Tag: Fertilizantes

26 de março de 2022

País asiático quase vai à falência depois de banir agroquímicos


banir agroquímicos

Deu tudo errado: tentando tornar o país a primeira “nação 100% orgânica”, presidente quase matou de fome boa parte da sua população após banir agroquímicos e fertilizantes sintéticos

banir agroquímicos

 

O país

O Sri Lanka é um país asiático localizado logo abaixo da Índia. Na realidade, uma “grande ilha” no oceano Índico com 65 mil km2 de área, um pouco maior que a Paraíba, mas com 21 milhões de habitantes.

Como aconteceu

Promessa de campanha do presidente eleito Gotabaya Rajapaksa no pleito de 2019, o banimento total de agroquímicos e fertilizantes sintéticos na agricultura do Sri Lanka entrou em vigor em abril de 2021, no meio da pandemia. O primeiro resultado imediato: um terço da área agrícola do país ficou sem plantio. O plano era tornar a agricultura do país totalmente orgânica.

Seis meses depois, a produção de arroz caiu 20%. O país teve que importar US$ 450 milhões do produto e o preço ao consumidor subiu cerca de 50%.

Adicione US$ 350 milhões em indenizações e subsídios para produtores que não conseguiram se adaptar. Outro setor, o da produção de chá (o produto mais exportado do país) amargou um prejuízo de US$ 435 milhões. Para adicionar mais desgraça, a pandemia afastou os turistas, prejudicou ainda mais a economia provocando falta de alimentos em geral e até blecautes no fornecimento de energia. E pensar que o presidente que “inventou” essa maravilha foi eleito com mais de 50% dos votos.

Um relatório americano aponta que a falta de planejamento para a mudança (não ser gradual) e a falta de importação de fertilizantes e demais insumos orgânicos ameaçou severamente a seguridade alimentar do país. Uma bola fora.

Por fim, o Sri Lanka desistiu parcialmente da ideia e liberou alguns produtos ainda em novembro de 2021, até a totalidade, recentemente.

O caldo engrossou: agricultores protestaram muito contra o banimento dos agroquímicos no Sri Lanka. Fonte: People’s Dispatch.

Saiba mais

Sri Lanka’s Organic Experiment Went Very, Very Wrong (Modern Farmer)

Sri Lanka to pay $200m compensation for failed organic farm drive (Al Jazeera)

Sri Lanka’s Plunge Into Organic Farming Brings Disaster (NYT)

 

Veja também

Golpista dos orgânicos comete suicídio nos EUA


2 de março de 2022

Quais são os maiores produtores de potássio do mundo em 2022?


produtores de potássio

produtores de potássio

Confira o ranking dos maiores produtores de potássio do mundo e os líderes do mercado global de fertilizantes

 

Canadá

Maior produtor de potássio do mundo, o Canadá produz 14 milhões de toneladas ao ano. A maior empresa produtora do país é a Nutrien, fruto da fusão em 2018 da Potash Corporation of Saskatchewan e da Agrium.

Rússia

A vice está com os russos, são 7,4 milhões de toneladas e a Uralkali é a maior empresa por lá.

Bielorrússia

O país que é parceiro histórico da Rússia produz 7,3 milhões de toneladas com a Belarusian Potash Company  e está com sérios problemas (já estava mesmo antes da Guerra da Ucrânia começar). Notem que “um Canadá” equivale a Rússia + Bielorrússia somados.

China

Os chineses produzem 5 milhões de toneladas, mas consomem 20% de todo o potássio do mundo.

Alemanha

A Alemanha produz 3 milhões de toneladas.

Israel

O pequeno país do Oriente Médio produz 2 milhões de toneladas e a Israel Chemicals é uma das maiores empresas do mundo no setor.

Jordânia

A Jordânia produz 1,5 milhão de toneladas através do processo de recuperação do mineral no Mar Morto, assim como Israel.

Chile

Nosso irmão latino produz 900 mil toneladas e priduz na mesma estrutura também o Lítio, importante matéria-prima para baterias.

Espanha

470 milhões de toneladas.

Estados Unidos

470 milhões de toneladas, empatado com a Espanha.

Laos

O país do sudeste asiático produz 400 milhões de toneladas.

