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18 de novembro de 2021

Carne de cavalo era vendida para hamburguerias no RS


carne de cavalo

Operação do Ministério Público gaúcho revelou organização criminosa que abatia e comercializava carne de equinos em forma de hambúrgueres e bifes

 

Operação Hipo

O MP do Rio Grande do Sul “estourou” uma quadrilha que atuava no comércio ilegal de carnes. O grupo abatia e vendia carne de cavalo para hamburguerias na cidade de Caxias do Sul. Através do GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) foram cumpridos seis mandatos de prisão preventiva e quinze de busca e apreensão, em oito locais nesta quinta, 18 de novembro.

O golpe foi confirmado através da análise de DNA de amostras do produto, que encontrou, além de carne de cavalo, carne de peru e suínos.

 

carne de cavalo

 

 

 

Fotos: Tiago Novo Coutinho | MPRS

 

Confira a nota do MP-RS:

 

O Ministério Público do Rio Grande do Sul, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) – Segurança Alimentar, deflagrou no início da manhã desta quinta-feira, 18 de novembro, em Caxias do Sul, a operação Hipo. O objetivo é desarticular organização criminosa e apurar crimes contra as relações de consumo e contra a saúde pública. Estão sendo cumpridos, neste momento, seis mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão referentes a oito alvos.

Em análise às conversas interceptadas pelo MPRS com autorização da Justiça, o Gaeco apurou que o grupo investigado abastecia estabelecimentos da cidade com grandes quantidades de carne (em forma de hambúrgueres e bifes) provenientes do abate clandestino de equinos, suspeita que foi confirmada por meio da realização de perícias em duas hamburguerias de Caxias do Sul, em cujos lanches foi encontrada presença de DNA de cavalo. Também eram misturadas carnes de peru e suíno. “Eram distribuídos em torno de 800kg semanais”, conta o coordenador do Gaeco – Seguranca Alimentar, promotor de Justiça Alcindo Luz Bastos da Silva Filho, que está à frente da operação e cumpre os mandados juntamente com o promotor da Especializada Criminal de Porto Alegre, Mauro Rockenbach.

Conforme o Ministério Público, o grupo não possui autorização para o abate e comercialização de nenhum tipo de carne. Assim, as atividades de abate, beneficiamento, armazenamento e comercialização vinham ocorrendo sem qualquer fiscalização, o que é essencial para prevenir que carnes sem inspeção de fiscais médicos veterinários sejam consumidas pelas pessoas.

ENTREVISTA COLETIVA

Os resultados da operação serão apresentados em entrevista coletiva à imprensa, às 11h, na sede do MP em Caxias do Sul, pelo coordenador do Gaeco – Segurança Alimentar, Alcindo Luz Bastos da Silva Filho. Também estarão presentes representantes da Secretaria Estadual da Saúde e da Secretaria Estadual da Agricultura, que também participam da operação, que conta com o apoio da Brigada Militar.

 

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Carne de cavalo, podre ou contaminada. Relembre o escândalo europeu de 2013


13 de março de 2018

Frigorífico da Bélgica vendia carne de 12 anos para o Kosovo


Carne vencida em 2004 era vendida como nova em 2016, segundo denúncia de jornal belga.

 

O site belga Het Laatste Nieuws denunciou que frigoríficos do país estavam fornecendo carne vencida desde 2004 para clientes do Kosovo. O golpe foi revelado através de documentos judiciais só agora divulgados pelas autoridades.

 

 

Um caminhão frigorífico procedente da região de Bastogne, na Bélgica, foi apreendido no Kosovo com a maioria da carga sem identificação, mas os golpistas “esqueceram” algumas peças com etiquetas de 2004. Foi apurado também que a carne era de outras regiões do país e que a empresa Veviba era um centro para troca de embalagens e falsificação de marcas.

Ainda segundo o HLN, as autoridades belgas descobriram a fraude da “máfia da carne” em 2016, mas só informaram o Kosovo em fevereiro deste ano.

Os produtos adulterados eram da região de Izegem e Harelbeke. Não há informações sobre prisões dos responsáveis.

Relembre: Carne de cavalo, podre ou contaminada. Relembre o escândalo europeu de 2013.


13 de julho de 2017

Abate de cavalos liberado nos EUA


abate de cavalos

Comitê de orçamento no Congresso votou pela retirada da proibição do abate em solo americano, em vigor desde 2007

 

O abate de equinos nos EUA é proibido desde 2007. Mesmo assim, o país manda para o abate, no México ou no Canadá, 137 mil cavalos, todo ano. A permissão passa por um comitê de orçamento do Congresso pois envolve o custeio (ou não) da estrutura de fiscalização deste tipo de estabelecimento, a cada ano fiscal.

A questão passou com uma votação apertada na última quarta-feira. O House Appropriations Committee decidiu pela derrubada do veto ao abate com 27 votos pela liberação contra 25 pela manutenção da proibição. Entre os argumentos à favor, a geração de receita dentro do país e a possibilidade de controle sanitário de acordo com normas mais aceitáveis, diferentes das praticadas no México, por exemplo.

