Tag: Carnaval

3 de fevereiro de 2019

Bolsonaro é nazista em desfile do carnaval paulistano


Bolsonaro é nazista

Personagem desfila com fantasia que mistura características do presidente Jair Bolsonaro e de Adolf Hitler, como suposto protesto.

O carnaval está chegando e, com ele, a montagem de narrativas pelos carnavalescos das escolas de samba. Em 2017, o agronegócio foi vítima de uma verdadeira campanha difamatória pela escola carioca Imperatriz Leopoldinense com a ala “fazendeiros e seus agrotóxicos”, devidamente denunciada em nosso texto Carnaval 2017 – Escola de Samba do Rio Terá ala Contra “Agricultores e seus Venenos”.

Agora, segundo o site Carnavalesco, a escola de samba Águia de Ouro levará para a avenida um personagem fantasiado de Hitler, usando faixa presidencial brasileira, armado com cassetete e fazendo o símbolo de “arminha” com as mãos, uma clara e óbvia referência ao presidente Jair Bolsonaro.

Na sinopse do samba Brasil, eu quero falar de você!!! Que país é esse!!! , consta o seguinte:

A Águia de Ouro, no carnaval de 2019, vai retratar a ganância humana, causa direta da exploração das riquezas da Nossa Pátria. Desde a chegada dos descobridores até os dias atuais. Um país abundante, mas que sofre com a falta de cuidado na vida social, mudaram os ventos. Resultado Direto da retirada descabida dos nossos maiores bens. Massacraram os índios, enganaram, devastaram nossa floresta, abusaram e tentaram escravizar os nativos. Esse retrato, é espelho de nossa própria história.

O documento pode ser baixado neste link.


11 de janeiro de 2019

Batata vira samba no Carnaval do Rio 2019


Carnaval do Rio 2019

Tubérculo é tema de enredo da escola Unidos de Bangu e, de certa forma, leva o agro para a avenida

Em 2017, uma escola desfilou com um tema que difamava o agronegócio brasileiro. O desfile tinha até mesmo uma ala cheia de fantasias com o título “Fazendeiros e seus agrotóxicos”, tudo explicado aqui no blog no texto “CARNAVAL 2017 – ESCOLA DE SAMBA DO RIO TERÁ ALA CONTRA “AGRICULTORES E SEUS VENENOS”“.

Desta vez, os carnavalescos cariocas decidiram homenagear a batata. A escola de samba Unidos de Bangu conta um pouco da história da batata, com uma curiosidade: só mencionam a palavra “batata” na última frase do samba. Acompanhem o texto do que será cantado na avenida:

Abrem-se os caminhos para a mais antiga da Zona Oeste,
nos quais, passo ante passo, a comunidade enaltece,
com a força, o suor e o sangue vermelho do Pavilhão,
as histórias de vitórias e devoção!

E nesse caminhar engajado e emocionado,
grita, Bangu, bem alto!
Ferve a Sapucaí hoje e sempre!
Entra forte na avenida com os Deuses à frente,
pois grandes raízes têm as mais fortes sementes!
O tapete da vitória, assim, se estende, e
com lágrimas de alegria,
louros e glória a toda tua gente!

Tapete estendido para a estória então,
Vêm os deuses coroar dando, à grande raiz, a criação!
Inti, o Deus Sol que tudo abrange, a ela concedeu energia!
Pacha Mama, com as mãos dedicadas à semeação,
ofereceu, à raiz, a força da vida:
nutriu-lhe de nutrição,
predestinou-a à satisfação.

Do alto da Cordilheira ao sul do mundo,
a qual tocava os céus,
desciam as raízes que, incessantes, alimentariam nobres reis e o povaréu!
Era a predestinação:
matar a fome nos quatro cantos de forma simples,
sem coroação,
mas carregado, o tubérculo, de força, sublime realização.

Sorrindo-lhe a bem-aventurança divina,
atravessou o mar com espanhóis para aportar na Europa.
Esparramou-se nos solos da terra de lá,
ofertando-se a raiz dos Incas ao antigo continente,
requinte de bondade andina com os esfomeados, coitados!
Boa fartura no lugar das revezes,
e a beleza das flores do tubérculo na lapela dos reis que a olhavam de soslaio.

Pois, sem lugar na Bíblia, primeiro causou dúvida e espanto;
o medo, a fome, contudo, suplantando!
Na dor das barrigas vazias, venceu, o tubérculo, o cansaço:
reis ordenaram sua plantação,
papas comiam-no, pela saúde, em oração,
e, enfim, a aceitação:
eis a raiz de um Novo em um Velho Mundo,
os pilares de toda refeição,
a base alimentar!
O mundo sonhando sem a dor da fome!
A raiz, potente, fazendo seu nome.