 

Com dados da Potash Investing News e outras fontes.


2 de março de 2022

No embalo da guerra na Ucrânia, Irã vai trocar milho por fertilizante com o Brasil


guerra na ucrânia

Com as complicações do agro no cenário mundial, países buscam alternativas para o comércio de produtos

guerra na ucrânia

Segundo informações da imprensa do Irã, o país procura por alternativas no comércio de grãos, já que importa (ou importava) 60% do milho para consumo da Ucrânia. Se o conflito continuar, essa importação poderá ser realizada na totalidade do Brasil.

Segundo a iraniana Press TV, na próxima semana um navio carregado de ureia saírá do Irã com destino ao Brasil, para a troca (barter) por milho. Quem afirma é o presidente da Câmara de Comércio, Indústria e Agricultura Irã-Brasil, Fakhreddin Amerian.

Vale lembrar que a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, esteve recentemente no Irã para tratar deste tipo de comércio, entre outras questões.

O Irã exporta 400 mil toneladas de ureia por ano para o Brasil e pretente chegar em 2 milhões, segundo o ministro da agricultura Javad Sadatinejad.

exportações brasileiras para o irã

Exportações brasileiras para o Irã em 2021: o milho já era top, agora pode aumentar. Fonte: Comex-vis

Problemas no passado

Em 2019, um navio do Irã ficou parado por semanas no porto de Paranaguá, no Paraná, por conta da Petrobras. A estatal brasileira não queria abastecer as embarcações por conta de sanções do governo americano impostas ao Irã. O caso foi parar até no STF, que deu a ordem para que o abastecimento fosse realizado.

Veja também

Fertilizantes: Bielorrússia solta o verbo contra a Lituânia e diz que o país prejudica o Brasil


1 de fevereiro de 2022

Fertilizantes: Bielorrússia solta o verbo contra a Lituânia e diz que o país prejudica o Brasil


bielorrússia

bielorrússia

O perfil oficial da embaixada da Bielorrússia no Brasil publicou nota nas redes sociais contra o país vizinho

Parece que o negócio azedou entre a Bielorrússia e a vizinha Lituânia. Diz a nota publicada no Facebook:

Notícia importante para o 🇧🇷: governo da Lituânia declarou inválido o Acordo entre o produtor #Belaruskali de 🇧🇾 e as ferrovias estatais da #Lituânia sobre o trânsito de fertilizantes de #Belarus por meio do porto de #Klaipeda a partir de 1 de fevereiro. Isto quebrou completamente a logística de transporte de fertilizantes para o Brasil 🇧🇷. Companhia Nacional de Abastecimento – ConabSituação:

Lituânia, com população de 2,7 milhões de habitantes, está fazendo uma comédia política, impedindo Brasil com 214 milhões de pessoas de fortalecer sua segurança alimentar, combater a fome e desenvolver seu setor agrícola, que não pode funcionar efetivamente sem o fertilizante de Belarus.

Comentando a situação, o Primeiro ministro de Belarus Roman #Golovchenko disse: “A Lituânia, ao tomar tal decisão unilateralmente, violou o acordo intergovernamental sobre comunicação ferroviária, bem como documentos internacionais que regulamentam questões de trânsito para países sem litoral. Oferecemos opções para a Lituânia. Se a Lituânia não responder a Belarus nos próximos dias, Belarus imporá medidas de retaliação”.

A Bielorrússia produz cerca de 1/4 do Cloreto de Potássio no mundo e não tem saída para o mar, dependendo das boas relações com os países vizinhos para completar a sua logística. É mais um potencial problema para os agricultores brasileiros, entre tantos outros.

Veja também

Presidente da Bielorrússia quer “tratorterapia” para o coronavírus


13 de novembro de 2020

Reino Unido considera proibir o uso de uréia sólida nas lavouras


uréia sólida




uréia sólida

A terra da rainha quer mudanças radicais na agricultura e a bola da vez é a aplicação de uréia em estado sólido. O Reino Unido planeja banir o uso do fertilizante

Tudo começou em 2019 com o Clean Air Strategy, um estudo do governo para criar uma estratégia que diminui todo o tipo de poluição, melhorando a qualidade do ar, protegendo a natureza e impulsionando a economia, nas palavras dos próprios representantes. O documento pode ser acessado neste link e tem 109 páginas.

