão nas manchetes dos jornais deste o final de janeiro de 2018, quando centenas de pessoas entraram em guerra para comprar potes de Nutella com descontos de até 70% em algumas redes.

Saiba mais sobre Nutella Wars e o controle de preços francês.


13 de maio de 2017

Se o campo não planta, a cidade não janta


se o campo não planta

A frase é conhecida em protestos e imagens motivacionais pela internet. Mas é chegada a hora de observar com atenção onde no mundo a “janta” já está em sério perigo

 

O site inglês Devon Online postou recentemente um relato sobre a situação da agricultura no Reino Unido. No texto, o destaque para a cobertura de uma palestra ministrada por um jornalista da BBC, responsável por assuntos referentes a vida selvagem. Como brincadeira – que logo virou uma constatação séria – o homem declarou que uma das espécies em extinção no Reino Unido era a dos agricultores.

O centro da questão está no financeiro das propriedades rurais, que faturam para viver um pouco além da subsistência, sem sobra de caixa para investimentos em maquinário (só para começar). No setor do leite, os agricultores de lá aumentaram a dívida com os bancos em 1 bilhão de libras nos últimos 2 anos.

Apenas 50% dos alimentos consumidos no Reino Unido são de produção local (dois anos atrás, algumas fontes indicavam até 60%) contra 80% em meados dos anos 80. Novos hábitos de consumo, com alimentos típicos de outros locais, aumento da população e sazonalidade colaboram com este quadro.

O palestrante ainda denunciou as práticas de grandes redes de supermercados que baixam os preços para “manter os consumidores felizes” e lembrou dos perigos sempre assombrando a agricultura, como grandes epidemias e questões climáticas. Na Espanha, recentemente, um clima nada favorável fez as hortaliças sumirem do mercado, com hotéis em desespero pagando até R$20,00 por um simples pé de alface.

O papel do governo

Nós já falamos aqui no blog sobre os agricultores ingleses que receberam dinheiro do governo para não plantar. Estas alterações no mercado podem ser benéficas em termos ambientais, como no exemplo citado, mas alguém sempre paga a conta. Empregos são perdidos e a vocação para a atividade rural simplesmente some em alguns locais. Pessoas que prestam serviços para propriedades precisam trocar de ramo ou desistir desta atividade.

Por outro lado, o comércio de alimentos é uma questão de segurança nacional e governos, via de regra, vão adotar qualquer medida para manter o fluxo de alimentos garantido para a população, sem importar a origem e prejuízo local. Vão importar trigo ainda que matem de fome o triticultor do próprio país. Adicione todo o emaranhado de políticas de subsídios na União Européia no problema, antes do brexit.

Os agricultores são parte de um todo

Dentro da economia do Reino Unido, a produção agrícola representa 26 bilhões de libras, contra 103 bilhões do mercado de alimentos como um todo. Aquele pacote de bolachas Oreo pode conter trigo, soja, derivados do leite, mas outros jogadores entraram nesta equação para que o consumidor coloque na boca o produto. Com um poder de barganha do tamanho do mundo, se algo acontecer ao agricultor local, o pacote poderá chegar importado, todo fabricado em outro país. Por uma ironia do destino, um local onde agricultores talvez nem sofram as mesas exigências ambientais.

Espelho para o agricultor brasileiro

É preciso estar atento ao que acontece no mundo quando o assunto é agricultura, para repensarmos o modo de produção e comercialização de produtos agrícolas no Brasil. Muito além do preço das commodities, o “ser agricultor” é o valor a ser monitorado e o que acontece hoje nos países desenvolvidos pode ser o nosso amanhã, mas sem o colchão cultural e as instituições centenárias destes países. União, cooperativismo e pacificação com o intermediário devem entrar na pauta. É preciso colocar mais produtos na cesta, como valor geográfico, compromisso de entrega e segurança, cobrando por isso.

A solução não está no governo. A saída começa no seu vizinho de cerca.



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