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7 de julho de 2018

Governo americano tem 600 mil toneladas de queijo na geladeira


Queijo processado

O queijo vem da compra do excedente de leite dos produtores e é estocado para diversos fins, de caridade até atendimento de desabrigados em tragédias. Mas o produto vem sobrando, ano a ano.

 

O government cheese ou “queijo do governo” praticamente integra a cultura americana, visto com humor ou desdém por parte da população como um produto destinado a pessoas de baixa renda. Popular, aparece até mesmo em programas de TV, especialmente onde o governo é alvo de sátira.

 

government cheese

O tijolão de queijo doado pelo governo: tão presente na cultura ao ponto de virar meme.

 

Esta quantidade enorme de queijo aumenta cerca de 6% ao ano, sendo distribuída para depósitos refrigerados em pontos estratégicos do país, permanecendo estocada até que as autoridades decidam um destino para o alimento. Esta política é antiga, em ação desde o final da Segunda Guerra Mundial. Nos anos 60, o queijo começou a ser usado nas escolas públicas como merenda.

Mesmo com toda esta ajuda aos produtores, o mercado de laticínios vive uma situação complicada nos Estados Unidos. Entre 2008 e 2017 a produção de leite subiu 13% no país, enquanto o consumo per capita diminuiu 14%.

O “queijo do governo” está entre os produtos agrícolas subsidiados (junto com milho, soja, trigo, algodão, arroz e outros produtos), ao custo anual de 20 bilhões de dólares. Uma política muito discutida por conta da efetividade e da falta de alcance e proteção) aos produtores médios e pequenos.

 

Para saber mais:

 

Government cheese, na Wikipedia (em inglês).


21 de fevereiro de 2018

Carne sintética desafia pecuaristas americanos


Associação de pecuaristas não quer que fabricantes da novidade chamem a carne sintética de “carne”.

 

Os estudos para a produção de carne sintética (de laboratório) estão avançando pelo mundo, com dinheiro de grandes investidores como Bill Gates e o bilionário inglês Richard Branson. O discurso tem forte pegada “ambiental”, com recorrentes afirmações de que o atual modelo de produção de carne no mundo não é sustentável, ruim para o planeta e para os próprios animais.

Além dos bilionários investidores idealistas, grandes empresas do ramo de produção de alimentos estão embarcando nesta onda. A Tyson Foods e a Cargill possuem investimentos em startups como a Memphis Meats e a Beyond Meat, duas das principais pesquisadoras das tecnologias de carne artificial.

O processo de fabricação da carne de laboratório

 

 

O vídeo acima (em espanhol) mostra o protótipo para a fabricação de carne artificial, fazendo com que células de tecido muscular e de gordura animal se desenvolvam em um líquido especial, até formarem um volume suficiente para ser misturado e ter uma aparência de hambúrguer. Não, não veremos “costelões 12 horas” feitos de costela de laboratório, mas esta “pasta” de carne moída “não moída”.

A US Cattlemen’s Association (USCA), uma associação de pecuaristas americanos já se pronunciou sobre o caso não pela proibição da produção, mas para evitar que chamem este amontoado de células feito em laboratório de “carne”. Um documento enviado para o USDA (o Ministério da Agricultura americano) pede que produtos que não vieram de gado criado tradicionalmente seja rotulado e vendido como carne no mercado.

Carne sintética

No fundo, o pensamento por trás destas ações vai além da produção de uma alternativa para a alimentação da população ou redução de custos: o objetivo é rotular a criação e comércio de carne de gado, suínos e aves como degradante, medieval e coisa do passado. Visões de uma distopia que cada vez mais lembra a mostrada no filme Demolidor, com Sylvester Stallone. Sem sexo, sem palavrões, sem carne. Sobra a ditadura.


22 de dezembro de 2017

Trump e a neutralidade da galinha orgânica


Trump e a neutralidade

O governo do presidente americano Donald Trump acabou com uma regulamentação da avicultura orgânica, causando a fúria dos progressistas

Uma regulamentação criada em 2016 pelo NOP (National Organic Program), uma divisão dentro do USDA responsável pelos orgânicos, exigia uma infinidade de práticas para que produtos da avicultura fossem considerados “orgânicos”. Entre elas, dimensões mínimas para os animais se locomoverem sem tocar outro animal ou as paredes das gaiolas e acesso ao mundo externo, o ano inteiro, em piquetes para o contato com solo e plantas.

Um comunicado oficial do USDA colocou um ponto final na regulamentação, que quase entrou em vigor em março de 2017 e levou sucessivas “canetadas” que retardaram a sua ativação para março de 2018. O documento afirma que estas regulamentações ultrapassam a autoridade do órgão, sobrecarregando suas funções.

Uma produção orgânica, por definição, seria a criação de animais e seus produtos livres de uma série de agroquímicos e medicamentos em várias etapas da cadeia produtiva. Um frango orgânico alimenta-se de ração feita com produtos orgânicos, e por aí vai. As novas regulamentações colocariam sérias barreiras de entrada para produtores, inviabilizando o negócio e a produção em escala. De uma hora para outra, demandaria instalações bem maiores e muito mais pessoal para uma produção ainda menor. Seria o governo deixando o alimento mais caro, via burocracia.

Quem quiser criar frango em vastas áreas e vender ovo por US$ 100,00 a unidade, continua livre para empreender. Já os produtores que resolveram atuar com orgânicos, poderão continuar produzindo, dentro do livre mercado e etiquetado como tal.

 

Nas discussões da internet, os duelos entre quem produz e quem acha que o ovo vem da prateleira do supermercado já começaram. Vale lembrar que já existe um nome para esta produção que a regra tentou impor: a criação free-range (que vai bem, obrigado). Grandes redes de fast food já compram frangos e ovos deste tipo de produção, em acordos totalmente (e igualmente) livres.

Assim como no debate acalorado da “Neutralidade da Rede”, a questão dos ovos enfurece progressistas e setores da indústria já estabelecidos e preparados para produzir nas regras da era Obama. É claro que, para estes empresários, a entrada de outros players no mercado não é bem vinda.

Trump emplacou mais uma. Acabou com a neutralidade da galinha orgânica.


11 de dezembro de 2017

Agricultores do Arkansas vão receber 466 milhões de dólares do governo por perdas nas lavouras


Agricultores

O estado americano do Arkansas tem a metade do tamanho do Rio Grande do Sul. O pagamento chegará para 35 mil produtores rurais

 

O sistema de “safety net” (rede de proteção) do governo americano cobre financeiramente vários problemas dos agricultores, de variações climáticas até preço baixo das commodities.

Para as perdas do ano de 2016, os agricultores do Arkansas receberão 466 milhões de dólares, ficando atrás apenas do Texas (674 milhões) e Nebraska (642 milhões).

Trinta e cinco mil propriedades rurais vão receber cheques do governo, em um estado que tem a metade do tamanho do Rio Grande do Sul e também é um grande produtor de arroz. Para a compensação do preço baixo, cerca de 17 mil produtores vão receber um pagamento médio de 22 mil dólares, enquanto a cobertura de “risco agrícola” valerá cerca de 4 mil dólares para cada um dos 18 mil agricultores que aderiram ao programa. O sistema é opcional e tem regras específicas para culturas selecionadas.

No total, em todo o país, serão pagos 9,6 bilhões de dólares para cobertura de risco agrícola, preço baixo e programas de conservação do meio ambiente.

Sobre os números de 2016, acesse este link (em inglês).



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