A maior colheitadeira do mundo versão 2026

Qual é a maior colheitadeira do mundo em 2026? Se a régua for o tanque graneleiro e a velocidade de descarga, a resposta é a dupla de irmãs da CNH: a New Holland CR11 e a Case IH Axial-Flow AF11, com 20 mil litros de graneleiro, 210 litros por segundo na descarga e 775 cv. Se a régua for potência de motor, a Claas Lexion 8900 e a Fendt Ideal 10T levam por pouco, com 790 cv. E se a pergunta for “qual é a maior colheitadeira já construída”, a resposta continua sendo a articulada Tribine T1000, com um graneleiro de mil bushels que nenhuma fábrica grande jamais igualou — e que merece o quadro especial mais adiante. Este é o levantamento anual do Farmfor, que acompanha o tema desde as maiores colheitadeiras do mundo em 2016, atualizado com os números oficiais de cada fabricante.

O que define a “maior” colheitadeira: cinco medidas, não uma

Não existe um único número que coroe a maior colheitadeira. Os fabricantes e os produtores olham para pelo menos cinco parâmetros, e cada um deles tem um líder diferente:

  • Potência do motor (cv): define a classe da máquina e a capacidade de processar massa em lavouras pesadas. Líderes: Lexion 8900 e Ideal 10T (790 cv).
  • Tanque graneleiro (litros): quanto grão a máquina carrega antes de parar ou pedir o graneleiro de arrasto. Líderes: CR11 e AF11 (20.000 L).
  • Taxa de descarga (litros por segundo): quanto tempo o tubo leva para esvaziar o tanque no caminhão. Líderes: CR11, AF11 e Ideal 10T (210 L/s).
  • Largura da plataforma (metros): a “boca” da máquina. As maiores aceitam plataformas draper de 15 metros (50 pés) e milho de 18 linhas.
  • Capacidade de processamento (toneladas por hora): o número que realmente interessa, mas que depende da cultura, da umidade e do talhão. Aparece nos recordes, não nos catálogos.

Some a isso o sistema de trilha — rotor único axial (Case IH), rotor duplo (New Holland, John Deere, Fendt), híbrido com cilindro mais rotores (Claas) — e o tipo de rodado, já que as gigantes vêm de fábrica sobre esteiras para não afundar o solo com 25 toneladas. Abaixo, a tabela com as flagships de cada marca; depois, o detalhe de cada uma.

ModeloPotência máx.GraneleiroDescargaTrilhaClasse
New Holland CR11775 cv20.000 L210 L/srotor duplo 600 mm10+
Case IH Axial-Flow AF11775 cv20.000 L (567 bu)211 L/s (6 bu/s)rotor duplo AFXL210+
Claas Lexion 8900 Terra Trac790 cv18.000 L180 L/shíbrida APS Synflow10+
Fendt / MF Ideal 10T790 cv17.100 L210 L/s (6 bu/s)rotor duplo 4,84 m10
John Deere X9 1100690 cv16.200 L (460 bu)187 L/s (5,3 bu/s)rotor duplo10/11*
Rostselmash TORUM 785510 cv12.000 Lrotor axial8
Zoomlion H7-600E (híbrida)480 cv + bateria (600+ cv)n.d.n.d.9 (est.)
Tribine T1000 (2018)650 cv contínuos (2 motores)35.000 L (1.000 bu)~290 L/s (500+ bu/min)rotor únicofora de classe
Números oficiais dos fabricantes (links no texto). Conversão: 1 bushel = 35,24 litros. *A John Deere chama a X9 1100 de “classe 11”; pela tabela de potência tradicional ela é classe 10.

As classes de colheitadeiras: de 5 a 10+

Desde 2003 a classificação usada pelos fabricantes norte-americanos, definida pela AEM (Association of Equipment Manufacturers), passou a ser puramente de potência do motor: classe 5 abaixo de 280 cv, classe 6 de 280 a 360 cv, classe 7 de 360 a 500 cv, classe 8 de 500 a 600 cv, classe 9 de 600 a 680 cv e classe 10 acima de 680 cv, como resume o Western Producer. Tanque e descarga saíram da fórmula justamente porque cada marca os configura de um jeito. Quando a Claas lançou a Lexion 8900 em 2019, passou a existir uma classe 10 de fato — e hoje, com Case IH, New Holland e Claas anunciando máquinas de “classe 10+”, o sistema começa a ficar pequeno. Na Europa e no Brasil a nomenclatura de classe é menos usada; o produtor fala em cavalos, litros de graneleiro e largura de plataforma.