Só em gastos com problemas na saúde dos britânicos relacionados a emissões de amônia, o governo alega um gasto de 1 bilhão de Libras.

Entre os planos opcionais estudados após uma espécie de consulta pública, estão o banimento total no uso de uréia em estado sólido, a obrigatoriedade do uso de um inibidor de urease e a limitação no calendário para aplicação (apenas entre 15 de janeiro e e 31 de março). Com isso, as emissões se amônia seriam reduzidas em 31% até 2030.

Segundo reportagem do site Farmers Weekly, a opção preferida do governo parece ser mesmo o banimento total. No horizonte, o aumento do custo na produção de alimentos. É preciso ficar atento.

Veja também

Tem gente tentando usar urina humana como fertilizante. Seria viável?

 


4 de abril de 2019

Espalhando esterco líquido em uma propriedade Amish


Amish

Um tanque distribuidor com tração animal e trator com roda de ferro nesta lida capturada em vídeo

Os Amish nos EUA assim como os Menonitas no Paraguai possuem costumes bem particulares, bem evidenciados nas práticas agrícolas das proriedades onde moram e atuam.

O canal do Youtube 717 Drone Guys fez um lindo registro de uma família Amish aplicando esterco líquido na propriedade, usando um tanque espalhador com rodas de ferro e puxado por 6 cavalos.

O material é muito interessante. Nas belas imagens, o distribuidor é carregado por uma mangueira, de onde vem o esterco que é bombeado de um tanque dentro da propriedade, com o uso do trator.

A propriedade fica no estado da Pennsylvania, nos EUA.


14 de junho de 2018

Os maiores produtores mundiais de potássio


potássio

Importamos quase todo o potássio usado no país, enquanto o nosso próprio mineral segue sem exploração adequada.

O Brasil importa 92% de todo o potássio necessário para a nossa produção agrícola. Estes “heróicos” 8% saem de minas no estado do Amazonas e Sergipe (complexo Taquari-Vassouras, de propriedade da Petrobrás e arrendado para a Vale). Em 2014, foram consumidos 5,7 milhões de toneladas de potássio no Brasil.

Maiores produtores de potássio em 2016 (MT)

Canadá, Rússia, Bielorrússia, China, Alemanha, Jordânia, Israel, Chile, Espanha e Reino Unido, maiores produtores mundiais.

Nós temos enormes reservas de potássio na Amazônia, com potencial para suprir o mercado interno plenamente por décadas. Estas áreas estão em conflito judicial em uma briga que mistura mineradoras nacionais e internacionais, defensores do meio ambiente, lobby indígena, ONGs internacionais e políticos. Sobre o conflito índios X produção, não apenas na questão dos fertilizantes, nós recomendamos que o leitor acompanhe o trabalho do procurador do RS, Rodinei Candeia.


14 de junho de 2018

O fantástico trem do fosfato na Arábia Saudita


fosfato

Composição tem 150 vagões e atravessa o país com 15 mil toneladas do produto, da mina ao porto.

 

Nem só de petróleo vive a Arábia Saudita: a mineração também vem ganhando importância no país. Inaugurada em 2011, a linha férrea desenvolvida especialmente para o transporte de fosfato da mina Al-Jalamid, localizada no norte, até a usina de processamento no Golfo da Arábia, tem cerca de 1500 km e desloca 5 milhões de toneladas por ano do produto.

https://youtu.be/-LSC3zEgjmQ

 

O trem que transporta o fosfato tem 150 vagões, puxados por 3 locomotivas a diesel, com 4300 hp cada uma. Os vagões são dotados de um sistema especial de carga e descarga automática, sem interação humana e capazes de descarregar 100 toneladas em menos de um minuto. A tecnologia é chinesa, da empresa CSR. Toda a estrutura ainda tem sistemas de filtragem de ar e limpeza do acúmulo de areia do deserto nos trilhos.

 

 

Saiba mais

Veja esta apresentação (em inglês) que mostra diversos dados da ferrovia, fotos interessantes e curiosidades. Acesse aqui.

Site da Ma’adem – Saudi Arabian Mining Company.


