Agência de executivo do mercado financeiro quer que consumidores paguem por supostos malefícios da pecuária.



A luta contra a produção de carne nunca termina. Enquanto uns tentam a proibição em ações ao estilo da "Segunda sem Carne", outros dão ideias para governos sobretaxarem os produtos derivados de qualquer animal.

A FAIRR, uma espécie de agência de risco para atividades que envolvam a produção animal, lançou um relatório que recomenda a criação de impostos para a carne, nos mesmos moldes dos já existentes para o tabaco e açúcar. A agência ainda declara que deve ser criado o consenso mundial sobre os malefícios ambientais na produção e nos riscos para a saúde de quem consome carne, para que governos sejam convencidos e adotem a taxação. Com a carne (bem) mais cara, as pessoas procurariam alternativas "vegetarianas".

Por trás da FAIRR está Jeremy Coller, um milionário inglês que fez sua fortuna no mercado financeiro e um dos maiores filantropos do Reino Unido. Ele também tem conexões com o grupo The Elders, um conjunto de líderes mundiais fundado em 2007 por Nelson Mandela, onde o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é membro emérito.


Acima, Jeremy Coller.

A medida, além de absurda, esquece da população mais pobre, que deixará de consumir. E dos milhões de pequenos e médios produtores que sentirão na pele o declínio da atividade. Ações como esta parecem sair de laboratórios de cientistas sociais com muita ideologia na cabeça, com objetivos mundiais bem definidos e desprezo por quem estiver no caminho. Esta situação já é vivida pelos produtores de fumo no Brasil, pequenas famílias que se tornaram verdadeiros "criminosos morais" por plantarem tabaco, vivendo na incerteza.

Vivemos tempos sombrios. Os produtores rurais precisam, acima de tudo, buscar a proteção através das cooperativas, entidades, movimentos políticos e os próprios representantes eleitos.

Saiba mais (em inglês): A new report says we should tax meat-eaters like smokers.