New Holland CR11: a referência de 2026

Colheitadeira New Holland CR11 com plataforma de milho de 16 linhas na Agritechnica 2025
New Holland CR11 com plataforma de milho na Agritechnica 2025, em Hannover. Foto: MarcelX42 / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).

Apresentada como protótipo na Agritechnica 2023 e lançada comercialmente em junho de 2024, a CR11 é a máquina que redefiniu o topo da tabela. Segundo a nota oficial da CNH, ela usa o motor FPT Cursor 16 de 15,9 litros e 775 cv, dois rotores de 600 mm de diâmetro, mais longos que os da geração anterior, graneleiro de 20.000 litros, descarga de 210 litros por segundo — o tanque cheio vai para o caminhão em cerca de 95 segundos — e plataformas de 10,6 a 15 metros. O sistema de limpeza TwinClean, com duas peneiras em cascata, soma 8,76 m² de área. Pode vir sobre rodas ou esteiras e é montada em Zedelgem, na Bélgica, a mesma planta que produziu a CR10.90 recordista do Guinness. A irmã menor CR10 tem 635 cv, 16.000 litros e 159 L/s.

Case IH Axial-Flow AF11: o mesmo gigante, agora com dois rotores

Colheitadeira Case IH Axial-Flow AF11 vermelha colhendo trigo com plataforma draper
Case IH AF11 em lavoura de trigo: primeira Axial-Flow da história com rotor duplo. Foto: TierMix / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).

A AF11 é a versão vermelha da mesma plataforma — e uma pequena revolução dentro da Case IH, que desde 1977 defendia o rotor único da Axial-Flow, história que contamos no post sobre a invenção da colheitadeira Axial-Flow. O novo rotor duplo AFXL2 é mais longo e entrega 50% mais separação. A página oficial da Case IH lista 775 cv, graneleiro de 567 bushels (cerca de 20.000 litros, 39% maior que o da Axial-Flow 9250) e descarga de 6 bushels por segundo — 211 L/s, tanque vazio em 100 segundos. A AF10, de 635 cv, completa a série. Quem quiser comparar com a geração anterior pode rever a Axial-Flow 9250.

Claas Lexion 8900 Terra Trac: a mais potente

Claas Lexion 8900 sobre esteiras colhendo trigo na Escócia e descarregando em carreta
Lexion 8900 Terra Trac colhendo trigo em Birnieknowes, na Escócia. Foto: Jennifer Petrie / geograph.org.uk (CC BY-SA 2.0).

Lançada em 2019, a Lexion 8900 segue como a colheitadeira de série mais potente do mundo: motor MAN de 16,2 litros com 790 cv, graneleiro de até 18.000 litros e descarga de 180 L/s, conforme a ficha técnica da Claas. O sistema APS Synflow Hybrid combina cilindro de trilha de 1,70 m de largura com dois rotores de separação, e a máquina só é vendida sobre as esteiras Terra Trac. Em julho de 2024 a Claas a levou também para a América do Norte, classificando-a como “classe 10+”. Já mostramos a Lexion lado a lado com a Deere no Xtreme Testing e apresentamos a série menor Trion.

Fendt e Massey Ferguson Ideal 10T: 790 cv com sotaque gaúcho

Colheitadeira Fendt Ideal 10T exposta na Agritechnica 2023 em Hannover
Fendt Ideal 10T na Agritechnica 2023. Foto: Matti Blume / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).

A Ideal 10T, vendida como Fendt e como Massey Ferguson, divide com a Lexion o posto de mais potente: motor MAN de 16,2 litros e 790 cv máximos, graneleiro de 17.100 litros e descarga de 6 bu/s (210 L/s), segundo o comunicado de lançamento da AGCO. Os dois rotores de 24 polegadas têm 4,84 metros de comprimento, os mais longos do mercado. E há um detalhe que o leitor brasileiro gosta: a marca Ideal nasceu no Rio Grande do Sul, história que contamos em Colheitadeira Ideal, uma história que começou no RS.