10 de abril de 2018

Máquina que retira fósforo do esterco é patenteada nos EUA


O sistema é móvel e retira até 98% do fósforo em esterco bovino.

 

O fósforo no dejeto animal já é um problema ambiental sério nos Estados Unidos, responsável por 66% dos danos em rios e costas americanas. Pensando neste cenário, um time de cientistas da Universidade da Pensilvânia e do USDA desenvolveu o MAPHEX ( MAnure PHosphorus EXtraction), uma máquina capaz de remover o fósforo do esterco, principalmente bovino mas em testes para outros tipos de dejetos.

 

 

O sistema é móvel e pode ser instalado na propriedade, retirando o esterco líquido direto na esterqueira através de um parafuso de arquimedes até uma centrífuga e tanques de reação com alguns produtos químicos, com um processo final que usa Terra Diatomácea.

O sistema está em testes em algumas propriedades leiteiras nos EUA e procura parceiros para o desenvolvimento industrial. O custo estimado está em US$ 750,00/vaca/ano.

Saiba mais acessando o site (em inglês).

 

 


5 de dezembro de 2017

Agricultores norte-coreanos estão roubando fezes para fertilizar as lavouras


agricultores norte-coreanos

Uma nova onda de crimes rurais na ditadura norte-coreana expõe a calamidade do país

 

Não estamos falando sobre o bom e velho esterco. Fezes humanas viraram um produto valioso nas áreas rurais da Coréia do Norte e o roubo entre vizinhos já é uma prática comum.

Por uma ordem expressa do próprio governo Kim Jong Un em 2014, os agricultores foram obrigados a adotar o “adubo de origem humana” nas lavouras, com o intuito de aumentar a produção e ser menos dependente de esterco animal. Fertilizante químico? Nem pensar por aquelas bandas.

 

Produção de milho em uma propriedade acima da média na Coréia do Norte. Veja mais imagens no site do Asia Times.

Juntamente com o uso indiscriminado de fezes, vieram as doenças causadas por vermes. Recentemente, um soldado do norte conseguiu escapar (por muito pouco) para a Coréia do Sul, em péssimo estado e com vermes gigantes no intestino.

Segundo apontou o The Mirror no ano passado, existe até uma cota de produção para os habitantes, gerando competição entre familiares para determinar quem é o melhor produtor. De fezes.

A situação é triste. O mundo espera que a situação por lá melhore, muito em breve.


30 de junho de 2016

Tem gente tentando usar urina humana como fertilizante. Seria viável?


Cientistas do mundo todo querem usar o NPK que você joga fora, todo dia, como adubo.

 

A urina humana é composta por 95% de água e 2 % de uréia. Nos 3% restantes, estão fosfato, sulfato, amônia, magnésio, cálcio, ácido úrico, creatina, sódio, potássio e outros elementos. Cada pessoa joga fora cerca de 1 a 2 litros deste líquido turbinado por nutrientes, todo santo dia. São 500 litros por ano.

Parece exótico demais, mas não são poucas as iniciativas científicas mundo afora tentando tornar viável o processo de captar urina e transformar a mesma em adubo. Em relação ao produto do “número 2”, a urina é estéril (fezes podem ter bactérias) e até mesmo astronautas bebem a própria produção, reciclada em equipamentos da estação espacial.

Cientistas da Suécia já estudaram por 15 anos o uso de urina, incluindo o rendimento de beterrabas em laboratório. As “fertilizadas” com o produto ficaram de 10 a 27% maiores que as adubadas com fertilizante mineral, sem alteração de sabor. Os resultados da pesquisa foram publicados no Journal of Agricultural and Food Chemistry, em fevereiro de 2010.

Não há dúvida: é viável fertilizar. O problema é outro.

O uso em média e larga escala de urina demandaria uma reforma colossal nos sistemas de esgotos das cidades e até nos banheiros que conhecemos, com equipamentos coletando urina em separado do resto da canalização. Mas no futuro, com avanços em nanotecnologia, alguma solução individual deve surgir.

PS. A internet está cheia de relatos de pequenas hortas residenciais regadas com urina, salvando o mundo um tomate de cada vez. Nossa dúvida é outra: funciona em larga escala? Talvez, no futuro.



Publicidade