Tag: Alimentos

1 de agosto de 2020

EastWest resgata alimentos descartados e doa para quem precisa


EastWest

A crise provocada pelo coronavírus afetou muitos agricultores americanos, que até então descartavam a produção. Um homem encontrou a solução para o problema, ajudando os dois lados: quem planta e quem precisa.

Com as quarentenas e lockdowns virando rotina em muitas comunidades por conta do coronavírus e da COVID-19, muitos produtores são obrigados a descartar a produção ou até sair da atividade (veja exemplos aqui e aqui). Nos Estados Unidos, um homem encontrou uma forma de resgatar estes alimentos e doar para os necessitados.

George Ahearn, morador da cidade de Othello, Washington, criou juntamente com alguns amigos a EastWest Food Rescue, uma entidade sem fins lucrativos para coletar produtos nas fazendas e entregar nos bancos de alimentos em seu estado.

A EastWest coleta a produção doada por agricultores mas em alguns casos paga um preço combinado entre as partes. Afinal, há muito trabalho e custos envolvidos na operação. E os agricultores também estão em um momento crítico. A operação, na medida do possível, ajuda as duas partes do sistema.

Segundo o site da entidade, até o dia 4 de junho foram resgatados quase 500 toneladas de alimentos entre batatas, cebolas, maçãs e ovos. O trabalho conseguiu alimentar 500 mil pessoas.

As pessoas podem ajudar a entidade com doações em dinheiro, trabalho voluntário, empréstimo de veículos para carga e descarga e distribuição de produtos já embalados para os bancos de alimentos atendidos. Há espaço para todos.

Importante: toda vez que um agricultor descarta a produção por motivos comerciais (especialmente baixo preço), logo os justiceiros de internet começam a xingar e condenar por não ter doado a comida para os pobres. Na realidade, entre a batata perecível no chão da propriedade e o prato de comida de quem tem fome, existe um longo caminho. Custa dinheiro e trabalho unir estes dois lados. É aí que entra o trabalho da americana EastWest. Ao invés de xingar nas redes sociais, as pessoas deveriam copiar o exemplo.

As imagens postadas aqui são do Facebook da entidade. Acesse aqui.

Veja mais – EastWest

When a man heard that farmers were destroying unsold produce, he arranged for trucks to deliver 3 million pounds of it to food banks (CNN).


13 de maio de 2017

Se o campo não planta, a cidade não janta


se o campo não planta

A frase é conhecida em protestos e imagens motivacionais pela internet. Mas é chegada a hora de observar com atenção onde no mundo a “janta” já está em sério perigo

 

O site inglês Devon Online postou recentemente um relato sobre a situação da agricultura no Reino Unido. No texto, o destaque para a cobertura de uma palestra ministrada por um jornalista da BBC, responsável por assuntos referentes a vida selvagem. Como brincadeira – que logo virou uma constatação séria – o homem declarou que uma das espécies em extinção no Reino Unido era a dos agricultores.

O centro da questão está no financeiro das propriedades rurais, que faturam para viver um pouco além da subsistência, sem sobra de caixa para investimentos em maquinário (só para começar). No setor do leite, os agricultores de lá aumentaram a dívida com os bancos em 1 bilhão de libras nos últimos 2 anos.

Apenas 50% dos alimentos consumidos no Reino Unido são de produção local (dois anos atrás, algumas fontes indicavam até 60%) contra 80% em meados dos anos 80. Novos hábitos de consumo, com alimentos típicos de outros locais, aumento da população e sazonalidade colaboram com este quadro.

O palestrante ainda denunciou as práticas de grandes redes de supermercados que baixam os preços para “manter os consumidores felizes” e lembrou dos perigos sempre assombrando a agricultura, como grandes epidemias e questões climáticas. Na Espanha, recentemente, um clima nada favorável fez as hortaliças sumirem do mercado, com hotéis em desespero pagando até R$20,00 por um simples pé de alface.

O papel do governo

Nós já falamos aqui no blog sobre os agricultores ingleses que receberam dinheiro do governo para não plantar. Estas alterações no mercado podem ser benéficas em termos ambientais, como no exemplo citado, mas alguém sempre paga a conta. Empregos são perdidos e a vocação para a atividade rural simplesmente some em alguns locais. Pessoas que prestam serviços para propriedades precisam trocar de ramo ou desistir desta atividade.

Por outro lado, o comércio de alimentos é uma questão de segurança nacional e governos, via de regra, vão adotar qualquer medida para manter o fluxo de alimentos garantido para a população, sem importar a origem e prejuízo local. Vão importar trigo ainda que matem de fome o triticultor do próprio país. Adicione todo o emaranhado de políticas de subsídios na União Européia no problema, antes do brexit.

Os agricultores são parte de um todo

Dentro da economia do Reino Unido, a produção agrícola representa 26 bilhões de libras, contra 103 bilhões do mercado de alimentos como um todo. Aquele pacote de bolachas Oreo pode conter trigo, soja, derivados do leite, mas outros jogadores entraram nesta equação para que o consumidor coloque na boca o produto. Com um poder de barganha do tamanho do mundo, se algo acontecer ao agricultor local, o pacote poderá chegar importado, todo fabricado em outro país. Por uma ironia do destino, um local onde agricultores talvez nem sofram as mesas exigências ambientais.

Espelho para o agricultor brasileiro

É preciso estar atento ao que acontece no mundo quando o assunto é agricultura, para repensarmos o modo de produção e comercialização de produtos agrícolas no Brasil. Muito além do preço das commodities, o “ser agricultor” é o valor a ser monitorado e o que acontece hoje nos países desenvolvidos pode ser o nosso amanhã, mas sem o colchão cultural e as instituições centenárias destes países. União, cooperativismo e pacificação com o intermediário devem entrar na pauta. É preciso colocar mais produtos na cesta, como valor geográfico, compromisso de entrega e segurança, cobrando por isso.

A solução não está no governo. A saída começa no seu vizinho de cerca.


5 de abril de 2017

Crianças da Austrália pensam que iogurte vem das plantas e meias de algodão são feitas de vacas


Crianças da Austrália

Pesquisa mostrou a desconexão entre as crianças da cidade e a realidade do campo. Uma associação rural quer mudar esta situação

 

Foi realizada uma pesquisa com crianças da sexta série em escolas da Austrália, com perguntas sobre alimentação e origem dos alimentos. Os resultados extraídos provaram a distância entre os pequenos e a realidade rural.

Entre as respostas, os aluninhos disseram que iogurte vem das plantas, meias de algodão são feitas de vacas e ovelhas, 21% pensam que o açúcar é feito pelo homem, de forma sintética e a incrível marca de 45% não sabia que pão e queijo são feitos com produtos agrícolas.

A pesquisa virou notícia nesta semana pois uma associação rural australiana, preocupada com o problema da falta de conhecimento por parte da população sobre o campo e os alimentos, preparou uma série de ações para reconectar estas crianças com a realidade e levar informações para a cidade.

O país tem uma enorme feira agrícola, organizada desde 1823, para celebrar a vida rural. A Royal Easter Show deste ano terá eventos específicos para a educação de crianças nos temas rurais. A ação foi batizada de “Country Connection” e contará com a participação de produtores rurais açougueiros, e outros profissionais envolvidos com o mercado de alimentos.

E no Brasil, será que nossas crianças sabem de onde saem os alimentos? Uma pesquisa similar cairia bem por aqui.



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