Sem interromper as teias do destino,
surgiram novos caminhos!
À época da vinda da Família Real,
aportou, a raiz, nesta terra indígena postulada por Cabral.
E, aqui, os deuses do alto da Cordilheira reviram seus irmãos da Floresta:
Sumé, sábio, recebeu a raiz parecida com a já conhecida por matar a fome dos seus,
Jetica, mais doce do que a nova trazida,
e a fartura das duas raízes, comungadas:
roças firmes para ambas em juntas moradas.

Velho e Novo mundos (re)unidos em plantação!
Pelas bandas de cá, as raízes estiveram e chegaram com a imigração.
O nobre feito de matar fome de um mundo inteiro dada
às mãos do trabalhador brasileiro,
aos seus pés rachados na terra dura sem esmero,
às enxadas firmes para manter a vida da raiz, para nós e por ela!
A força que vem do tubérculo usado para plantar ele próprio,
batendo forte, pelo sustento, o rijo ferro na mãe-terra!
Comam, pois, mundo inteiro!
Brasil, vocação para celeiro!

Finaliza, portanto, Bangu, teu canto
nesta festa animada,
saudando aquilo que, quando nasce, comem todos, e, dela, não sobra nada;
confraternizando com aquilo que, quando nasce, espalha rama pelo chão!
Eis, aqui hoje, querido pavilhão, a raiz que, convenhamos, precisa ser nomeada?
Pelo sim, pelo não,
está aí a homenagem:
um grande salve
à guerreira batata.

Carnaval do Rio 2019 – Análise do Samba da Unidos de Bangu

O samba foi recebido com críticas pelos especialistas da área. Resta saber o tratamento que os heróicos plantadores de batata do Brasil irão receber no Carnaval do Rio 2019.


2 de janeiro de 2017

Carnaval 2017 – Escola de Samba do Rio Terá ala Contra “Agricultores e seus Venenos”


Carnaval 2017

O tema principal da escola de samba no Carnaval 2017 no Rio será o Xingu, onde o homem branco “caraíba” é retratado como ambicioso e raiz de todo mal

Exceto pela menção honrosa aos irmãos Villas-Boas, não sobra muito carinho para o homem branco no samba-enredo da escola de samba carioca Imperatriz Leopoldinense. Usando a história dos índios do Xingu como fundo, a escola levará para a avenida uma ala inteira de pessoas fantasiadas de agricultores e seus venenos.

No mercado de fantasias, cada uma pode custar cerca de R$2000,00. Não sabemos se existe restrição para a compra destas fantasias para não-índios, ou pessoas que vivam, direta ou indiretamente, do agronegócio, aquele setor que teima em significar uma enorme parcela de tudo o que é produzido no país.

O agronegócio brasileiro já colocou dinheiro no carnaval carioca. Em 2011, com o apoio da CNA, a Escola Mocidade Independente de Padre Miguel retratou positivamente o setor com o samba “Parábola dos Divinos Semeadores”. Até biodiesel usaram nos carros alegóricos.

No geral, a história toda mistura retórica de índios inocentes, puros e “invadidos” pelo homem branco sem escrúpulos. Na “sinopse” do desfile, disponível neste site, podemos observar este parágrafo, sustentando o enredo:

Se perderam o seu Paraíso, os caraíbas partiram para conquistar o nosso, pequeno guerreiro – talvez, por vingança de Anhangá, o feiticeiro. Impulsionadas pelos ventos da cobiça, as naus aportaram em nossas praias, trazendo ensinamentos que os invasores nunca ousaram praticar. Nada mais seria como antes. Em vez de nos tratar como semelhantes, nos chamaram de selvagens e tentaram nos escravizar. Vinham do Velho Mundo e representavam a civilização. Chegaram arrogantes, se apoderando de nossas terras e riquezas. Levaram ouro, prata e diamantes, e uma madeira que tingia com sangue, lembranças de tantas belezas. Em troca, traziam espelhos, doenças e destruição. Sua missão era usar a cruz de um Deus que morava no céu, fincando marcos aqui e ali; usando palavras sagradas, deixaram nossa gente esmagada, como no abraço lento e mortal da sucuri.

Vale lembrar que o primeiro contato com os índios do Xingu ocorreu em 1887, quando Karl von den Stein entrou na região com uma expedição alemã.

Texto publicado em 2 de janeiro de 2017, na versão original do Blog do Farmfor.



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