John Deere X9 1100: a mais produtiva por hora

Colheitadeira John Deere X9 vista de cima colhendo canola com plataforma draper
John Deere X9 em lavoura de canola: até 30 acres (12 hectares) de trigo por hora. Foto: JDDeutschland / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).

A X9 perde em cavalos e litros, mas ganha na conversa sobre produtividade. A X9 1100 tem 690 cv, graneleiro de 460 bushels (16.200 litros) e descarga de 5,3 bu/s (187 L/s), e a Deere garante até 30 acres de trigo por hora — 12 hectares — ou 7.200 bushels de milho por hora, cerca de 183 toneladas, de acordo com a cobertura do lançamento pela DTN. O segredo é o alimentador extralargo e o corpo de rotor duplo desenhado do zero em 2020, que acompanhamos desde o anúncio da X9 e nos dados completos das X9 1000 e 1100. No Brasil a versão vendida é a X9 1000, com motor de 13,6 litros, graneleiro de 14.800 litros e descarga de 162 L/s, segundo a John Deere Brasil, que a apresentou na Agrishow de 2024.

Rostselmash, Zoomlion e Lovol: os gigantes do outro lado do mundo

Colheitadeira russa Rostselmash TORUM 785 colhendo trigo
Rostselmash TORUM 785, a maior colheitadeira fabricada na Rússia. Foto: Rostselmash / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).

Fora do eixo EUA–Europa, a maior colheitadeira é a russa Rostselmash TORUM 785: rotor axial, 510 cv, graneleiro de 12.000 litros e capacidade declarada de 45 toneladas por hora, conforme o site do fabricante — uma classe 8 pensada para as fazendas de trigo de dezenas de milhares de hectares da Rússia e do Cazaquistão, mercado que descrevemos no post sobre a Rússia como superpotência do trigo. Já falamos da antecessora TORUM 760 em 2016.

Colheitadeira híbrida chinesa Zoomlion H7-600E exposta na Agritechnica 2025
Zoomlion H7-600E, a primeira colheitadeira híbrida de grande porte, na Agritechnica 2025. Foto: MarcelX42 / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).

A novidade de 2026 vem da China. Na Agritechnica de novembro de 2025 a Zoomlion apresentou a H7-600E, a primeira colheitadeira híbrida de grande capacidade: motor diesel de 480 cv somado a uma bateria de 11,55 kWh que eleva a potência combinada a mais de 600 cv, com motores elétricos substituindo parte das correntes e correias e uma economia de energia declarada de 30%, segundo a cobertura do Western Producer. A Lovol, do grupo Weichai, levou à mesma feira a GM100 Pro Max. Nenhuma das duas ameaça as flagships ocidentais em tamanho, mas mostram que a próxima disputa não será só de litros de graneleiro.

Quanta soja a maior colheitadeira do mundo colhe em um dia?

Esta é a pergunta mais comum de quem procura pela maior colheitadeira, e a resposta honesta é “depende” — mas dá para estimar com premissas claras. Considere uma CR11 ou AF11 com plataforma draper de 15 metros, terreno plano, soja seca e produtividade de 3,5 toneladas por hectare, próxima da média nacional apurada pela Conab:

  • Ritmo de colheita: 15 metros de plataforma a 6,5 km/h cobrem 9,75 ha por hora brutos. Descontando manobras e paradas para descarga, uma máquina desse porte mantém algo como 10 hectares por hora — coerente com os 12 ha/h que a Deere anuncia para a X9 em trigo.
  • Jornada: 12 horas efetivas em um dia bom rendem cerca de 120 hectares; em turnos de 20 horas, com dois operadores e umidade favorável, o número passa de 200 hectares.
  • Toneladas: 120 ha × 3,5 t/ha = 420 toneladas de soja, ou 7.000 sacas de 60 kg, em um único dia.
  • O graneleiro: um bushel de soja pesa 27,2 kg pelo padrão do USDA, ou 0,77 kg por litro. Os 20.000 litros da CR11 carregam cerca de 15,4 toneladas — 257 sacas — que saem pelo tubo em 95 segundos. Para as 420 toneladas do dia, são 27 descargas, o que exige pelo menos dois graneleiros de arrasto e uma logística de caminhões afinada.