 

Mesmo dentro do time republicano, a posição que permite o abate do cavalo, tradicional companheiro do homem do campo, não é unanimidade. Grandes nomes do partido estão apavorados com a medida.

As entidades defensoras dos direitos dos animais estão em polvorosa, como podemos imaginar. A questão envolve também a administração de terras públicas (que possuem milhares de cavalos selvagens) e o controle destas populações, que poderá passar da castração para o abate, muito em breve. Vale lembrar que alguns pecuaristas usam estas mesmas terras públicas para pastagem, concorrendo com estes animais.


19 de março de 2017

Carne de cavalo, podre ou contaminada. Relembre o escândalo europeu de 2013


A crise frigorífica abalou o mercado europeu e foi descoberta com testes de DNA, em verificações de rotina na Irlanda. O episódio pode servir de lição para o Brasil da operação Carne Fraca.

 

Comer carne de cavalo é um costume em alguns países da Europa e é uma “iguaria” com preço superior ao da carne de gado. Mas, em 2013, toneladas de carne de cavalo e suíno foram descobertas misturadas a carne de gado (vendidas como tal). A investigação revelou um esquema que virou do avesso o setor frigorífico, supermercados, fabricantes de refeições prontas, merenda escolar, refeições para hotéis e sistema de mercado entre os países do continente.

 

Tudo começou quando uma agência de fiscalização irlandesa encontrou, através de testes de DNA, carne de cavalo em hambúrgueres fabricados no país e no Reino Unido, vendidos em grandes redes de supermercados. Com a descoberta, uma operação de devassa no mercado de carne foi iniciada.

Entre a primeira revelação dos testes com carne contaminada (15 de janeiro) e as primeiras prisões de responsáveis suspeitos de vender carne sabidamente de cavalo, foram menos de 30 dias, com diversos recalls de produtos no meio deste período.

No final, os atingidos pela carne adulterada foram Irlanda, Reino Unido, França, Noruega, Áustria, Suíça, Suécia e Alemanha. Uma lista completa das marcas e produtos afetados, pode ser vista aqui.

A causa da contaminação revelou-se complexa: Da Romênia, carne de cavalo era vendida sem a devida identificação para negociantes da Holanda, que então vendiam para empresas do Chipre, que repassavam o produto para empresas da França. As primeiras condenações ocorreram em 2015, dois anos depois da descoberta da contaminação, com penas brandas e multas irrisórias para um dos abatedouros envolvidos.

Como “bônus”, toda esta movimentação acabou flagrando algumas irregularidades paralelas, como a reciclagem de carnes vencidas, na Polônia.

Muito embora a carne de cavalo em si não seja imprópria para o consumo humano, as barreiras culturais e religiosas, além da óbvia identificação enganosa dos produtos, causaram sérias implicações. Alguns fornecedores ainda são suspeitos de abater cavalos que tinha a origem em criadouros para competição, animais inoculados com drogas proibidas na cadeia alimentar.

 

Carne Fraca

A operação Carne Fraca, da Polícia Federal, pegou o país de surpresa na semana passada e o mercado financeiro (e consumidor) vive momentos de descrédito com as empresas envolvidas. A internet, para variar, brinca com a própria desgraça e dezenas de memes foram criados com variações do tema “carne de papel ou papelão” e a “vingança” com todas as celebridades que endossaram algumas das marcas envolvidas.

O governo sinaliza esforços para o controle de danos da situação. Ao mesmo tempo, as informações sobre o que de fato aconteceu são liberadas de forma lenta, deixando um país em compasso de espera, nossa balança comercial em risco, empregos e produtores rurais de todos os portes com o destino incerto.

A falta de agências isentas (com as européias) e a tradicional morosidade do estado brasileiro colaboram para a notável diferença de tempo na resolução dos problemas. Enquanto aqui é revelado parte do resultado de uma operação de durou dois anos, lá, entre a descoberta da primeira irregularidade e a prisão, passado pelo recall e mais testes de milhares de produtos, foram 30 dias.

As autoridades precisam apresentar para o país, nesta semana, uma lista completa dos produtos atingidos, testes de laboratório e documentos que comprovem a situação do mercado de carne brasileiro, para os próprios cidadãos e para o exterior. O momento é de sofrer descrédito, ataques de oportunistas internos e externos, mas mitigar estes problemas o mais rápido possível. Não seria má ideia uma chamada aos laboratórios independentes, privados ou de universidades, para que realizem todos os testes possíveis, de acordo com os seus equipamentos, pagos também pela iniciativa privada, da parte dos envolvidos.

O ministro Blairo Maggi deveria começar o tour pela Europa na Irlanda, apertando a mão dos chefes das agências que descobriram o escândalo da contaminação de 2013, como sinal de interesse, conhecimento das grandes crises mundiais do mercado e boa vontade.

O Brasil espera, apreensivo.



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