Para comparação, o recorde mundial de colheita de soja registrado no Brasil em 2017 mostrou o que uma máquina bem tocada faz quando tudo conspira a favor.

Os recordes oficiais de colheita

O Guinness mantém a categoria “mais trigo colhido por uma única colheitadeira em oito horas”. O recorde individual pertence à New Holland CR10.90: 797,656 toneladas em Wragby, Lincolnshire, Inglaterra, em 15 de agosto de 2014, com Serge Deleersnyder ao volante — quase 100 toneladas por hora durante oito horas seguidas. Na categoria por equipe, a AgroConcept, distribuidora New Holland na Romênia, colheu 403,64 toneladas em Sindrilita, em 4 de julho de 2022, sob 40 °C, com quatro operadores revezando a cada duas horas. A Romênia, aliás, é o país da Agricost, a maior fazenda da Europa. Com a CR11 no campo desde 2024 e a Lexion 8900 atrás do título, é questão de tempo até esses números caírem.

Quadro especial: Tribine, a gigante que sumiu do noticiário

Tribine T1000: a maior colheitadeira já construída

Entre 2016 e 2019 nenhuma máquina agrícola rendeu tantos vídeos quanto a Tribine. O engenheiro e produtor Ben Dillon, do Kansas, passou anos construindo protótipos articulados no próprio galpão — mostramos a colheitadeira articulada feita em casa em 2016 — até fundar a Tribine Harvester LLC em Newton, Kansas, em janeiro de 2015, e estrear no Farm Progress Show de 2016. A ideia era radical: unir colheitadeira e graneleiro de arrasto em um só veículo articulado, com tração nas quatro rodas e a plataforma acompanhando o terreno.

  • Graneleiro: 1.000 bushels — cerca de 35.000 litros ou 27 toneladas de soja, quase o dobro da CR11 de hoje.
  • Descarga: mais de 500 bushels por minuto, acima de 290 litros por segundo.
  • Motores: dois motores de 9 litros somando 650 cv contínuos na versão T1000 de 2018, segundo o Farm Equipment.
  • Argumento de venda: colher e transportar sem o caminhão entrar na lavoura — menos compactação, tema que a empresa usou depois para falar em sequestro de carbono.

Em outubro de 2018 a empresa contratou um executivo vindo da AGCO como diretor de operações e anunciou que estava “entregando unidades a clientes”, como registramos em Tribine contrata executivo da AGCO. Depois disso, silêncio: a última notícia publicada no site oficial é de outubro de 2021, não há rede de concessionárias, a máquina não aparece em feiras desde então e nenhum grande grupo comprou o projeto. A Tribine não faliu oficialmente nem foi descontinuada em comunicado — simplesmente saiu de cena, como tantas ideias boas demais para a escala de uma startup de máquinas. Por isso ela continua no nosso ranking como “a maior já construída”, com asterisco: é uma máquina de série limitada, e não um modelo que se compra na concessionária. Quem quiser rever a euforia da época pode ler Tribine: a maior colheitadeira do mundo, de 2017.

E no Brasil, qual é a maior colheitadeira à venda?

Das máquinas desta lista, a que já está nas concessionárias brasileiras com ficha técnica oficial é a John Deere X9 1000, apresentada aos clientes em 2024 depois de testes de adaptação na safra de 2023. CR11 e AF11 começaram pela Europa e pela América do Norte, e a Claas e a AGCO vendem aqui as séries logo abaixo das flagships europeias. Vale lembrar o que dissemos em 2016 e continua valendo: a maior colheitadeira do mundo raramente é a colheitadeira certa para uma fazenda. O que decide a compra é o custo por hectare colhido — tempo de janela de colheita, depreciação, assistência técnica na região e logística de escoamento, que para uma máquina de 420 toneladas por dia vira o verdadeiro gargalo. Uma boa leitura complementar é o post sobre a safra de soja 2026/27, que explica por que a área plantada cresce menos e a produtividade por hectare ganha peso.

Este levantamento é atualizado todo ano; se um fabricante lançar uma máquina acima de 20.000 litros ou 790 cv, ela entra aqui. Os anos anteriores estão em maior colheitadeira do mundo em 2018 e as maiores colheitadeiras do mundo em 2016.

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